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segunda-feira, 1 de junho de 2026

O silêncio ENSURDECEDOR da CIÊNCIA

A ciência demonstra-se como um dos caminhos para a melhoria da vida das pessoas, uma vez que a mesma gera novos materiais e conhecimentos. Entretanto, a ciência sempre ficou fechada em um feudo laboratorial, o qual dificilmente compartilha suas conquistas de forma clara. O sistema como um todo é elitizado, formando "panelas" científicas, as quais só se preocupam com a publicação de artigos para que os pares sejam informados. Dessa forma, a população leiga acaba ficando desprovida de conhecimento real, sendo abraçada por sincretismo, conspirações e especulações. Devido a busca por alguma resposta mais coesa, a população acaba por aceitar explicações simplórias e fantasiosas, embasadas em charlatanismo, senso comum e "achismos". Diferentemente da ciência, o charlatanismo científico tem todo o interesse que mais pessoas comecem a se interessar por suas falácias. Principalmente os indivíduos que são mais influenciáveis, pois os mesmos possuem necessidades psicológicas que são facilmente supridas pelas especulações. Se hoje, diversas mentiras científicas são fortalecidas, isso tudo É CULPA DO AMBIENTE ACADÊMICO, QUE NÃO SE PREOCUPA COM QUEM ESTÁ FORA DELE!


P.S.: Incompetente é o pesquisador que acredita que artigos ou publicações superficiais em redes sociais, são exemplos de divulgação científica! 

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sexta-feira, 8 de novembro de 2024

Qual a verdade sobre o ELEMENTO 115?

O elemento químico 115, o Moscóvio (Mc), é um elemento sintético transurânico, e sua história se inicia em 2004, com uma equipe de cientistas Norte Americanos e Russos, que conseguiram fundir átomos de Cálcio com átomos de Amerício. Nesse processo foram gerados apenas 4 átomos de Mc, sendo que, a princípio, foi dado o nome sistemático de Unumpentium (Uup) a ele, ou seja, cento e quinze. Contudo, só em 2013, físicos suecos da universidade de Lund conseguiram replicar o Uup, que em 2016, foi batizado de Moscóvio (Mc) em homenagem a capital da Rússia.

Basicamente, o Mc é um metal, transurânico e radioativo, que provavelmente tenha aparência do Urânio, ou seja, um sólido cinza metálico. No processo de síntese do Mc, também foi descoberto outro elemento químico transurânico, o Niônio (Nh), com 113 prótons. Isso ocorre pois o Mc libera uma partícula alfa, que é um núcleo de He, durante sua decomposição.

A grande polêmica em torno do Mc é que no ano de 1989, um autointitulado físico norte americano chamado Bob Lazar, veio a público expondo informações sobre possíveis estudos dos militares com engenharia reversa de naves extraterrestre na chamada área 51, a qual é uma base militar que faz operações sigilosas. 

Bob Lazar

O caso ganha repercussão quando Lazar diz que trabalhou em um local chamado S-4 nas proximidades da área 51, sendo somente reconhecida pela CIA no ano de 2013. Segundo ele, nessa base experimentos com o elemento 115 tinham sido feitos. Essas alegações foram feitas no ano de 1989, e o Mc só viria a ser sintetizado 15 anos depois, o que gerou uma teoria de credibilidade a Lazar, principalmente nos anos posteriores a 2013, uma vez que o Mc havia sido comprovado pelo laboratório sueco e, pelo fato da CIA reconhecer a área 51 no mesmo ano. 

Segundo Lazar, o Mc seria gerado em estrelas distantes, onde os isótopos seriam estáveis, e usados para geração de energia de motores de antigravidade. O problema em torno disso, é que a mesma física aplicada na Terra, também se aplica nos outros cantos do universo. Não importa que em uma estrela possa haver mais energia, a força fraca nuclear vai promover o decaimento de elementos químicos instáveis. Na natureza não existe possibilidade de um sistema se dirigir para um estado de energia mais elevada, sendo que existe um caminho de energia mais baixa. 

