sábado, 11 de fevereiro de 2017

História da Química | Civilização Egípcia - Parte 2

Nesse post temos a segunda parte sobre a aula de história da química, tendo como tema a civilização egípcia. Então, vamos falar sobre Papiro, Cerveja e Cosméticos, a seguir temos o vídeo e uma descrição escrita sobre o que encontramos no vídeo. 

Essa parte escrita é uma forma de script que uso para montar as aulas, sendo que, eles tem um grande resumo, para que eu vá lendo e falando durante o vídeo, sendo que, muitas partes eu acabo cortando na edição, já que, na realidade os vídeos ficam bem longos. Mesmo passando pela edição, ainda não consigo resumir a informação num todo, ou seja, os vídeos ficam num padrão que o youtube não gosta, pois são vídeos longos, uma vez que para o algoritmo do site, quanto mais longo o vídeo, mais estafante ele deve ser e, com isso, menos acessos ele vai ter e, se tem poucos acessos, não compensa mante-lo em evidência. Porém ao meu ver, a informação é mais importante, então, meus vídeos, pelo falto de serem aulas, eles vão sempre ter mais do que 20 minutos. 

Vale ressaltar que o script, ou seja, o resumo que você vai usar durante o vídeo, fica muito interessante se ocupar uma página, ou seja, quando eu estava falando sobre o Papiro, eu tentei resumir tudo sobre o tema em uma única página A4 ou do editor de texto aberto no computador. Isso garante que você não se perde durante a gravação de um vídeo ou durante uma aula. Como é um resumo, esse não vai ter toda a informação que você irá passar, mas sim, uma sequência de lembretes para que o professor mantenha uma sequência lógica.

Eis o vídeo da segunda parte:




Eis o resumo: 

Papiro (Cyperus Papyrus)
Foi por volta de 2500 a.C. que os egípcios desenvolveram a técnica de fabricar folhas de papiro, considerado o precursor do papel. Para confeccionar o papiro, corta-se o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas. Depois de secas, estas lâminas são mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar.

No talo do papiro existe açúcar, então se adicionando o mesmo em uma solução de vinagre contendo acetobactérias elas fermentam esse açúcar produzindo álcool. No meio reacional então ainda sobra ácido acético e álcool e, se tem o início do processo organossolve.

Processo organossolve - Envolve reação com um álcool (metanol, isobutanol, ciclo hexanol ou álcool benzílico) e ácido acético. Os álcoois combinam com a lignina na presença de ácidos minerais formando a lignina alcoólica, solúvel, com rendimento de 30%.

Outra vez secas, as lâminas são ajeitadas em fileiras horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras. A sequência do processo exige que as lâminas sejam colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, sendo então mantidas e prensadas por seis dias. E é com o peso da prensa que as finas lâminas se misturam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado.
O papiro pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado na escrita. A lignina é uma macromolécula amorfa encontrada nas plantas terrestres, associada à celulose na parede celular cuja função é de conferir rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.


Cerveja
A cerveja, assim como chás, o hidromel e o vinho, possuem grande importância na sobrevivência dos humanos, sendo que, as civilizações onde havia o costume de se tomar essas bebidas conseguiram florescer.

Isso se dá pois no processo de produção desses compostos, muitas vezes, se tem a necessidade de fervura da água, filtragem e alteração do pH da mesma, ou seja, ocorrem processos químicos e físicos, que acabam matando microrganismos patogênicos. Logo, a civilização que consumia bebidas que se tinha a necessidade de produzi-las, tiveram menos casos de cólera, que era uma das doenças que mais matava na época. Os surtos de cólera se davam pois as pessoas despejavam seus resíduos nos mesmos rios e lagos de onde tiravam sua água para consumo próprio, logo, doenças estomacais eram comuns e fatais.

Então, tomar cerveja, era um ato que todos faziam no Egito, fosse adulto, criança, faraó, ancião... todos bebiam. Obviamente o sabor e o fato do álcool causar o relaxamento eram os fatos pelo qual as pessoas tomavam, mas também, ao longo do tempo, as pessoas perceberam que, beber água do rio fazia mais mal do que a cerveja. Eles até então não sabiam que existiam microrganismos perigosos na água do rio, mas conseguiam correlacionar o fato da água pura do rio causar doenças.

