sábado, 30 de novembro de 2019

Universidade Pública x Universidade Particular no Brasil.

Não encarem isso como arrogância, mas sim uma visão técnica, uma reflexão... Algo que deve ser sim discutido.
No fim do ano é comum vermos reclames na TV sobre universidades particulares, onde essas instituições dizem que o mercado quer um universitário de verdade e por isso é uma ótima escolha ir estudar em x ou y instituição privada.
Entretanto, existe um grande problema quando se faz uma comparação entre uma instituição particular e uma pública. Infelizmente quem faz um curso em instituição particular não consegue ter a chance de adentrar 100% no mundo da pesquisa. Existe grande diferença entre fazer um curso superior e fazer um curso superior/iniciação científica.


A universidade pública não prepara somente o sujeito para o mercado de trabalho, mas também prepara o estudante para uma carreira acadêmica. Não que isso não pode ocorrer em uma universidade particular, mas dificilmente a instituição tem condições para fomentar uma pesquisa de alto nível.
Quantos artigos são publicados em universidades particulares? muito poucos. Os artigos são o termômetro da qualidade da universidade, se a mesma não publica artigos significa que não desenvolve pesquisa. Vale ressaltar que no Brasil o escopo da universidade é ensino, pesquisa e extensão. Logo uma boa universidade não somente ensina, mas tem OBRIGATORIEDADE de pesquisar e pesquisa gera artigos. A extensão é a falha que existe em toda universidade, seja pública ou particular, uma vez que é o momento onde o que foi pesquisado é exposto ao público de forma funcional.
Ou seja, vocês que vão entrar no mundo acadêmico, NÃO CONFIEM em reclame de TV dizendo que uma universidade particular gera universitário de verdade, essas universidades somente preparam pessoas para o mercado de trabalho, mas não consegue gerar um acadêmico, já que não ensina na maioria das vezes como o cientista ganha seu pão de cada dia, em outras palavras, não ensinam como se publica artigos.

Fatos a serem pensados entre os pares.
1) Quem sabe com uma discussão sadia as universidades particulares também não modifiquem o modo de pensar e busquem novas formas de fomento que possibilitem o investimento em laboratórios por exemplo.
2) É uma porcentagem muito grande da população se formando todo ano em faculdades particulares sem que realmente entendam ou sejam apresentados ao escopo da pesquisa.
3) Se o aluno da universidade particular também não entender/desenvolver uma pesquisa e óbvio que vai se somar ao grupo daqueles que não se sentem afetados com o sucateamento da pesquisa brasileira.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

A Visão Além do Alcance

Já pensaram como é fácil gerar dados falsos para que uma pesquisa científica seja validada de forma estatística. É extremamente simples manipular dados e burlar o sistema para que as constantes e variáveis que você trabalha levem aos dados que você espera.

Em um artigo você não coloca as minúcias do que fez, portanto se uma variável teria que dar X mas deu Y, nada impede de forçar a mesma até que alcance o resultado correto. É bastante interessante isso, pois não sei dizer qual o nível de observação real que existem em resultados publicados. Muitas vezes os mesmos se caracterizam por ser projeções, mas que são considerados dentro de um escopo realista por mero indicio de dar certo, ou seja, é o famoso "Approach".

Acho que essa malemolência é o fiel da balança para as pessoas que sobem rapidamente no mundo das publicações acadêmicas e aquelas que travam na pesquisa, tentando objetivar uma "honestidade" estatística no nível de perfeição.

Na realidade essa honestidade de perfeição não cabe 100% em um universo embasado em burocracia, como ocorre no mundo acadêmico, entretanto o burlar o sistema não pode acontecer de forma desonesta. Nesse momento que é invocada a Espada Justiceira e o Olho de Thundera e a sua visão além do alcance. Em outras palavras, deve ser ativado o "Feeling" analítico.


Lion e a Espada Justiceira, o olho de Thundera na guarda da espada garante a visão além do alcance.

