quinta-feira, 23 de março de 2017

Ferramentas de procura e acesso a artigos científicos

O mundo científico é extremamente dinâmico, sendo que diariamente temos novos dados sendo publicados, uma vez que, a divulgação é uma parte intrínseca da produção científica. Produzir dados e expô-los  ao público, muitas vezes pode ser algo estratégico, tendo como objetivo angariar financiamento para uma determinada pesquisa. Entretanto, esses dados geralmente visam um público alvo, que no caso é o público científico, o que acaba por encarecer a divulgação, uma vez que, quem estiver de fora do universo acadêmico, em geral, tem que pagar para conseguir acesso.

Muitas pesquisas tem como objetivo, produzir dados que não buscam divulgação imediata, já que são protegidos por patentes e aplicações militares, sendo que, os dados somente serão divulgados depois de anos que a tecnologia envolvida tenha sido consolidada. Dessa forma a informação acaba ganhando teor de divulgação tardia, e mesmo assim, ainda se tem a cobrança sobre a mesma. 

Os jornais, periódicos e revistas científicas são classificados baseados no público e na quantidade de acessos que as mesmas tem, logo, uma pesquisa se mostra relevante se for aceita ou financiada a ser publicada em revistas de grande impacto. Como uma consequência, os autores ganham relevância baseada no número de acessos que sua publicação tem, isso é chamado de "Índice H". Com uma pontuação alta, o autor ganha importância de publicação, o que ajuda o mesmo a publicar mais vezes em revistas de grande impacto. Em outras palavras, o pesquisador que gera bons artigos, acaba sendo premiado pela quantidade de acessos, uma vez que seu nome tem relevância dentro do universo específico onde ele atua.

O Índice H foi proposto em 2005 por Jorge E. Hirsh, um físico Argentino, e se baseia no número de artigos produzidos por um autor e na quantidade de citações dos mesmos. Isso se dá da seguinte forma:

Um pesquisador que escreveu 5 artigos e cada um desses artigos teve 5 ou mais citações, faz com que o Índice H do mesmo seja igual a 5, entretanto se um pesquisador tem uma única publicação com 500 citações, faz com que o pesquisador tenha Índice H equivalente a 1, já que possui somente 1 único artigo relevante. 

Esse último caso se mostra uma falha no que tange o Índice H, uma vez que não consegue medir muito bem qualidade, mas sim, se concentra mais em quantidade. Isso é problemático pois acaba por criar um rótulo frente a pesquisadores em início de carreira ou mesmo os que estão em áreas que levam mais tempo para se produzir artigos, como é o caso das áreas de estudo comportamental.

Então, sabendo que os artigos são de extrema importância no universo acadêmico, existem sites especializados em trazer de forma pública artigos para toda a comunidade de forma gratuita. Obviamente, alguém pagou para baixar o artigo, como é o caso da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) aqui no Brasil, sendo que essa instituição de fomento garante para os pesquisadores, professores e alunos das universidades públicas consigam ter acesso gratuito aos artigos de todas as revistas de publicação científica. Porém, se os artigos ficarem presos dentro do universo acadêmico, não se promove uma democratização do conhecimento científico mais especializado. Mesmo que grande parte do conhecimento científico mais especializado não seja "tão útil" para o público em geral, poder acessar um conteúdo científico de maior relevância pode fomentar o crescimento do espírito científico de alguém que jamais teria a chance de ler um documento em linguagem científica.

Para artigos ou trabalhos em português, publicados em revistas brasileiras ou instituições, a grande maioria pode ser encontrado no Google Acadêmico, uma vez que as revistas não cobram pelo download ou acesso aos documentos. Um fato interessante dessa ferramenta é que se pode procurar os artigos de revistas internacionais também e, caso o usuário tenha possibilidade de pagar, ele pode acessar o site da revista e "comprar" o artigo ou o acesso (desde que não esteja em uma universidade, pois nesse caso o acesso é garantido, pois como já foi dito anteriormente, existem instituições que garantem isso às universidades públicas). 

Entretanto, o interessante se dá para autores que se encontram na fase de citações do seu artigo, dissertação ou tese, já que, existe junto ao nome do artigo ou trabalho um link que já traz a citação do mesmo de diversas formas, uma vez que, dependendo da instituição ou revista, existem diferentes maneiras de se citar um trabalho em uma lista de referências. Essa ferramenta de pesquisa funciona usando o nome do trabalho, ou dos autores, ou mesmo de algum tema o qual seja interessante, ou ainda o número de identificação do trabalho (DOI - Digital Object Identifier). Por exemplo, desejo um trabalho sobre características periódicas dos elementos da família do Carbono, é só escrever na caixa de texto algo como "Família do Carbono" ou "Carbon Family", o que vai lhe resultar em um grande número de trabalhos que podem ser pesquisados.

O exemplo que darei a seguir é referente a minha dissertação de mestrado, cujo o título é:



No Google Acadêmico você encontra o link que vai levar até o banco de dados da USP, onde se encontra minha dissertação hospedada. Na imagem abaixo temos os diversos objetos que podem ser acessados referente esse trabalho.