A cerveja já estava presente à mesa dos egípcios a mais de 5000 anos, sendo tão importante que era considerada um excelente presente para o faraó. A cerveja provavelmente foi uma consequência da produção do pão, uma vez que, o fermento usado no pão era usado na cerveja e a matéria prima era a mesma, ou seja, o trigo. Por algum descuido e por muita sorte, provavelmente algum pote de barro ficou alguns fechado com água, fermento e trigo, o que proporcionou a fermentação dos açucares que existem no trigo.

Uma fermentação se baseia na quebra de um açúcar para a produção de álcool e gás carbônico. Essa quebra é desenvolvida por bactérias anaeróbias, ou seja, que não suportam oxigênio e por isso precisam de um ambiente controlado. Por isso se acredita que a cerveja tenha sido um resíduo da produção de pão, onde pode ter entrado água por descuido dentro de um pão que estava em descanso e, obviamente, o mesmo foi esquecido fechado por alguns dias.

Outra característica importante da cerveja é que o mestre cervejeiro era um especialista que além de produzir a bebida real, ele era responsável por fazer a cerveja para os mortos, ou seja, a cerveja era tão apreciada que os egípcios queriam leva-la para o mundo dos mortos também. Essa importância era tão grande que o mestre cervejeiro tem um hieróglifo especial só para ele. 


Cosméticos
Os egípcios se mostraram preocupados com a aparência e tratamentos de pele já a uns 2500 anos antes de Cristo. Uma das funções é que a população tinha muitos problemas com pestes, o que assolava a aparência daqueles que ficavam doentes. Uma peste muito comum eram os piolhos e, por esse fato acabavam raspando a cabeça e usando perucas, então era comum os nobres usarem perucas dos cabelos de cervos. Para demonstrarem algum diferencial físico e dessa forma, mostrarem que tinham alguma importância na sociedade, além de adornos metálicos, eles usavam pigmentos para pintarem a pele.

As principais cores que eles usavam eram branco, vermelho, azul, verde e preto, sendo que essas cores eram extraídas principalmente de minerais, como por exemplo o azul, que era extraído do Lapis Lazuli (Feldspato - (Na,Ca)8(AlSiO4)6(S,SO4,Cl)1-2), o verde da malaquita (minério de cobre), o preto da galena (minério de chumbo). Obviamente a galena é tóxica, pois o chumbo leva a uma doença chamada saturnismo, onde afeta o desenvolvimento físico e mental.

Porém, obviamente, foi observado que as tintas usadas para pintar a pele, traziam benefícios, dessa forma, eles começaram a acreditar que era por causa de alguma mística ligada aos deuses, sendo que Osiris, um dos deuses mais importantes, era representado com a pele verde, ou seja, estaria coberto por pigmento de malaquita. Essa tinta ajudava a hidratar a pele, uma vez que por ser aplicada em forma de uma pasta, ajudava a segurar um pouco de água por mais tempo na pele, uma vez que o ambiente onde se encontra o Egito é equatorial e, dessa forma, muito quente. Outro fato para o uso contínuo dessas tintas é que como se encontravam muitos silicatos nas mesmas, ao passa-las, ocorria a esfoliação da pele, o que ajudava a remover pele morte e ao mesmo tempo hidrata-la.

Além de tudo isso, os egípcios também já sabiam produzir um composto que usamos até hoje para limpeza. O sabão era feito a partir de gordura animal, cinzas e água. A gordura animal era rica em proteínas e as cinzas de carvão ajudavam a elevar a basicidade do meio, o que culminava na produção de um composto pastoso, o qual muitas vezes eram adicionados os pigmentos gerados com os minerais (malaquita, lapis lazuli e galena). Conforme a cor do sabão produzido ele podia ter um uso específico segundo as crenças deles.

O sabão ele surge de uma reação conhecida como saponificação, onde se tem a hidrólise de lipídios (um éster de ácido graxo), com o uso de uma base forte sob aquecimento, gerando, um álcool (glicerol) e um ácido graxo, ou seja, o sabão.