Um outro problema para a teoria de Lazar é que ele diz que o material produz a antigravidade, um outro fato que não faz sentido físico, uma vez que para existir antigravidade, é necessário que um sistema gerado por antimatéria se comporte diferente do sistema normal. Atualmente existe um experimento que comprova que a antigravidade não existe, sendo necessário uma armadilha de antimatéria, que é uma espécie de garrafa pela qual é passado um campo de força magnético extremamente forte, fazendo com que as partículas de antimatéria fiquem suspensas em seu centro. Contudo, conforme esses campos são desligados, as partículas são atraídas para a parte inferior da garrafa, comprovando que partículas de antimatéria são afetadas pela força da gravidade. 

Logo, a teoria de Lazar, em relação a antigravidade se mostra falha, uma vez que a mesma é um delírio científico. Somando então, a instabilidade do Moscóvio e do fato da antigravidade não ser algo funcional, a teoria de Lazar é altamente desacreditada. Quando questionadas as instituições de ensino superior, no caso o MIT e a CALTECH, onde ele disse ter estudado, as mesmas negaram que ele passou por lá em algum momento de sua história. Não existem registros algum de sua presença, seja por fotos, relatórios ou mesmo amigos que se formaram juntos a ele.  


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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Ainda vale a pena ser professor substituto?

Atualmente, um dos caminhos que muitos profissionais graduados tomam é o de servidor público temporário, em outras palavras, você trabalha como um efetivo, por tempo limitado, mas não tem o direito de efetivação. Dentre desse escopo existem 3 áreas, a federal, a estadual e a municipal, sendo que cada uma dessas esferas limita a um contrato de 1 ano, prorrogável para no máximo mais 1 ano, sendo que, os contratados são renovados a cada 6 meses. 

Para ser contratado, a pessoa passa por um processo seletivo (diferente de concurso), sendo que a quantidade de documentos é bastante grande para ser admitido. 

Talvez um o servidor temporário, o professor substituto, seja uma das únicas possibilidades instantâneas para um profissional que está desempregado e que possui alta formação. 

O grande problema é que essa modalidade fecha portas também, uma vez que o processo seletivo limita em 2 anos, dentro da esfera do contratado, de participar de novos processos seletivos. Em outras palavras, se eu trabalho por 6 meses como professor substituto na esfera federal, fico impossibilitado por 2 anos de participar de novos processos seletivos na esfera federal. Posso prestar concurso, mas processo seletivo nessa esfera é impossibilitado, pelo fato de que, após 3 anos, o servidor alcança estabilidade. Dessa forma, o estado teria que efetivar tal servidor. 

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Quadro de contaminação e mortes na cidade de São Carlos - SP

A cidade de São Carlos se localiza no centro do estado de SP, tendo aproximadamente uma população de 250 mil habitantes. A cidade é conhecida como Atenas Paulista, por possuir duas universidades públicas, no caso a USP e a UFSCar, sendo a cidade brasileira com o maior índice de doutores por habitante. 

Dentro desse escopo acadêmico, seria algo estranho o crescimento do número de contaminados por COVID-19, fato esse que implica na morte de pessoas como consequência. Entretanto, o número de contaminados continua a crescer, sendo que com a flexibilização do comércio no dia 1 de Junho de 2020, ocorreu um acréscimo de 100% de casos. 

Fiz um estudo sobre como se dá o comportamento da curva de contaminação e mortes por COVID-19, com dados liberados pela prefeitura do município de São Carlos, no período de 16 de Março à 21 de Junho de 2020.

Fonte: Prefeitura municipal de São Carlos.
 A linha vermelha nos gráficos demonstra a tendência de contaminação. A linha pontilhada refere-se ao dia de flexibilização do comércio, ou seja, 1 de Junho. Todavia não podemos analisar os dados no dia 1 de Junho, mas sim, levando em consideração o tempo de incubação do vírus, que pode levar de 7 à 14 dias. Fazendo uma média, podemos analisar a curva a partir do dia 10 ou 11 de Junho para vermos como se comportou a contaminação.