Quando se clica no link Citar temos:


Além dessa boa ferramenta do Google, a qual ajuda muito na escrita de teses e dissertações, existe também um site hospedado em uma plataforma Russa, chamado Sci-Hub, o qual fornece uma caixa de texto onde o usuário pode digitar o DOI ou a URL de onde se encontra hospedado o trabalho. Mesmo sendo uma plataforma Russa e existindo algumas coisas escritas em alfabeto cirílico, não é nada que prejudique a pesquisa.

O interessante desse site é que ele na realidade é um grande banco de dados, onde os usuários podem compartilhar artigos e deixa-los salvos nesse banco para que outras pessoas possam utiliza-los de forma gratuita.


Para quem precisa desenvolver trabalhos, porém, não tem possibilidade de se deslocar até uma faculdade pública, ou não está vinculado à mesma, conseguir unir essas duas ferramentas de pesquisa, no caso o Google Acadêmico e o Sci-Hub, se mostra algo muito bom e útil no que tange produção científica e democratização da produção científica.

terça-feira, 7 de março de 2017

Desmistificando a Ciência: Natureza e Ciência não são a mesma coisa.

Caros leitores, estudantes e professores, dentro do universo da ciência encontramos diversas verdades absolutas, as quais são consideradas básicas para que o todo faça sentido. Um exemplo bastante simples para quem trabalha com física e química são as leis da termodinâmica, as quais se, forem violadas, teremos diversos problemas conceituais a nível de validação de fenomenologia.

Isso ocorre, devido ao fato de que, a ciência não é o próprio fenômeno, mas sim, um modelo de interpretação do que vemos (num sentido de captar dados) referente ao fenômeno. Em outras palavras, a ciência é uma linguagem interpretativa.

Talvez fique mais claro se pensarmos da seguinte forma:
"Imagine que encontramos um livro escrito em grego, entretanto, somente falamos português e, nunca tivemos contato com o alfabeto grego, então, esse livro será uma grande questão em aberto, sendo que, dificilmente iremos compreender o que se relata naquelas folhas. Agora, imagine que, somente as palavras estão em grego, mas, o alfabeto o qual essas palavras são escritas seja o mesmo que usamos diariamente, obviamente, conseguiríamos pronunciar alguns sons, ou ao menos imaginar que tais palavras tenham tal som. Dentro desses dois modelos de livros, ainda é impossível uma compreensão simples de quem jamais teve qualquer contato com a língua grega, porém, o segundo modelo se mostra mais compreensível."

Figura 1: Texto em grego.

A ciência sempre tenta buscar caminhos mais curtos para a cognição, sendo que, sempre em uma comparação entre duas ou mais explicação para um mesmo fato ou fenômeno, aquela que for mais simples, tende a ser a correta em quase todos os casos. Essa ideia é conhecida como a Navalha de Occan, e foi proposta por um frade franciscano chamado Guilherme de Ockham (entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem - as entidades não devem ser multiplicadas além das necessidades).

Existem casos na ciência, em que nem sempre a explicação mais simples parece ser a mais correta, entretanto, o fato de não levarem aos resultados esperados ou observados, se dá devido a teoria estar usando um modelo errado, em outras palavras, se está tentando ler um livro em grego usando um decodificador em português.

Um grande exemplo de problema interpretativo, se deu com a descoberta do elétron e de seus comportamentos que não eram explicados com a física newtoniana. Devido ao fato do modelo atômico baseado na movimentação circular dos elétrons em torno do núcleo, falhar dentro da física newtoniana, uma vez que, uma carga negativa seria atraída em direção ao núcleo positivo, descrevendo uma trajetória em espiral e, levando ao eminente choque entre elétrons e núcleo e, causando a destruição do átomo não ser possível, houve a necessidade de se elaborar uma nova forma interpretativa para esse fenômeno. Assim, ao longo de muito tempo de  pesquisas se determinou que os elétrons possuem quantidades de energia, que os mantém em uma determinada região do espaço, que não seja o núcleo. Dessa forma, tivemos o desenvolvimento de uma área da física, onde, para partículas nanométricas, a física newtoniana não era a regra, ou seja, surgiu um novo modelo interpretativo, nesse caso a quântica.

Torna-se claro que, para a ciência explicar fenômenos, existe uma grande necessidade de mudança de modelos sempre que necessário, sendo que, esses modelos muitas vezes somente funcionam dentro de condições extremamente específicas de trabalho e observação, como no caso quântica, a qual, prioriza um universo tão minusculo que pequenas alterações (que para um simples observador, jamais seriam percebidas), causam eventos de imensa complexidade.