O sabão é uma boa forma de reciclar óleo de cozinha, o que evita desse composto ser despejado no esgoto ou em corpos d’água, que podem poluir milhares de litros de água.

Uma fórmula de sabão caseiro é a seguinte:

1L de óleo de cozinho usado em frituras (filtrado sem resíduos sólidos).
400 mL de água limpa.
120 g de soda cáustica (Hidróxido de Sódio).
100 ml de vinagre (Ácido Acético)

Inicialmente adiciona-se a água e o óleo em um recipiente, pode ser uma garrafa PET, em seguida, com muito cuidado se adiciona escamas de Hidróxido de Sódio, que deve ser adicionado lentamente, uma vez que a reação de saponificação é exotérmica e com a adição da energia cinética do ato de derrubar a soda na mistura contendo água e óleo, pode ocorrer um aquecimento brusco e a solução espirrar com força para fora ou pode acontecer de derreter o plástico. A soda é extremamente corrosiva e causa queimaduras, por isso deve ser usado jaleco e luvas no manuseio. Também é indicado proteger o nariz com um pano e os olhos com óculos de acrílico. Outra característica é que a mesma é Higroscópica, ou seja, absorve água e começa a ficar hidratada (começa a ficar meio melada).

Depois de adicionados os compostos, então, deve-se mexer o sistema suavemente, afim de ajudar a misturar melhor os compostos. Após isso deixe o recipiente parado e quando estiver endurecido, isso pode levar mais de um dia em alguns casos, desenforme o sabão. Se usar uma garrafa PET, você poderá fatiar a garrafa, o que é muito prático.

Após isso, pode-se usar um pouco de vinagre se restar algum composto líquido, afim de provocar uma reação de neutralização, caso essa possível solução restante esteja muito básica.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Mudança do Currículo do Ensino Médio - Qual a verdadeira prioridade que devemos discutir?

Estamos vivendo um período onde se discute a mudança do ensino médio e, isso é de extrema relevância para professores discutirem, porém, esse é um assunto que dever ser trabalhado de forma apartidária, sem que existam ideologias por trás, ou seja, não podemos nos deixar levar por ideias políticas na discussão de um tema tão importante.

Antes de discutir o que deve mudar na ementa curricular, temos que pensar em um outro fator, sendo que esse eu considero de maior relevância que a mudança do currículo. Esse fato corresponde ao número de aluno por sala.

Agora por que isso é tão importante?
A resposta para isso é bem simples e, se passa pelo fato de que um professor não consegue desenvolver um bom trabalho, em um escopo onde, não se pode ter a percepção em curto espaço de tempo se a matéria está sendo compreendida. Essa percepção, somente é passível de ocorre, se a turma for limitada em um total de 15 alunos, uma vez que o professor consegue se conectar a um nível praticamente pessoal e individual com todos os alunos da turma.

Hoje, isso é impossível de acontecer, uma vez que as turmas são compostas por 40 alunos, sendo que muitas vezes (eu já passei por isso), um professor ou os alunos, não possuem cadeiras ou carteiras para se sentarem, já que a infraestrutura da escola é limitada. Esse problema físico nos leva a um problema de cansaço dentro de sala de aula, pois, se aumenta o barulho, o calor e o espaço diminui, o que leva a problemas óbvios de alocação de material e pessoas. Nunca é saudável se estudar ou mesmo fazer qualquer atividade onde não se consegue determinar um espaço próprio, o que leva ao estresse, uma característica extremamente ruim para atividades que necessitam de uso de concentração e intelecto.

Dessa forma, existe a necessidade de se construírem novas escolas, que garantam uma média de 15 a 20 alunos nas salas das escolas públicas. O interessante de se aumentar o número de escolas numa cidade é que para se erguer os prédios gera-se temporariamente empregos, ou seja, circula a curto prazo uma quantia de dinheiro na cidade, depois disso, agora pensando a longo prazo, novas escolas vão ajudar a crescer pequenos comércios em seus arredores, uma vez que a escola se torna um ponto de referência e fluxo de pessoas. Em muitos casos se criam novas rotas de transporte público, o que garante melhores condições de pessoas usufruírem de transporte público mais próximo de casa. Ou seja, regionalmente uma construção pública que serve de ponto referencial só possibilita melhoria para bairros mais afastados. Ainda existe mais um fato importante a ser discutido nesse âmbito, que é o aumento da necessidades de profissionais da educação, logo, novos concursos públicos seriam abertos, já que a escola tem uma demanda de professores, pedagogos, psicólogos, auxiliares de diversas funções, indo desde limpeza até coordenação, bibliotecários e até mesmo pediatras. 