Fica claro que o crescimento do número de contaminados foi na ordem de aproximadamente 100%, em outras palavras, o número duplicou. Isso indica realmente uma correlação entre a flexibilização e o aumento de casos.
Fonte: Prefeitura municipal de São Carlos.
No que se refere ao número de mortos esse número não tem um horizonte próximo ainda, pois uma pessoa pode ficar internada por muito mais tempo do que o tempo de incubação. Considerando que leva em média de 7 à 10 dias para o vírus se manifestar e que o tempo de internação pode levar até 30 dias, bem provavelmente, o número de mortos seja mais bem contabilizado, frente às pessoas que se contaminaram no período de flexibilização, mais ou menos em 20 de Julho.


Fonte: Prefeitura municipal de São Carlos.

Podemos ver no gráfico de mortes que existe uma tendência linear do crescimento até a flexibilização, sendo que é dependente das notificações das autoridades. Entretanto, à partir do dia 11 de Junho ocorre um aumento que extrapola a linearidade. Levando a um desenho mais exponencial. Obviamente esses casos os casos pós flexibilização precisam ser rastreados e contabilizado o tempo de internação que as pessoas falecidas tiveram. Se considerarmos que pode girar em torno de 10 dias (valor especulado), a contaminação teria ocorrido entre 7 à 10 dias antes, o que remeteria ao início da flexibilização.

Como um todo a taxa de mortos por COVID-19 no município de São Carlos é de aproximadamente 3%, ou seja, a cada 100 pessoas contaminadas, 3 morrem. Para ficar mais simples de entender, podemos fazer uma analogia com uma sala de aula contendo 33 pessoas, 1 entre as 33 pode vir a falecer por COVID-19. Se paramos para pensar, esse não é um número baixo. Doenças muito mais infecciosas como catapora e rubéola, por exemplo, não possuem um índice próximo a 1 em um universo amostral de 33 pessoas.

Falácia:
Falência de empresas: O maior problema foi que a população se preocupou mais em manter empregos do que realmente fazer uma quarentena. A crença das falências em 40 dias somente ocorreria se não houvesse uma estratégia para manutenção (função do governo elaborar - é o único momento que o governo poderia se intrometer no cotidiano). A manutenção de empregos é importante, mas existem mecanismos governamentais que poderiam ter sido postos em prática. Como por exemplo a exigência de troca de períodos de férias, diminuição de 50% de salários obrigatório por 40 dias, cesta básica com valor congelado e extinção de impostos sobre a mesma e, dissolução de dívidas de serviços essenciais (água, luz, internet/telefonia, gás, coleta de lixo e tratamento de água e esgoto), no período, por cerca de 1 ano, sem possibilidade de quebra de contrato.

A garantia de que pode haver o parcelamento dos gastos por 12 meses já auxiliaria bastante o empreendedor. Outra coisa que tem que ficar claro é que o atual momento não é de lucrar, mas sim de se manter. A maioria dos comerciantes não entendeu que o período é de aceitar prejuízos e desdobrar-se para manter o comércio vivo, mas sem necessidade de abri-lo e colocar os funcionários em risco.

sábado, 16 de maio de 2020

Os Arautos da Destruição continuam a atacar!

Por essas correntes de whatzapp chegou até mim essa informação. Ainda bem que sou Químico e pude alertar as pessoas sobre o erro.

Notem que a informação visa trazer uma ideia de que produtos naturais fazem bem para a saúde e como consequência combateriam o SARS-CoV-2. Se em vez de falar sobre o combate do vírus, fosse falado que é bom o consumo de frutas no período de reclusão, para que as pessoas possam preparar/manter o sistema imunológico, seria uma informação útil. Todavia, existe uma canalhice por trás disso tudo.