Então, caro leitor, o que compreendemos por ciência, na realidade é um grande conjunto de modelos, que resultam em um modelo maior, o qual, é preparado para dar respostas que sejam interpretativas para nossa capacidade cognitiva frente ao abstrato. Logo, podemos caracterizar que, o ser humano tem ou desenvolveu naturalmente alguns sensores para que consiga decodificar os dados. Esses sensores são baseados principalmente nos sentidos da fala, audição, visão e tato. Ou seja, como a capacidade de se expressar oralmente (fala e audição), ler e escrever (visão e tato), mas não no paladar e no olfato, que são dois de nossos sentidos que foram diminuídos ao longo da história da espécie humana.

Figura 2: Os cinco sentidos - Falo mais sobre isso no vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=5sF19dVOLj8

Dessa forma, toda a informação que buscamos extrair da natureza, tem como objetivo, ser decodificada em dados que sejam assimiláveis pelos nossos principais sentidos, o que nos leva a necessidade da ciência ser um modelo preparado para gerar informação para esses sensores naturais.

Obviamente que, toda a informação então, seja passada de forma visual e audível, como no caso de uma aula, sendo o professor o agente que escreve na lousa e explica a matéria, ou um livro de cálculo que trás a explicação de algo extremamente abstrata como uma função com o auxílio de gráficos, ou ainda, da visualização de um simples fenômeno. Assim, os principais sensores que serão ativados primeiro sempre serão a visão e a audição e, isso se dá, pois ao longo do desenvolvimento do que compreendemos como ciência (ao nível de coisas simples do cotidiano até às abstrações mais complexas do que tange à natureza), o sistema interpretativo foi moldado em torno desses dois sensores, sendo que, a visão se tornou o principal deles.

Tomando por base tudo isso, conseguimos determinar o que é coerente e o que é incoerente dentro desse sistema interpretativo da natureza, uma vez que, conseguimos extrair informações e decodifica-las para um conjunto de dados que são de simples abstração. Entretanto, ainda em muitos casos, existem fenômenos que são trabalhados com algo que foge fora ao senso científico, extrapolando ao fato de haver a necessidade de se criar uma nova área, mas muitas vezes, chegando ao ponto de existir um certo "preconceito" frente ao modelo por parte da comunidade que se diz "detentora do conhecimento". 

Se dizer "detentor do conhecimento" e, se achar apto a dizer se algo é relevante, coerente ou científico, é um grande perigo para um cientista, uma vez que, a ciência é formada inicialmente de questionamentos e não diretamente de postulados. Para que uma verdade seja considerada absoluta, existe a necessidade inicial de se questionar se a mesma é uma verdade e, assim, conseguir se determinar um parâmetro de inquestionabilidade. Dentro desse escopo, surgem os erros atribuídos frente a uma observação, medida ou cálculo, em outras palavras, existem variações que podem ser relevantes ou não para a explicação e validação de um fenômeno ou fato.

Um exemplo de modelo considerado não-científico pela comunidade "detentora do conhecimento", devido ao fato de que esse modelo acaba por extrapolar as características do que se tem provado como verdade absoluta na ciência, é o modelo da Terra Plana. É óbvio que, o planeta Terra possui um formato semelhante a uma esfera e, isso pode ser provado com várias observações simples, como a sombra da Terra na Lua, ou do horizonte não ser contínuo eternamente, além do fato de que uma forma semelhante a uma esfera gasta menos energia e, então a estrutura se torna mais coesa. Entretanto, a teoria da Terra Plana nos trás a ideia de observação baseada no referencial, sendo que, para geocientistas, quando os mesmo rodam cálculo de interpretação de geomorfologia, se a área corresponde até um total de 600 km de extensão, a Terra é considerada plana e, os cálculos dentro desse modelo resultam em valores extremamente coerentes, tanto que, não se usa outro modelo, mesmo sabendo que a Terra não é plana. 

Figura 3: Alusão à Terra Plana
Com base nisso, chegamos a um momento muito importante do crescimento do espírito cientifico e cognitivo de um indivíduo, que é a capacidade de perceber que, a ciência, não corresponde à natureza como uma realidade, mas sim, corresponde às informações colhidas da mesma, sendo que, essas informações se encontram abstraídas dentro de um modelo interpretativo que se mostra cognitivamente simples às capacidades sensoriais (de início) e à capacidade decodificadora (pensamento abstrato) por parte do interpretador. Se mostra mais do que óbvio que, dentro desse modelo, que chamamos de ciência, existem falhas, que são supridas por adendos, ou seja, por formas mais simples de se explicar um fato, que nem sempre vai se mostrar coerente com o que concebemos como verdade absoluta em relação ao modelo proposto. 

Se a ciência não se encontrasse disposta a passar por quebras de paradigma, por modificações de modelos, pela sobreposição de preconceitos dentro do modelo, pelo aceite de postulados que anteriormente foram estudados e questionados, hoje, não teríamos os avanços significativos no que tange ao modelo científico geral.