Podemos ver que, escolas novas, não somente ajudam a diminuir o número de alunos por sala, mas também contribuem para melhor desenvolvimento de áreas onde não se tinham centros educacionais. Além de tudo isso, as escolas também contribuem com centros de recreação que ficam abertos de fim de semana, mas é claro, isso dependente do desenvolvimento de projetos. Esses projetos podem ajudar, desde a manter jovens e adultos dentro de um ambiente saudável, como também fornecer cursos de especialização populares.

Outro fator interessante, que podemos ter, com o aumento de números de salas é que o investimento e a valorização de cursos de licenciatura farão com que a profissão de professor seja mais procurada, uma vez que, garante emprego, pois tem demanda e não seria mais tão estafante dar aulas em uma sala com 15-20 alunos do que nas atuais salas com 40 pessoas estressadas.

É claro, isso que falo, somente é perceptível para quem convive ou já trabalhou dentro das escolas por algum tempo, sendo que, muitas vezes quem pensa em fazer uma modificação no ensino médio, não leva isso em consideração. Ou seja, o maior problema que devemos pensar é inicialmente na infraestrutura e depois avaliar se o que ocorre é de caráter acadêmico (fato esse que eu duvido muito!)

Caro leitor, você pode ver que eu nem entrei no fato do currículo nesse texto, pois não creio que o problema seja o aluno escolher qual carreira quer seguir. O fato de estudarmos várias frentes no colegial por três anos não é algo imposto, mas sim, matérias que possuem formas diferentes de desenvolvimento cognitivo levando a novas abstrações frente a resolução de um problema, ou seja, as matérias não são só de conteúdo instrucional, mas também tem função abstracionística. Uma outra característica é que as matérias não são simples ao ponto de serem desenvolvidas de forma autodidata, o que leva a dependência implícita de um tutor. Por isso, é interessante os alunos terem contato com o máximo possível de frentes.

Outra mudança, que pode ser interessante frente à melhoria do caráter aprofundamento no estudo, é garantir que as escolas sejam em período integral, levando ai sim, um aluno escolher algo diferente do currículo básico, sendo que poderia fazer aulas de reforço de uma matéria específica, cursos técnicos (eu fiz curso técnico em uma ETEC e foi muito bom), laboratórios de ciências, aulas de línguas estrangeiras, ou seja, permitir que no período extra os jovens possam escolherem o que desejam se aprofundar e desenvolverem projetos.

Também, além de tudo isso, deve-se iniciar um estudo de qual o melhor horário para começarem as aulas, já que é constatado que os alunos não rendem com aulas começando às 7:00 da manhã. Existem várias pesquisas que mostram que os jovens necessitam de um período maior para dormir, para que consigam ter um bom aproveitamento. Talvez, iniciarem as aulas às 8:00 ou 8:30 e as mesmas se alongarem até às 13:00 horas com intervalo das 10:30 às 11:00, com refeição incluída e também uma merenda próxima das 15:00 horas, uma vez que a escola seria em período integral. Obviamente, o horário de saída seria próximo das 17:00 horas, para possibilitar os alunos voltarem num período claro para casa.

Resumindo tudo isso, antes de começarmos a pensar se, existe necessidade de mudarmos a ementa e o formato do currículo, existe primeiramente o dever de pensarmos o que é prioridade para se desenvolver essas possíveis mudanças e, essas prioridades se baseiam inicialmente em mudarmos a estrutura de organização da escola, pois do contrário, podemos implantar qualquer currículo e modelos educacionais de "primeiro mundo", que não vai dar certo.