Quem preparou esse folder tem uma noção mínima de Química, uma vez que usou os termos pH e alcalino, além de dizer que compostos alcalino tem valores altos de pH, então, não é um completo ignorante. Entretanto, observem as frutas que foram usadas no exemplo. São frutas ácidas e com pH baixo, mas são apresentadas com valores muito altos. O abacaxi se apresenta como sendo quase um hidróxido de sódio. Mas sabemos que isso é o oposto.

Figura 1: Fake News sobre Química, propagada via aplicativo de mensagem instantânea. 

Qual a provável ideia de quem preparou essa imagem?

A ideia com certeza é mostrar que muitas vezes a cura você encontra no fundo de um quintal, em um pequeno limoeiro por exemplo. Aliado a isso ainda existe um fato muito específico que surgiu junto ao movimento Terra Plana, que é o da alcalinidade da água. Por algum motivo, quanto mais alcalina a água, mais saudável ela seria. Ou seja, um grande fake news científica.

Outra possibilidade, ligada a ideia de achar a cura no fundo de um quintal, é que seja a estratégia de alguém que visa criar um engodo, para forçar a população exigir a quebra da quarentena. Eu não desejava entrar em discussão sobre política aqui, pois acho que todos estão saturados desse tipo de informação, mas sabemos que existem pessoas que não aceitam a mitigação, pelo simples fato disso parecer ideia de opositores políticos.

Infelizmente, o Brasil ainda não chegou ao nível de país. Nós vivemos em um aglomerado de pessoas, que foram cercadas por fronteiras. Nesse aglomerado não existe união, são todos lutando pelo próprio umbigo, ou por sua própria ideologia. No Brasil não temos uma filosofia, temos uma luta por poder. Não tem como chamar de país um lugar que não garante educação, saúde, segurança, distribuição de renda e justiça.

Esse tipo de propagação de mentira científica, somente tem a função política. É o tão famoso "Dividir para Conquistar", em outras palavras, é tudo o que vivemos desde a fundação da república em 1889, um ciclo de governantes corruptos e que somente buscam o poder. A base desses governantes, sempre foram os grupos que eu gosto de chamar de "Arautos da Destruição", que são pessoas fanáticas e que visam a disseminação de mentiras.


P.S.: É quase cultural no Brasil a função de ser um Arauto da Destruição.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Elucubrações Quarentenais

Com essa pandemia as coisas ficaram diferentes para todos nós, principalmente para os Químicos que são acostumados a todos os dias estarem em laboratórios. Não ir ao laboratório pode ser bastante estranho para quem vive disso. Todavia, as ações dentro de casa também podem se relacionar com as atividades de um laboratório, como por exemplo a cozinha. Sempre que sinto falta de trabalhar no laboratório eu faço um pão caseiro (o que tem me dado muito prazer).

Outra coisa interessante é a atualização teórica de conteúdos de Química que não víamos a muito tempo. Essa atividade mais intelectual e menos prática gera novos projetos como artigos (sim no plural).

É tipo uma impressão digital, ou para um bom Químico compreender, é como se fosse o número atômico do pesquisador... É único e leva tempo para ser desenvolvido esse estilo de escrita. 

Mas nesse momento eu me questiono, se eu não estivesse recluso em um quarto, na cidade de Copenhague, longe de minha família, será que eu estaria realmente escrevendo artigos? Creio eu que seria bem difícil fazer isso se estivesse na presença de quem eu gosto. E isso pelo fato de querer dedicar mais meu tempo a essas pessoas. Um fato que creio ser superior a qualquer estudo ou prática. 