Então, é função de todo profissional de divulgação científica, professor e pesquisador, garantir às pessoas as informações corretas do que é a ciência e, desmistifica-la completamente do estigma de detentora de verdades absolutas e irredutíveis.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

História da Química | Civilização Egípcia - Parte 2

Nesse post temos a segunda parte sobre a aula de história da química, tendo como tema a civilização egípcia. Então, vamos falar sobre Papiro, Cerveja e Cosméticos, a seguir temos o vídeo e uma descrição escrita sobre o que encontramos no vídeo. 

Essa parte escrita é uma forma de script que uso para montar as aulas, sendo que, eles tem um grande resumo, para que eu vá lendo e falando durante o vídeo, sendo que, muitas partes eu acabo cortando na edição, já que, na realidade os vídeos ficam bem longos. Mesmo passando pela edição, ainda não consigo resumir a informação num todo, ou seja, os vídeos ficam num padrão que o youtube não gosta, pois são vídeos longos, uma vez que para o algoritmo do site, quanto mais longo o vídeo, mais estafante ele deve ser e, com isso, menos acessos ele vai ter e, se tem poucos acessos, não compensa mante-lo em evidência. Porém ao meu ver, a informação é mais importante, então, meus vídeos, pelo falto de serem aulas, eles vão sempre ter mais do que 20 minutos. 

Vale ressaltar que o script, ou seja, o resumo que você vai usar durante o vídeo, fica muito interessante se ocupar uma página, ou seja, quando eu estava falando sobre o Papiro, eu tentei resumir tudo sobre o tema em uma única página A4 ou do editor de texto aberto no computador. Isso garante que você não se perde durante a gravação de um vídeo ou durante uma aula. Como é um resumo, esse não vai ter toda a informação que você irá passar, mas sim, uma sequência de lembretes para que o professor mantenha uma sequência lógica.

Eis o vídeo da segunda parte:




Eis o resumo: 

Papiro (Cyperus Papyrus)
Foi por volta de 2500 a.C. que os egípcios desenvolveram a técnica de fabricar folhas de papiro, considerado o precursor do papel. Para confeccionar o papiro, corta-se o miolo esbranquiçado e poroso do talo em finas lâminas. Depois de secas, estas lâminas são mergulhadas em água com vinagre para ali permanecerem por seis dias, com propósito de eliminar o açúcar.

No talo do papiro existe açúcar, então se adicionando o mesmo em uma solução de vinagre contendo acetobactérias elas fermentam esse açúcar produzindo álcool. No meio reacional então ainda sobra ácido acético e álcool e, se tem o início do processo organossolve.

Processo organossolve - Envolve reação com um álcool (metanol, isobutanol, ciclo hexanol ou álcool benzílico) e ácido acético. Os álcoois combinam com a lignina na presença de ácidos minerais formando a lignina alcoólica, solúvel, com rendimento de 30%.

Outra vez secas, as lâminas são ajeitadas em fileiras horizontais e verticais, sobrepostas umas às outras. A sequência do processo exige que as lâminas sejam colocadas entre dois pedaços de tecido de algodão, sendo então mantidas e prensadas por seis dias. E é com o peso da prensa que as finas lâminas se misturam homogeneamente para formar o papel amarelado, pronto para ser usado.
O papiro pronto era, então, enrolado a uma vareta de madeira ou marfim para criar o rolo que seria usado na escrita. A lignina é uma macromolécula amorfa encontrada nas plantas terrestres, associada à celulose na parede celular cuja função é de conferir rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques microbiológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.


Cerveja
A cerveja, assim como chás, o hidromel e o vinho, possuem grande importância na sobrevivência dos humanos, sendo que, as civilizações onde havia o costume de se tomar essas bebidas conseguiram florescer.

Isso se dá pois no processo de produção desses compostos, muitas vezes, se tem a necessidade de fervura da água, filtragem e alteração do pH da mesma, ou seja, ocorrem processos químicos e físicos, que acabam matando microrganismos patogênicos. Logo, a civilização que consumia bebidas que se tinha a necessidade de produzi-las, tiveram menos casos de cólera, que era uma das doenças que mais matava na época. Os surtos de cólera se davam pois as pessoas despejavam seus resíduos nos mesmos rios e lagos de onde tiravam sua água para consumo próprio, logo, doenças estomacais eram comuns e fatais.

Então, tomar cerveja, era um ato que todos faziam no Egito, fosse adulto, criança, faraó, ancião... todos bebiam. Obviamente o sabor e o fato do álcool causar o relaxamento eram os fatos pelo qual as pessoas tomavam, mas também, ao longo do tempo, as pessoas perceberam que, beber água do rio fazia mais mal do que a cerveja. Eles até então não sabiam que existiam microrganismos perigosos na água do rio, mas conseguiam correlacionar o fato da água pura do rio causar doenças.

A cerveja já estava presente à mesa dos egípcios a mais de 5000 anos, sendo tão importante que era considerada um excelente presente para o faraó. A cerveja provavelmente foi uma consequência da produção do pão, uma vez que, o fermento usado no pão era usado na cerveja e a matéria prima era a mesma, ou seja, o trigo. Por algum descuido e por muita sorte, provavelmente algum pote de barro ficou alguns fechado com água, fermento e trigo, o que proporcionou a fermentação dos açucares que existem no trigo.