A estatística se mostra extremamente fria, são dados matemáticos sem subjetividade, sem as observações pessoais do pesquisador, sendo analisadas de forma técnica e levando a respostas mecânicas que carecem de subjetividade para serem melhor compreendidas.

Essa subjetividade do feeling analítico nasce de uma pesquisa com nuances qualitativas, para que ocorra a corroboração de dados durante uma triangulação na fase quantitativa. Todavia essa estratégia não deve virar uma muleta metodológica, com a simples finalidade de validação de dados de uma pesquisa que deu errado. Uma análise qualitativa por mais subjetiva que seja ela não pode ser carregada de pessoalidades, em outras palavras, não pode ser o que o pesquisador quer que os dados mostrem, mas sim, um resultado discutido em paralelo aos dados quantitativos. É uma forma de explicar o fato de uma dado não ser somente quantitativo.

Mas como corroborar os dados estatísticos com dados mais subjetivos em uma pesquisa técnica de laboratório? Isso é simples, inicia-se com o questionamento dialético, uma abordagem de busca por possíveis erros que podem ter ocorrido na coleta de dados, na construção da hipótese e principalmente na forma como os dados foram analisados. É comum que nesse momento da pesquisa os pares sejam consultados, exclusivamente os pares especialistas da área e que não se encontram vinculados à pesquisa, para que dessa forma consigam traçar um horizonte de confiabilidade.

A Visão Além do Alcance nada mais é do que compreender que a Ciência é construída no coletivo e que os dados não são quantitativos se não existe o qualitativo para corroborar. Todavia é assustador como pesquisas são desenvolvidas sem que haja uma apresentação analítica do que realmente ocorreu.

domingo, 29 de setembro de 2019

O Arauto da Notoriedade: De onde vem a pseudo-ciência moderna e as teorias da conspiração?

Um fato que a muito tempo vem gerando polêmica é o acesso público ao conteúdo científico, principalmente em tempos onde a população passa por um surto de descrença na Ciência. Observem que existe uma correlação existente entre o surgimento de movimentos sobre Terra Plana e Antivacinas, com a elitização do conhecimento científico.

Muitas poucas pessoas sabem, mas a ideia de Terra Plana surge no século XVIII com a ideia de escarnecer a Igreja Católica, a qual não acreditava na planicidade da Terra (basta ver as imagens de muitos santos da idade média segurando um globo por exemplo). O fenômeno Flatearth pode até parecer um movimento pseudo-científico de características fortemente empíricas, uma vez que seus aceitadores usam testes para tentar provar algo, mas na realidade, o movimento é algo mais filosófico e que somente vai acabar desinformando as pessoas. Logo, a Terra Plana trás mais uma destruição da erudição do que realmente de bases importantes da vida em sociedade.

Mas o grande problema é que a ideia de teoria da conspiração que surge no pensamento Flatearth, acaba fomentado novas teorias da conspiração, que por sua vez podem ser destrutivas, como por exemplo o movimento Antivacina. Mas de onde surge esse movimento?

No ano de 1998, um médico inglês chamado Andrew Wakefield publicou na famosa revista científica Lancet, um estudo com doze crianças autistas. No texto de sua pesquisa havia uma discussão dizendo  que em oito dessas crianças a síndrome somente se manifestou após duas semanas de vacinação com a tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola). Essa pesquisa caiu como uma bomba na comunidade científica e, também entre as pessoas leigas em Ciências. 

Obviamente houve a necessidade de uma contraprova e novas pesquisas foram feitas, pois o que o artigo denunciava era de gravidade imensa. Com o passar do tempo foi tornando-se claro que havia uma fraude na pesquisa de Wakefield e o intuito era financeiro. Descobriu-se que o médico tinha um contrato com um grupo de advogados que queriam criar um engodo para processarem a indústria farmacêutica. Wakefield teve seu registro médico cassado e sua publicação foi removida do site da revista Lancet no ano de 2010.