É obvio que ninguém vivo hoje tinha passado pela situação de uma pandemia global, e está se mostrando uma situação complicada principalmente para as pessoas mais pobres que não tem como fazer uma quarentena, mas precisamos tentar tirar algum proveito da situação. Quem pode ficar em casa, pode muito bem se dedicar à família e, reconhecer que nem sempre as atividades costumeiras do cotidiano são tão importantes quanto acreditávamos. Por que não ensinar coisas novas aos próprios filhos, afinal, se você é Químico, tem conhecimento suficiente para fazer experiências e ensinar como um cientista trabalha?

Talvez esse seja o momento da história recente que mais nos aproximamos de nossa família, por que não aplicar essa aproximação intelectualmente também?

No final a reclusão pode trazer algo de bom para a sociedade.

terça-feira, 17 de março de 2020

Por que a melhor atitude para o controle do COVID-19 é ficar em casa?

Atualmente me encontro fazendo um estágio na Dinamarca, esse estágio tem duração de 6 meses. Obviamente ninguém espera que aconteça uma contaminação global por um vírus. Parece coisa de filme, mas como todos em Copenhague eu atualmente me encontro fechado em casa, uma vez que estou com uma gripe, como não tenho sintomas pesados, como febre alta e falta de ar, estou em uma quarentena pessoal, sei que se precisar de algo eu posso pedir ajuda para alguém no alojamento.

Nessa postagem quero mostrar como funciona o quadro de disseminação e controle de uma doença virótica e altamente transmissível como são as gripes.

O Gráfico 1 abaixo podemos ver o processo de disseminação do COVID-19 na Dinamarca (a linha preta é a linha de tendência). Observem como é interessante o processo. No dia 12 de Março foi tomado a ordem de contenção, ou seja, as pessoas não deveriam ir trabalhar ou ir até as faculdades e escolas. No dia 13 ocorre um ligeiro aumento dos casos de COVID-19, mas em seguida ocorre uma queda bastante brusca (abaixo da linha azul de divisória).

Gráfico 1: Crescimento da contaminação diária por COVID-19 na Dinamarca.
Fonte: Autoridade Dinamarquesa de Saúde.

Tomando por base nisso tracei umas linhas no gráfico. Podemos tomar por base as linhas verdes como o zero de angulação e as linhas pontilhadas as tendências de crescimento. Observem que antes da contenção (pontilhado vermelho) o ângulo de abertura é bastante aberto, indicando um rápido contágio. Entretanto quando vemos após a contenção (pontilhado azul) o ângulo do gráfico é bem mais fechado, indicando um crescimento mais lento de contaminação. 

Gráfico 2: Crescimento da contaminação diária por COVID-19 na Dinamarca.
Fonte: Autoridade Dinamarquesa de Saúde.


No Gráfico 2 fica mais clara ainda a desaceleração do crescimento de casos após a contenção divulgada no dia 12 e estabelecida no dia 13 de Março.

Então é mais do que claro que a contenção é funcional. Ficando em casa a possibilidade de disseminação é facilmente retardada. 

domingo, 26 de janeiro de 2020

Como se preparar para estudar fora do Brasil?

Como primeira postagem de 2020, quero falar um pouco sobre como é se preparar para um intercâmbio no exterior. 

Para isso, preparei um vídeo falando sobre quais são as coisas mais básicas que um estudante tem que se preocupar caso tenha pretensão de estudar fora. E também algumas dicas em relação a viagem para aqueles que nunca se deslocaram de avião para fora do Brasil.


As dicas para o intercâmbio no exterior que apresento nesse vídeo são direcionadas principalmente para os estudantes de pós-graduação que pretendem vir estudar na Europa (em destaque a Dinamarca), entretanto, também são válidas para estudantes em geral. Imagine que você está na fase de escolher qual curso irá prestar no vestibular, é interessante já ir pensando se tem vontade de fazer algum intercâmbio na graduação, ou se prefere pensar nisso mais como parte de uma pós-graduação. Note que essas escolhas são importantes, pois elas vão direcionar decisões na sua vida, como por exemplo a obtenção da proficiência em língua estrangeira. Se você acredita que é interessante um intercâmbio na graduação, então é bom correr o quanto antes com o aprendizado de línguas estrangeiras. 