Mais para frente discutiremos sobre o currículo que pensam em implantar e na possibilidade dos alunos poderem montar a ementa curricular à partir do segundo ano de colegial.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Por que grande parte dos alunos consideram estudar muito chato?

O povo brasileiro é criado para se divertir, ou seja, tudo na nossa nação gira em torno de entretenimento, por isso os reality shows fazem tanto sucesso por aqui.

A primeira coisa a ser ensinada para um filho seu, é que, nem tudo na vida, nem tudo o que é importante, tem que ser prazeroso, legal e gostoso de se fazer. Eu tenho formação em educação, tudo bem que é em uma instituição onde as ementas curriculares são marxistas (mas fico feliz que consegui perceber isso e, tornei minha formação na área educacional menos parcial e doutrinada)... E isso me fez perceber que, realmente, existe a formação visada em menos disciplinaridade e mais em uma interdisciplinaridade de caráter político e social.

Isso a princípio pode parecer legal, porém, não permite que o verdadeiro objetivo das diversas matérias do ensino seja alcançado, objetivo esse que é, criar novas formas cognitivas de se encarar um mesmo fato, característica essa que já bate de frente com o discurso errado, de quem, crê que o ensino é ruim pelo fato de ser superficial e tentar tornar os alunos em especialistas de áreas determinadas.

A disciplina, não tem que ser divertida ou mesmo, de dar uma super formação (um aluno de química não tem que sair do ensino médio sabendo entrar em um laboratório e conseguiu fazer uma síntese orgânica), mas sim, saber que, podemos usar química para compreender fenômenos da biologia, ou que, química está correlacionada com fatos históricos. Ou seja, levar ao aluno, informação coerente e que lhe ajude a desenvolver processos cognitivos. Essa é a interdisciplinaridade sadia. Porém, a interdisciplinaridade defendida na maioria dos cursos de licenciatura é a de olhar para o meio onde a pessoa vive e, tentar, extrair informação relevante de um meio "capenga". Não que isso não seja possível, na realidade é interessante, mas se trabalhado de forma complementar e não sendo o pilar do ensino.

Antes de se dar uma aula de química, física, biologia... qualquer matéria, onde, se vai aliar um experimento ou observação, que, pode ser utilizado meios cotidianos para uma explicação, deve-se anteriormente, se adentrar no conceito mais rebuscado, principalmente pelo fato do aluno ter necessidade de aprender no mínimo termos que se utilizam no universo científico. Logo, o ensino não pode passar por um processo de desconstrução da disciplinaridade, com finalidade de torna-lo somente mais atraente.

Por isso, deixo esse conselho, quando iniciar a criação e educação de seu filho, além dele ter que brincar e se divertir, pois isso também faz parte do crescimento cognitivo, existe a necessidade de impor limites e obrigações, para que a criança, desde a infância, consiga desenvolver esse senso, de que, existem coisas importantes, que necessariamente, devem ser levadas com seriedade, mesmo que seja enfadonho.



Creio que o maior inimigo da educação brasileira está ligado com, uma cultura desenvolvida por nós todos, que diz: "Tudo que é enfadonho queremos distância"... Por isso tantos feriados, festas, férias e o empurrar com a barriga.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Aviso - Vídeos aulas de história da química.

Caros amigos, amantes do ensino de química, estudantes e também (por que não?) curiosos, por esses próximos dois meses me encontro estudando para a prova de doutorado, por isso, ainda não pude fazer a segunda parte da vídeo-aula de história da química, que conta a contribuição do egípcios para a ciência. Já estou com parte do script pronto, mas falta ainda narrar e editar o áudio, montar um vídeo com slides e por fim concatenar tudo. 

Um dia eu explicarei alguns truques básicos de edição de áudio e vídeo, para que, os professores, educadores e estudantes, possam desenvolver esses vídeos que são excelentes ferramentas de trabalho.

Por isso peço desculpas por essa demora.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Lei de Hess: Exercício para compreensão do conteúdo.

A lei de Hess é importante no aprendizado de que estuda química, pois esse consegue compreender que para se chegar em uma determinada reação, existem vários passos intermediários, sendo que, esses passos, são compostos de outras reações. Além disse torna-se fácil determinar a entalpia da reação, uma vez que, a entalpia total será a somatória de todos os valores de entalpia das reações intermediárias.