Figura 1: Com a popularização da internet e o uso da mesma pelos charlatões científicos houve um acréscimo da contaminação por Sarampo no mundo todo.


Figura 2: Andrew Wakefield

O artigo de Wakefield ficou no site da Lancet cerca de doze anos, o que foi suficiente para servir de argumento para os teóricos da conspiração. Hoje existem diversos engôdos ligados às vacinas, sendo que a proporção já se mistura com outros movimentos, como é o caso do Veganismo. Já existem pessoas dizendo que pelo fato das vacinas e soros serem produzidas e muitas vezes testadas em animais, isso corresponde a uma brutalidade e, dessa forma, preferem se manter sem a vacinação. Outro caso se relaciona com um medo de que componentes tecnológicos sejam injetados no corpo dos pacientes tendo como finalidade controlar suas ações e pensamentos pelos governos mais poderosos. Ou seja, a pseudo-ciência leva a um clima de histeria. 


Figura 3: A maioria dos surtos de doenças controláveis por meio de vacinas ocorre em meio às populações com pouco acesso a documentos científicos. Nesses locais a informação científica é misturada com explicações do sincretismo e senso comum.

Esse problema é muito grave e está correlacionado com a crença de que o conhecimento científico deve se manter somente dentro dos círculos científicos e de que a população deve receber apenas os resultados funcionais da consolidação de um processo científico. 

Parte da culpa desse sincretismo da população é da academia científica, que não acredita que as pessoas tenham capacidade de compreender o conhecimento científico. Logo, as revistas especializadas criaram para si uma notoriedade de oráculo e guardião do conhecimento, a tal ponto que o acesso, até mesmo para cientistas, se dá por intermédio de aporte financeiro, ou seja, para ler um artigo você tem que pagar. O que acaba por afastar a população do conhecimento científico.

Devido ao problema da academia elitizar o conhecimento, houve o surgimento de um efeito colateral, sendo que a figura do arauto da notoriedade científica ganhou mais notoriedade do que a revista em si, uma vez que o mesmo se utiliza de meios de comunicação em massa como a internet. Dessa forma muitos daqueles que se dizem pesquisadores e que conseguiram acesso a um documento científico, acabam por iniciar um processo de interpretação própria do conteúdo e, dessa forma, dissemina-lo de forma errada, seja com o intuito de querer levar alguma informação para a sociedade, seja com o fato de querer promoção do próprio nome. 

Um exemplo que faz com que a pessoa se torne o arauto da notoriedade para grande parte da comunidade leiga em Ciência é o uso do termo "Quântica" em qualquer coisa que não tenha uma explicação lógica. A Quântica ganhou com o passar do tempo um aspecto de irrealidade, ou seja, algo que não se encontra no universo natural, visível e compreensível, sendo que qualquer efeito que não se enquadre na física mecânica ou no senso comum, acaba se tornando um efeito quântico. Um tempo atrás um especialista em computação gráfica criou um vídeo onde eram despejadas dentro de uma caixa de acrílico bolinhas de gude de quatro cores diferentes, as mesmas caiam de forma caótica, mas em um dado momento elas se dividiam em caminhos específicos e se amontoavam baseado em suas cores específicas. Logicamente tudo não se passou de um efeito visual, uma vez que as bolinhas foram coloridas de forma digital. Entretanto, um grupo de teóricos da conspiração quântica surgiu com a discussão de que cada cor tem uma frequência de vibração específica e com isso conseguem se dividir em montes de mesma cor. Os mesmos foram desmascarados quando o making off do vídeo veio a tona e mostrou-se que todas as bolinhas eram brancas na realidade. 

Esses teóricos do universo quântico, que prometem curas e explicações milagrosas se baseiam na premissa de que ninguém compreende o que a Física e a Química Quântica dizem para dessa forma criarem uma casca de sabedoria em torno de suas reputações. Seria tudo mais simples se a população tivesse a informação de que a Quântica somente trata da quantidade de energia que uma partícula precisa para passar de um estado para outro, em vez de ser excluída da discussão, uma vez que a matemática envolvida é "refinada" demais.