Minha dia é para que não cometam o meu erro, ou seja, demorar muito para aprender inglês. A língua inglesa em muitos casos determina se você vai ou não vai estudar fora, as vezes chega a ser mais importante até mesmo que seu projeto, pois sem ela não há como aplica-lo e se comunicar com seu orientador (advisor). E também não acredite que o projeto que você escreveu e, enviou para o pesquisador do exterior ler, será  aplicado na íntegra, na maioria das vezes ele acaba sendo alterado, pois as circunstâncias exigem. 

Vale também ressaltar que o processo para obter o visto é diferente de país para país, sendo que ema alguns lugares, caso você pretenda ficar mais do que 3 meses (que corresponde ao visto de turista), você terá a necessidade de conseguir uma permissão de residência, sendo esse processo uma pouco mais complicado por causa da quantidade de documentos que você deve reunir (mas nada impossível de obter). A dica para essa burocracia é não deixar para fazer tudo encima da hora e guardar uma reserva financeira, pois em alguns casos existe a necessidade de já chegar com um contrato de locação, o que faz com que você tenha que pagar de 1 a 3 meses de aluguel adiantado e até mesmo um cheque caução.

A última dica que dou é que toda a sua organização tem que começar um ano antes da sua viagem, melhor ainda se você iniciar o processo de proficiência mesmo sem saber se irão abrir algum edital em breve, pois muita gente perde a oportunidade de conseguir estudar fora pois não consegue obter a nota mínima do edital. Em geral a CAPES exige 527 pontos no TOEFL - ITP, mas nesse caso, o ideal é visar 560 pontos, pois é a nota "padrão" que as universidades exigem. Por isso, se a ideia é sair no início do terceiro ano, o ideal é obter a proficiência no começo do segundo ano (já que a nota da maioria das provas de proficiência tem validade de 2 anos).

Abaixo deixo uma lista de quais são os passos a serem seguido, note que alguns deles ocorrem ao mesmo tempo:
1a - Buscar referências sobre seu projeto;
1b - Ficar atento às aberturas de editais para intercâmbio;

2 - Entrar em contato com uma referência do seu trabalho no exterior para saber se poderia te receber em um possível intercâmbio (nesse caso, você pode fazer o contato desde que seu orientador no Brasil esteja de acordo, caso contrário peça para seu orientador fazer esse contato);

3a - Escrita de um projeto;
3b - Obtenção de proficiência em inglês (mesmo se a pretensão for estudar em Portugal, ainda existe necessidade de proficiência em inglês);
3c - Inscrição no edital para intercâmbio;

4a - Sendo aprovado nas fases de avaliação da instituição de fomento você deve começar a obter os documentos necessários;
4b - Fique atento aos gastos que você pode ter durante o processo de obtenção de visto ou permanência, os mesmos podem variar de R$ 700,00 reais à mais de R$ 20000,00 reais. Por isso é importante se organizar (não se preocupe, a instituição de fomento paga desde o visto até sua viagem e estadia, mas em alguns casos existe a necessidade de pagar várias coisas antes da bolsa ser depositada na sua conta); 
4c - Dentro ainda da preocupação com gastos, fique atento com os limites de seu cartão de crédito, muitas vezes você terá que recorrer a uma casa de câmbio para fazer pagamentos no exterior (nem sempre os bancos fazem depósitos em moeda estrangeira com valores convertidos acima de R$ 20000,00 reais);