Existem exercícios mais simples do que esse que trago a seguir, porém, ele é bastante didático, pois envolve alguns passos interessantes.


"O propano é um gás muito utilizado como combustível, presente em botijões usados para acender fogões e espiriteiras. Determine a entalpia final da reação de síntese do propano."
Extraído do Atkins, Princípios de Química.



Primeiramente devemos montar a reação de síntese do propano:


Porém ainda não temos a entalpia dessa reação, então, será necessário determinarmos reações conhecidas, as quais, possuem nos reagentes ou nos produtos algum dos compostos existentes na reação de síntese do propano.

Para isso então, vamos propor 3 reações: Síntese do dióxido de carbono, síntese da água e combustão do propano, respectivamente.


Usando a equação de formação do dióxido de carbono e da formação da água, conseguimos montar um arranjado de equações, onde vamos olhar para as espécies que se encontram nos reagentes e nos produtos e então somamos todas essas espécies para poder escrever uma nova reação. O valor de entalpia também será somado, o que nos levará a um número diferente do que estamos partindo para cada reação. 

Obviamente, existem coisas a serem ressaltadas, a primeira coisa está ligada a observação das espécies, sendo que quando comparamos as reações e existir um mesmo composto, que esteja, presente tanto nos reagentes de uma reação x e também nos produtos da reação y, esse composto pode ser desconsiderado do sistema, desde que as quantidades estequiométricas sejam as mesmas, pois, num todo esse composto acaba não interferindo na reação. Dessa forma, quando trabalhamos com esse tipo de estudo, sempre existe a necessidade de tentar fazer com que um composto que se encontra tanto nos reagentes quanto nos produtos, tenha a mesma quantidade estequiométrica para poder ser anulado e então removido do sistema. Além disso, existe a importância de saber se a reação libera ou consome energia, sendo que, se ela consome energia, então o valor da entalpia será positivo, porém se ela liberar energia, então esse valor será negativo.


Inicialmente multiplicamos a equação da síntese do dióxido de carbono por 3, pois a molécula de propano possui cerca de 3 átomos de carbono, o que nos leva então a necessidade de alterar a quantidade de carbono na nossa primeira equação, com essa alteração, também modificamos a quantidade de oxigênio e como consequência o número de moléculas de dióxido de carbono também é modificada. Também podemos ver que como consequência disso, o valor da entalpia de formação do dióxido de carbono também é multiplicada por 3. Esse mesmo processo é aplicado à equação de formação da água, de onde temos o hidrogênio gasoso para a formação do propano. Para isso necessitamos de 8 átomos de hidrogênio, o que culmina na multiplicação por 4 de toda a equação, incluindo também o valor da entalpia de formação da água. Após isso, somamos as equações e, assim, obtivemos uma equação balanceada, com a quantidade exata de carbono e hidrogênio que podem ser usados para a síntese do propano.

Agora vamos utilizar a equação de combustão do propano, para poder determinar o valor da entalpia de formação desse composto. Uma combustão, parte do pressuposto que temos o composto já, então, para que consigamos ter o composto, o qual está sendo queimado, nos reagentes, devemos inverter a reação, sendo que, como consequência disso, o valor da entalpia muda seu sinal, ou seja, nesse caso, passando de negativo para positivo.


Podemos ver que, os compostos que se repetem tanto nos produtos quanto nos reagentes e, que se encontram estequiometricamente balanceadas, são removidos da reação, pois representam passagens intermediárias, o qual esses compostos não precisam ser rescritos no resultado final. Com isso somamos todas as equações e também os valores de entalpia e chegamos ao valor de entalpia de formação do propano, que é de -106 kJ.

Abaixo nós temos uma tabelinha com valores de entalpia de combustão de alguns compostos muito utilizados em exercícios (extraído do Atkins, Princípios de Química).


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Nitrato de Prata em solução com Carbonato de Sódio - exercício de balanceamento e cálculo de massas.