Uma fermentação se baseia na quebra de um açúcar para a produção de álcool e gás carbônico. Essa quebra é desenvolvida por bactérias anaeróbias, ou seja, que não suportam oxigênio e por isso precisam de um ambiente controlado. Por isso se acredita que a cerveja tenha sido um resíduo da produção de pão, onde pode ter entrado água por descuido dentro de um pão que estava em descanso e, obviamente, o mesmo foi esquecido fechado por alguns dias.

Outra característica importante da cerveja é que o mestre cervejeiro era um especialista que além de produzir a bebida real, ele era responsável por fazer a cerveja para os mortos, ou seja, a cerveja era tão apreciada que os egípcios queriam leva-la para o mundo dos mortos também. Essa importância era tão grande que o mestre cervejeiro tem um hieróglifo especial só para ele. 


Cosméticos
Os egípcios se mostraram preocupados com a aparência e tratamentos de pele já a uns 2500 anos antes de Cristo. Uma das funções é que a população tinha muitos problemas com pestes, o que assolava a aparência daqueles que ficavam doentes. Uma peste muito comum eram os piolhos e, por esse fato acabavam raspando a cabeça e usando perucas, então era comum os nobres usarem perucas dos cabelos de cervos. Para demonstrarem algum diferencial físico e dessa forma, mostrarem que tinham alguma importância na sociedade, além de adornos metálicos, eles usavam pigmentos para pintarem a pele.

As principais cores que eles usavam eram branco, vermelho, azul, verde e preto, sendo que essas cores eram extraídas principalmente de minerais, como por exemplo o azul, que era extraído do Lapis Lazuli (Feldspato - (Na,Ca)8(AlSiO4)6(S,SO4,Cl)1-2), o verde da malaquita (minério de cobre), o preto da galena (minério de chumbo). Obviamente a galena é tóxica, pois o chumbo leva a uma doença chamada saturnismo, onde afeta o desenvolvimento físico e mental.

Porém, obviamente, foi observado que as tintas usadas para pintar a pele, traziam benefícios, dessa forma, eles começaram a acreditar que era por causa de alguma mística ligada aos deuses, sendo que Osiris, um dos deuses mais importantes, era representado com a pele verde, ou seja, estaria coberto por pigmento de malaquita. Essa tinta ajudava a hidratar a pele, uma vez que por ser aplicada em forma de uma pasta, ajudava a segurar um pouco de água por mais tempo na pele, uma vez que o ambiente onde se encontra o Egito é equatorial e, dessa forma, muito quente. Outro fato para o uso contínuo dessas tintas é que como se encontravam muitos silicatos nas mesmas, ao passa-las, ocorria a esfoliação da pele, o que ajudava a remover pele morte e ao mesmo tempo hidrata-la.

Além de tudo isso, os egípcios também já sabiam produzir um composto que usamos até hoje para limpeza. O sabão era feito a partir de gordura animal, cinzas e água. A gordura animal era rica em proteínas e as cinzas de carvão ajudavam a elevar a basicidade do meio, o que culminava na produção de um composto pastoso, o qual muitas vezes eram adicionados os pigmentos gerados com os minerais (malaquita, lapis lazuli e galena). Conforme a cor do sabão produzido ele podia ter um uso específico segundo as crenças deles.

O sabão ele surge de uma reação conhecida como saponificação, onde se tem a hidrólise de lipídios (um éster de ácido graxo), com o uso de uma base forte sob aquecimento, gerando, um álcool (glicerol) e um ácido graxo, ou seja, o sabão.

O sabão é uma boa forma de reciclar óleo de cozinha, o que evita desse composto ser despejado no esgoto ou em corpos d’água, que podem poluir milhares de litros de água.

Uma fórmula de sabão caseiro é a seguinte:

1L de óleo de cozinho usado em frituras (filtrado sem resíduos sólidos).
400 mL de água limpa.
120 g de soda cáustica (Hidróxido de Sódio).
100 ml de vinagre (Ácido Acético)

Inicialmente adiciona-se a água e o óleo em um recipiente, pode ser uma garrafa PET, em seguida, com muito cuidado se adiciona escamas de Hidróxido de Sódio, que deve ser adicionado lentamente, uma vez que a reação de saponificação é exotérmica e com a adição da energia cinética do ato de derrubar a soda na mistura contendo água e óleo, pode ocorrer um aquecimento brusco e a solução espirrar com força para fora ou pode acontecer de derreter o plástico. A soda é extremamente corrosiva e causa queimaduras, por isso deve ser usado jaleco e luvas no manuseio. Também é indicado proteger o nariz com um pano e os olhos com óculos de acrílico. Outra característica é que a mesma é Higroscópica, ou seja, absorve água e começa a ficar hidratada (começa a ficar meio melada).