Em resumo, enquanto o mundo acadêmico se manter fechado, sem que os pesquisadores de verdade venham a público explicar seus trabalhos, muitos oportunistas ganharam o título de arautos do saber e disseminarão pseudo-ciência e teoria da conspiração.


sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Você já fez a prova do TOEFL alguma vez na vida?

Você já fez o TOEFL alguma vez na vida? Que prova mais complicada hein.
Atualmente para fazer uma pós-graduação você precisa de algo próximo a uns 470-480 pontos (depende do local que você deseja estudar o valor mínimo pode ser maior ou menor a esses acima, ou ainda um outro tipo de prova pode ser aceito, como o WAP por exemplo).
Para fazer uma graduação ou uma pós-graduação no exterior em geral o mínimo é de 527-560 pontos.
Vale ressaltar que a pontuação no TOEFL ITP (prova feita em papel) vai de 310 até 677, sendo que até uns 500 pontos o crescimento é linear e após isso a pontuação se comporta exponencialmente, ou seja, cada ponto acima de 500-510 deixam de valer 1 ponto e começam a valer 2 ou 4 ou 6... Dependendo de quantas questões você acerta.

A prova é dividida em 3 partes:
1) Áudio (listening): São 50 exercícios, que são falados em áudio (se a prova for em escola particular você usará um fone. Se for prova oferecida pela universidade então será coletiva e com uma caixa de som). Cada questão será falada uma vez só e pode ser conversas curtas e partes de uma aula (a maioria dos apontamentos do TOEFL se vincula ao mundo acadêmico). O tempo dessa prova é de aproximadamente 50 minutos.

2) Gramática (structure): São 40 exercícios para serem feitos em 25 minutos.

3) Leitura (reading): Em geral são 5 textos em inglês com 10 questões cada um. O tempo dessa parte da prova é de 55 minutos.

O tempo da prova é totalmente cronometrado, sendo que terminado um determinado período você deve passar para a próxima parte da prova. Do contrário é considerado trapaça e a prova pode ser retirada de você. Logo, por exemplo, não tem como fazer o structure antes do reading. Outra coisa a ser lembrada é que não se pode usar relógio pessoal durante a prova e também não se admite rasuras no caderno de questões. Já na folha de respostas as bolinhas das questões só podem ser pintadas com lápis (não é admitido nem mesmo lapiseira).
Mas o maior problema do TOEFL é o preço, que é oferecido entre R$ 415,00 - R$ 500,00 reais.
Minha dica é investir em um curso do TOEFL, pois essa prova não mede inglês, mas sim se você estudou a estrutura da mesma. Sim, tem gente fluente que não alcança pontuação várias vezes na prova (o TOEFL não reprova ninguém, mas sim qualifica o nível de inglês).

quarta-feira, 10 de julho de 2019

XII ENPEC - Impressões que ficaram.

No mês passado participei do XII ENPEC (Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências) e apresentei um trabalho onde discuti características dos livros de química do PNLD (Plano Nacional do Livro e Material Didático). O título do meu trabalho foi: Levantamento e Catalogação por Área dos Experimentos Práticos de Química Presentes nos Livros do PNLD. Quem se interessar e quiser ver o poster da apresentação oral pode encontra-lo no link acima (meu perfil do Research Gate).

O evento como um todo foi bastante interessante, pois é a primeira vez que o ENPEC ocorre na região Nordeste, no caso, sendo sediado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na cidade de Natal. Que por sinal é um local de extrema beleza, com praias muito bonitas e que no meio do ano, por ser inverno, as mesmas permanecem mais vazias. 

Figura 1: Ondas quebrando nas rochas.

Figura 2: Maravilhosa faixa de terra que se estende na direção do mar.