Hoje trago um exercício de Química Analítica bem simples, porém, pode ser um daqueles casos em que os alunos acabam por se confundir em alguma etapa, já que esse exercício é simples, porém, podemos dizer que é simples para um nível mais avançado de aprendizado, uma vez que o aluno precisa ter um bom conhecimento de estequiometria.

Qual a massa de AgNO3 (169,9 g/mol) necessária para converter 2,33 g de Na2CO3 (106,0 g/mol) para Ag2CO3?

O exercício compreende que o aluno é capaz de montar a reação de dupla-troca desses sais, ou seja, deve saber separar a reação em cátions e ânions. Ou seja:


Esse é o primeiro passo que o aluno tem que fazer, sendo que em seguida existe a necessidade de balancear essa reação, então deve-se conhecer o número correto de íons de na reação. Podemos dizer que esse é o passo mais importante do exercício. Ou seja:


Logo, conhecendo o número correto íons, conseguimos balancear a equação, que fica da seguinte forma:


e consequentemente a isso, temos:


Com a equação balanceada torna-se fácil resolver o exercício, uma vez que sabemos a proporção de mols que existem na reação, ou seja, sabemos que para 1 mol de carbonato de sódio, temos 2 mols de nitrato de prata. Então, se utilizando da massa que o exercício nos deu previamente (2,33 g de carbonato de sódio), conseguimos calcular a massa de nitrato de prata utilizando a razão de proporção, ou seja:


Utilizamos então uma regra de três básica e obtemos Y, sendo que Y é a massa de nitrato de prata que se usa para reagir com 2,33 g de carbonato de sódio, sendo que Y é igual a 7,47 g.

Agora se quisermos saber por exemplo a massa de carbonato de prata (275,7 g/mol), também podemos usar a mesma regra de três, porém substituindo a massa do nitrato de prata pela massa do carbonato de prata. Dessa forma:


Logo Z indica a massa do nitrato de prata, que é de 6,06 g para essa reação.

Ou seja, esse é um exercício razoavelmente simples, porém, existem vários passos que necessitam de atenção para que o exercício se dê de forma correta. Para que isso ocorra existe a necessidade do aluno aprender a organizar os passos, por isso é aconselhável o professor tentar usar um bom tempo para explicar um exercício desse tipo. Dessa forma é interessante se desenvolver uma aula temática, onde, o contexto de um dos reagentes seja importante. Um exemplo para isso é explicar o produção de espelhos, uma vez que o carbonato de prata torna-se sólido nessa reação, ou seja, o composto precipita e forma uma camada brilhante e metálica.

Esse exercício foi extraído do livro: Fundamentos de Química Analítica - Skoog - oitava edição.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

História da Química | Civilização Egípcia - Parte 1

E ai pessoal tudo bom?
Aqui estou eu mais uma vez postando um vídeo sobre história da química, nos vídeo dessa semana vamos aprender mais sobre o quanto os egípcios foram importantes para o desenvolvimento da ciência.

Essa aula será dividida em duas partes, essa primeira parte vamos falar sobre Metalurgia, Cerâmica e Vidro, já no segundo vídeo iremos falar sobre Papiro, Cosméticos e Cerveja.




Acredito que o áudio melhorou muito, pois agora estou usando um microfone condensador (dos baratinhos, pois infelizmente ainda estou sem bolsa). Ainda estou usando o esquema de slides para apresentar o texto falado, mas creio que isso é interessante, pois um professor, quando monta uma aula em datashow, acaba por fazer esse mesmo processo que faço nesses vídeos. Também coloquei uma trilha sonora nessa aula (trilha sonora do filme "A Múmia").

Muita gente tem me falado que seria bom os vídeos serem mais curtos, porém, como é uma aula, eles necessitam de um pouco mais de tempo, pois existe um grande número de informação e, creio eu, que aprender química como se fosse mais uma pessoa dando uma aula, cheia de fatos históricos é mais legal (pelo menos eu sou bastante fã). 

Obviamente, essa é uma aula que visa mais aos professores e quem está se formando em curso de ciências, do que aos alunos do colegial, porém, as ideias que são mostradas aqui, servem de quebras de paradigmas e garantir uma forma de criarem conexões visuais entre conteúdo químico e história.