Depois de adicionados os compostos, então, deve-se mexer o sistema suavemente, afim de ajudar a misturar melhor os compostos. Após isso deixe o recipiente parado e quando estiver endurecido, isso pode levar mais de um dia em alguns casos, desenforme o sabão. Se usar uma garrafa PET, você poderá fatiar a garrafa, o que é muito prático.

Após isso, pode-se usar um pouco de vinagre se restar algum composto líquido, afim de provocar uma reação de neutralização, caso essa possível solução restante esteja muito básica.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Mudança do Currículo do Ensino Médio - Qual a verdadeira prioridade que devemos discutir?

Estamos vivendo um período onde se discute a mudança do ensino médio e, isso é de extrema relevância para professores discutirem, porém, esse é um assunto que dever ser trabalhado de forma apartidária, sem que existam ideologias por trás, ou seja, não podemos nos deixar levar por ideias políticas na discussão de um tema tão importante.

Antes de discutir o que deve mudar na ementa curricular, temos que pensar em um outro fator, sendo que esse eu considero de maior relevância que a mudança do currículo. Esse fato corresponde ao número de aluno por sala.

Agora por que isso é tão importante?
A resposta para isso é bem simples e, se passa pelo fato de que um professor não consegue desenvolver um bom trabalho, em um escopo onde, não se pode ter a percepção em curto espaço de tempo se a matéria está sendo compreendida. Essa percepção, somente é passível de ocorre, se a turma for limitada em um total de 15 alunos, uma vez que o professor consegue se conectar a um nível praticamente pessoal e individual com todos os alunos da turma.

Hoje, isso é impossível de acontecer, uma vez que as turmas são compostas por 40 alunos, sendo que muitas vezes (eu já passei por isso), um professor ou os alunos, não possuem cadeiras ou carteiras para se sentarem, já que a infraestrutura da escola é limitada. Esse problema físico nos leva a um problema de cansaço dentro de sala de aula, pois, se aumenta o barulho, o calor e o espaço diminui, o que leva a problemas óbvios de alocação de material e pessoas. Nunca é saudável se estudar ou mesmo fazer qualquer atividade onde não se consegue determinar um espaço próprio, o que leva ao estresse, uma característica extremamente ruim para atividades que necessitam de uso de concentração e intelecto.

Dessa forma, existe a necessidade de se construírem novas escolas, que garantam uma média de 15 a 20 alunos nas salas das escolas públicas. O interessante de se aumentar o número de escolas numa cidade é que para se erguer os prédios gera-se temporariamente empregos, ou seja, circula a curto prazo uma quantia de dinheiro na cidade, depois disso, agora pensando a longo prazo, novas escolas vão ajudar a crescer pequenos comércios em seus arredores, uma vez que a escola se torna um ponto de referência e fluxo de pessoas. Em muitos casos se criam novas rotas de transporte público, o que garante melhores condições de pessoas usufruírem de transporte público mais próximo de casa. Ou seja, regionalmente uma construção pública que serve de ponto referencial só possibilita melhoria para bairros mais afastados. Ainda existe mais um fato importante a ser discutido nesse âmbito, que é o aumento da necessidades de profissionais da educação, logo, novos concursos públicos seriam abertos, já que a escola tem uma demanda de professores, pedagogos, psicólogos, auxiliares de diversas funções, indo desde limpeza até coordenação, bibliotecários e até mesmo pediatras. 

Podemos ver que, escolas novas, não somente ajudam a diminuir o número de alunos por sala, mas também contribuem para melhor desenvolvimento de áreas onde não se tinham centros educacionais. Além de tudo isso, as escolas também contribuem com centros de recreação que ficam abertos de fim de semana, mas é claro, isso dependente do desenvolvimento de projetos. Esses projetos podem ajudar, desde a manter jovens e adultos dentro de um ambiente saudável, como também fornecer cursos de especialização populares.

Outro fator interessante, que podemos ter, com o aumento de números de salas é que o investimento e a valorização de cursos de licenciatura farão com que a profissão de professor seja mais procurada, uma vez que, garante emprego, pois tem demanda e não seria mais tão estafante dar aulas em uma sala com 15-20 alunos do que nas atuais salas com 40 pessoas estressadas.

É claro, isso que falo, somente é perceptível para quem convive ou já trabalhou dentro das escolas por algum tempo, sendo que, muitas vezes quem pensa em fazer uma modificação no ensino médio, não leva isso em consideração. Ou seja, o maior problema que devemos pensar é inicialmente na infraestrutura e depois avaliar se o que ocorre é de caráter acadêmico (fato esse que eu duvido muito!)

Caro leitor, você pode ver que eu nem entrei no fato do currículo nesse texto, pois não creio que o problema seja o aluno escolher qual carreira quer seguir. O fato de estudarmos várias frentes no colegial por três anos não é algo imposto, mas sim, matérias que possuem formas diferentes de desenvolvimento cognitivo levando a novas abstrações frente a resolução de um problema, ou seja, as matérias não são só de conteúdo instrucional, mas também tem função abstracionística. Uma outra característica é que as matérias não são simples ao ponto de serem desenvolvidas de forma autodidata, o que leva a dependência implícita de um tutor. Por isso, é interessante os alunos terem contato com o máximo possível de frentes.