Todavia, o evento não é de turismo, mas sim de discussão sobre a área de ensino de ciências. O grande problema que notei no evento foi o enviesamento político. Obviamente o XII ENPEC tentou homenagear Paulo Freire (por isso de tanta discussão política) e uma professora chamada Marta Pernambuco. 

Eu percebo que discutir política e características sociais é importante, entretanto, existe uma necessidade de dosar isso, uma vez que, o objetivo que deveria ser alcançado (nesse caso o ensino de ciências) é  deixado de lado. É a mesma história de considerar a interdisciplinaridade algo mais importante do que a disciplinaridade. Não tem como eu falar de interdisciplinaridade se as bases mínimas não forem supridas. O mesmo se aplica ao tema ensino de ciências, para poder desenvolve-lo existe a necessidade de compreender sua base. Nesse caso, a base não se encontra exclusivamente nas temáticas políticas. 

Por incrível que pareça, dia após dia está mais difícil discutir Química, Física e Biologia com os professores da área de ciências. E isso vem ocorrendo pois, na graduação, o aluno que visa seguir carreira de professor é retirado do ambiente científico, dos laboratórios e das pesquisas de iniciação científica, para estudar características sociais. Na realidade um licenciando é quem precisa mais pisar no laboratório e gastar seu tempo com pesquisa em bancada. Não existe forma alguma de se ensinar Química em alto nível sem quebras de paradigma. O aluno que quer ser professor TEM necessidade de saber preparar um experimento, usar equipamentos laboratoriais e discutir em nível científico de sua área. Antes de ser um educador o aluno tem que compreender que ele é um Químico, ou um Físico, ou um Biólogo. Entretanto, não é isso o que vem ocorrendo.

Quando se questiona muitos alunos do último ano de licenciatura em qualquer área da ciência sobre como eles definem o termo "Ciências", os mesmo cometem o erro de considera-la como a própria natureza. E esse é um problema GRAVÍSSIMO! 

Muitas poucas pessoas conseguem compreender que a ciência só existe pelo simples fato do ser humano um dia começar a investigar a natureza e promover os famosos relatórios de dados (Agora você entende a necessidade de fazer relatórios!). A ciência como um todo deveria ser definida pelos formandos como sendo um modelo de interpretação da natureza, ou uma ferramenta que serve para promover a transposição do abstrato que se encontra na natureza para uma linguagem inelegível.

Logo os aspectos mais fundamentais da ciência não vem sendo discutido nesses eventos, o que  acaba por direcionar a forma com que os currículos serão elaborados para as próximas gerações de estudantes. É OBVIO que essa atitude terá graves consequências no futuro. Um evento de ensino de ciências (estou generalizando para todos os que vem ocorrendo nos últimos anos) tem que discutir mais ciência, para que a mesma norteie como os currículos devem ser elaborados.

Não adianta um aluno fazer um curso de Química e sair sem saber Química, pois o conteúdo do professor é completamente limitado.

Não adianta um professor de Química ter o diploma e não saber produzir uma solução de 0,5 mol de Sulfato de Cobre, partindo de 0,1 mol de Ácido Sulfúrico e 1,0 mol de Cloreto de Cobre. É laro que esse é um exemplo grosseiro, mas que se mostra uma grande barreira para uma infinidade de professores (em alguns casos o professor tem até medo de chegar perto do material laboratorial). 

Isso é extremamente preocupante.

Características das apresentações:
As apresentações no ENPEC se deram na forma de sessões dirigidas tematizadas (a minha foi sobre currículo), onde o poster de cada participante era projetado em um telão. Cada um tinha 10 minutos para apresentar, sendo que cada sessão continha em torno de uns 8 participantes. Após isso houve um momento de discussão (cerca de 40 minutos), onde a plateia e os próprios participantes podiam fazer perguntas entre si. Cada sessão dirigida levava em torno de umas 2 horas, sendo que diversas apresentações eram desenvolvidas simultaneamente por todo o campus da UFRN.