Outra mudança, que pode ser interessante frente à melhoria do caráter aprofundamento no estudo, é garantir que as escolas sejam em período integral, levando ai sim, um aluno escolher algo diferente do currículo básico, sendo que poderia fazer aulas de reforço de uma matéria específica, cursos técnicos (eu fiz curso técnico em uma ETEC e foi muito bom), laboratórios de ciências, aulas de línguas estrangeiras, ou seja, permitir que no período extra os jovens possam escolherem o que desejam se aprofundar e desenvolverem projetos.

Também, além de tudo isso, deve-se iniciar um estudo de qual o melhor horário para começarem as aulas, já que é constatado que os alunos não rendem com aulas começando às 7:00 da manhã. Existem várias pesquisas que mostram que os jovens necessitam de um período maior para dormir, para que consigam ter um bom aproveitamento. Talvez, iniciarem as aulas às 8:00 ou 8:30 e as mesmas se alongarem até às 13:00 horas com intervalo das 10:30 às 11:00, com refeição incluída e também uma merenda próxima das 15:00 horas, uma vez que a escola seria em período integral. Obviamente, o horário de saída seria próximo das 17:00 horas, para possibilitar os alunos voltarem num período claro para casa.

Resumindo tudo isso, antes de começarmos a pensar se, existe necessidade de mudarmos a ementa e o formato do currículo, existe primeiramente o dever de pensarmos o que é prioridade para se desenvolver essas possíveis mudanças e, essas prioridades se baseiam inicialmente em mudarmos a estrutura de organização da escola, pois do contrário, podemos implantar qualquer currículo e modelos educacionais de "primeiro mundo", que não vai dar certo.

Mais para frente discutiremos sobre o currículo que pensam em implantar e na possibilidade dos alunos poderem montar a ementa curricular à partir do segundo ano de colegial.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Por que grande parte dos alunos consideram estudar muito chato?

O povo brasileiro é criado para se divertir, ou seja, tudo na nossa nação gira em torno de entretenimento, por isso os reality shows fazem tanto sucesso por aqui.

A primeira coisa a ser ensinada para um filho seu, é que, nem tudo na vida, nem tudo o que é importante, tem que ser prazeroso, legal e gostoso de se fazer. Eu tenho formação em educação, tudo bem que é em uma instituição onde as ementas curriculares são marxistas (mas fico feliz que consegui perceber isso e, tornei minha formação na área educacional menos parcial e doutrinada)... E isso me fez perceber que, realmente, existe a formação visada em menos disciplinaridade e mais em uma interdisciplinaridade de caráter político e social.

Isso a princípio pode parecer legal, porém, não permite que o verdadeiro objetivo das diversas matérias do ensino seja alcançado, objetivo esse que é, criar novas formas cognitivas de se encarar um mesmo fato, característica essa que já bate de frente com o discurso errado, de quem, crê que o ensino é ruim pelo fato de ser superficial e tentar tornar os alunos em especialistas de áreas determinadas.

A disciplina, não tem que ser divertida ou mesmo, de dar uma super formação (um aluno de química não tem que sair do ensino médio sabendo entrar em um laboratório e conseguiu fazer uma síntese orgânica), mas sim, saber que, podemos usar química para compreender fenômenos da biologia, ou que, química está correlacionada com fatos históricos. Ou seja, levar ao aluno, informação coerente e que lhe ajude a desenvolver processos cognitivos. Essa é a interdisciplinaridade sadia. Porém, a interdisciplinaridade defendida na maioria dos cursos de licenciatura é a de olhar para o meio onde a pessoa vive e, tentar, extrair informação relevante de um meio "capenga". Não que isso não seja possível, na realidade é interessante, mas se trabalhado de forma complementar e não sendo o pilar do ensino.

Antes de se dar uma aula de química, física, biologia... qualquer matéria, onde, se vai aliar um experimento ou observação, que, pode ser utilizado meios cotidianos para uma explicação, deve-se anteriormente, se adentrar no conceito mais rebuscado, principalmente pelo fato do aluno ter necessidade de aprender no mínimo termos que se utilizam no universo científico. Logo, o ensino não pode passar por um processo de desconstrução da disciplinaridade, com finalidade de torna-lo somente mais atraente.

Por isso, deixo esse conselho, quando iniciar a criação e educação de seu filho, além dele ter que brincar e se divertir, pois isso também faz parte do crescimento cognitivo, existe a necessidade de impor limites e obrigações, para que a criança, desde a infância, consiga desenvolver esse senso, de que, existem coisas importantes, que necessariamente, devem ser levadas com seriedade, mesmo que seja enfadonho.



Creio que o maior inimigo da educação brasileira está ligado com, uma cultura desenvolvida por nós todos, que diz: "Tudo que é enfadonho queremos distância"... Por isso tantos feriados, festas, férias e o empurrar com a barriga.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Aviso - Vídeos aulas de história da química.

Caros amigos, amantes do ensino de química, estudantes e também (por que não?) curiosos, por esses próximos dois meses me encontro estudando para a prova de doutorado, por isso, ainda não pude fazer a segunda parte da vídeo-aula de história da química, que conta a contribuição do egípcios para a ciência. Já estou com parte do script pronto, mas falta ainda narrar e editar o áudio, montar um vídeo com slides e por fim concatenar tudo. 

Um dia eu explicarei alguns truques básicos de edição de áudio e vídeo, para que, os professores, educadores e estudantes, possam desenvolver esses vídeos que são excelentes ferramentas de trabalho.

Por isso peço desculpas por essa demora.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Lei de Hess: Exercício para compreensão do conteúdo.

A lei de Hess é importante no aprendizado de que estuda química, pois esse consegue compreender que para se chegar em uma determinada reação, existem vários passos intermediários, sendo que, esses passos, são compostos de outras reações. Além disse torna-se fácil determinar a entalpia da reação, uma vez que, a entalpia total será a somatória de todos os valores de entalpia das reações intermediárias.

Existem exercícios mais simples do que esse que trago a seguir, porém, ele é bastante didático, pois envolve alguns passos interessantes.


"O propano é um gás muito utilizado como combustível, presente em botijões usados para acender fogões e espiriteiras. Determine a entalpia final da reação de síntese do propano."
Extraído do Atkins, Princípios de Química.



Primeiramente devemos montar a reação de síntese do propano:


Porém ainda não temos a entalpia dessa reação, então, será necessário determinarmos reações conhecidas, as quais, possuem nos reagentes ou nos produtos algum dos compostos existentes na reação de síntese do propano.

Para isso então, vamos propor 3 reações: Síntese do dióxido de carbono, síntese da água e combustão do propano, respectivamente.


Usando a equação de formação do dióxido de carbono e da formação da água, conseguimos montar um arranjado de equações, onde vamos olhar para as espécies que se encontram nos reagentes e nos produtos e então somamos todas essas espécies para poder escrever uma nova reação. O valor de entalpia também será somado, o que nos levará a um número diferente do que estamos partindo para cada reação. 

Obviamente, existem coisas a serem ressaltadas, a primeira coisa está ligada a observação das espécies, sendo que quando comparamos as reações e existir um mesmo composto, que esteja, presente tanto nos reagentes de uma reação x e também nos produtos da reação y, esse composto pode ser desconsiderado do sistema, desde que as quantidades estequiométricas sejam as mesmas, pois, num todo esse composto acaba não interferindo na reação. Dessa forma, quando trabalhamos com esse tipo de estudo, sempre existe a necessidade de tentar fazer com que um composto que se encontra tanto nos reagentes quanto nos produtos, tenha a mesma quantidade estequiométrica para poder ser anulado e então removido do sistema. Além disso, existe a importância de saber se a reação libera ou consome energia, sendo que, se ela consome energia, então o valor da entalpia será positivo, porém se ela liberar energia, então esse valor será negativo.


Inicialmente multiplicamos a equação da síntese do dióxido de carbono por 3, pois a molécula de propano possui cerca de 3 átomos de carbono, o que nos leva então a necessidade de alterar a quantidade de carbono na nossa primeira equação, com essa alteração, também modificamos a quantidade de oxigênio e como consequência o número de moléculas de dióxido de carbono também é modificada. Também podemos ver que como consequência disso, o valor da entalpia de formação do dióxido de carbono também é multiplicada por 3. Esse mesmo processo é aplicado à equação de formação da água, de onde temos o hidrogênio gasoso para a formação do propano. Para isso necessitamos de 8 átomos de hidrogênio, o que culmina na multiplicação por 4 de toda a equação, incluindo também o valor da entalpia de formação da água. Após isso, somamos as equações e, assim, obtivemos uma equação balanceada, com a quantidade exata de carbono e hidrogênio que podem ser usados para a síntese do propano.

Agora vamos utilizar a equação de combustão do propano, para poder determinar o valor da entalpia de formação desse composto. Uma combustão, parte do pressuposto que temos o composto já, então, para que consigamos ter o composto, o qual está sendo queimado, nos reagentes, devemos inverter a reação, sendo que, como consequência disso, o valor da entalpia muda seu sinal, ou seja, nesse caso, passando de negativo para positivo.


Podemos ver que, os compostos que se repetem tanto nos produtos quanto nos reagentes e, que se encontram estequiometricamente balanceadas, são removidos da reação, pois representam passagens intermediárias, o qual esses compostos não precisam ser rescritos no resultado final. Com isso somamos todas as equações e também os valores de entalpia e chegamos ao valor de entalpia de formação do propano, que é de -106 kJ.

Abaixo nós temos uma tabelinha com valores de entalpia de combustão de alguns compostos muito utilizados em exercícios (extraído do Atkins, Princípios de Química).