Também houve uma feira de livros, onde pude adquirir um exemplar da autobiografia do Planck e também o famoso livro Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan.  
Figura 3: Livros que comprei na feira do livro da física.


segunda-feira, 1 de julho de 2019

Dois dedos de epistemologia - Uma conversa muito rápida mesmo!

É bastante interessante como o pensamento humano vai se alterando com tempo. Bem antes de Immanuel Kant, já se acreditava nas ideias de se acessar as informações de um observável, mesmo não se revelando em sua totalidade, fato esse que Kant criticava dentro de seu positivismo. Segundo ele enquanto o homem pensava ele se adequava aos animais, mas quando agia se adequava aos anjos. Kant sob o exemplo de um cavalo dizia que não haveria forma de acessar sua totalidade se o mesmo estivesse de costas para você, uma vez que todos os lados e facetas do animal não se mostravam em sua totalidade, logo, o homem jamais poderia compreender a realidade. Para Kant ainda existia uma necessidade de espaço, sendo uma crítica a Tomás de Aquino que dizia que existiam extensões de corpos dentro do que tange o real. Logo, para acessar uma totalidade, haveria uma necessidade implícita de se determinar a realidade dentro de um espaço. Dessa forma, para compreender o mundo, existe a dependência de um "a priori".

          Figura 1 - Immanuel Kant

Segundo Kant também temos os fenômenos e os nômenos. Os fenômenos se caracterizam com o acesso a uma realidade proveniente do ato de inteligir, em outras palavras a realidade distorcida. E isso se dava, segundo Kant, pois o inteligir não garante o contato com uma realidade verdadeira, uma vez que não existe garantia de sua efetividade. Assim, quando o homem age, ele se coloca em contato com o mundo real e dessa forma com os nômenos, que se caracterizavam como a realidade tal qual ela é.

É uma discussão interessante, mas que por um bom tempo matou a metafísica. O grande problema é que a metafísica garante a possibilidade de pensarmos e projetar observáveis fora da realidade, assim como Mendeleev fez com a tabela periódica. Se não fosse a capacidade de prever as facetas externas da realidade, jamais seria possível de se determinar elementos que ainda não tinham sido descobertos.

Figura 2 - Dmitri Mendeleev

Logo, podemos dizer que Kant foi responsável por atrasar um longo período da Ciência, levando a concretização do positivismo de Auguste Comte, o qual dizia que a única verdade era a que provinha da Ciência e do processo metodológico da mesma. A religião seria charlatanismo assim e tudo o que não pudesse ser explicado via o empirismo jamais poderia ser real. Comte ainda tentou criar a física social, uma vez que a física explicaria tudo e refutaria a metafísica. Essa "física social" se tornou a sociologia.

Figura 3 - Auguste Comte

O positivismo começou o seu declínio no início do século XX, sendo totalmente sepultado na década de 1960, por filósofos como Gaston Bachelard e Thomas Kuhn.

Figura 4 - Gaston Bachelard
Figura 5 – Thomas Kuhn

domingo, 16 de junho de 2019

XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC).

Agora no fim do mês de junho irei participar do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), que ocorrerá em Natal - RN, nos dias 25, 26, 27 e 28 do recorrente mês. O ENPEC será sediado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Um fato interessante desse evento é que não haverá posteres sendo impressos, mas sim apresentados em um telão, como se fosse o slide de um seminário. Isso é bem legal, pois quem participa de congressos costuma ter que imprimir os banners e depois de apresentar costuma ir para o lixo, criando mais material que nem sempre é reciclado. Além disso, a impressão costuma ser cara e quando não é descartada ainda ocupa espaço em sua casa.

Após o evento vou trazer aqui um feedback do evento, assim como fiz com o SINECT. Em seguida vou deixar o link do evento para quem quiser visitar o site: ENPEC.