5a - Uma boa estratégia para brasileiros que vão para a Europa e não confiam muito no próprio inglês, é a de entrar por Portugal, uma vez que em caso de alguma dúvida no aeroporto o português resolve a parte de comunicação. 
5aa - Se escolher seguir a dica acima: Em alguns casos as autoridades portuguesas acabam por dar mais atenção e fiscalização aos brasileiros, pois Portugal é a principal rota de entrada da gente na Europa, por isso, não escolha voos com conexões muito curtas (vale ressaltar que isso não é exclusividade de Portugal, e também não acontece só com brasileiros);
5b - Quando for montar sua mala, não leve sua casa junto, pois o peso extra acaba gerando taxas extremamente altas das empresas aéreas (principalmente as que vão para a Europa), certifique-se dos tamanhos e pesos máximos das malas que a empresa aérea permite (um bom negócio é ver se a empresa permite duas malas de 23 kg ou ao menos uma 32 kg);
5bb - Em geral você tem direito a despachar uma mala de 23 kg no porão do avião, mas pode levar junto de si uma mala de bordo de 8 kg e mais uma mochila com coisas pessoais (são coisas pessoais os documentos, computadores e outros eletrônicos, remédios e receitas, jóias, dinheiro e qualquer coisa de valor);
5c - Certifique-se de que o mais importante não esteja na mala despachada (tudo o que é de valor tem que ir na cabine com você);
5cc - Certifique-se de que tenha as receitas médicas em inglês (caso os remédios sejam barrados ou ainda caso você perca a sua mala em que eles estavam dentro, você pode apresentar a um médico no exterior);
5d - Coloque identificadores externos em sua mala (tanto para reconhecer de longe, tanto com seus dados, caso a mesma seja extraviada).




terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Por que o oprimido oprime tanto?

Quando eu estava no ensino médio e havia uma visita marcada a um local, ninguém tinha a opção de pensar em faltar na viagem ou visita, pois já era garantido que alguma coisa seria aproveitada pelo professor. Haveria algo na prova ou algum trabalho deveria ser feito com a temática da visita, passeio ou viagem.
Hoje em dia, com essas pedagogias fajutas, o professor dá a opção ao aluno: Só traga a autorização quem for!
Aluno não tem que ter escolha, aluno tem que acatar as atividades escolares.
É por isso que a aproximação familiar no contexto das atividades escolares é algo de extrema importância, tanto para o crescimento do elo entre educação e família, assim como da compreensão do estudante frente a hierarquia e respeito do professor como se fosse um dos responsáveis.
Sim! O estudante tem que respeitar o professor da mesma forma que deve respeitar o pai e a mãe.
O professor não deve ser encarado como um opressor, mas sim como símbolo de respeito. Isso é bem diferente do que se apregoa atualmente, onde o vilão do processo educacional é o professor.
Um professor jamais deve ser responsável por buscar resgatar o estudantes, pois essa é função da família. Se a família não insistir e participar do processo educacional, o estudante não vai nunca compreender a importância do estudo. Mas muito pelo contrário, vai encarar a escola como um ambiente de carcere.
Nas faculdades esse pressuposto não é trabalhado, dessa forma os atuais professores não possuem o ímpeto para cobrar dos governantes medidas imediatas para o fortalecimento do núcleo familiar. A tragédia escolar do Brasil só ocorre pois a família é definida como um cluster de pessoas, que muitas vezes não se apoiam, mas sim vivem em um confronto.
1) Você é professor? Então é sua obrigação cobrar dos alunos que participem de todas as atividades escolares, seja uma feira de ciências, um passeio ou uma visitação a algum ambiente educacional. É sua função cobrar e dar nota aos alunos e punir quem não participa.
2) Você é pai ou mãe? Então é sua obrigação se aproximar e ser ativo na educação de seu filho(a). Você não deve esperar que o professor seja o agente de 100% da educação escolar do estudante, pois você é responsável por ao menos 51% desse processo.
3): Eu não tenho tempo para participar da educação de meu filho(a)! Seu filho(a) é o bem mais importante que você tem, ele é superior a novela e ao futebol. Evite gastar tempo com essas besteiras e faça parte da educação de seu filho(a). No mínimo você vai entender todas as possíveis frustrações que ele(a) pode ter.
4) Eu não tenho conhecimento para ajudar meu filho!
Então aproveite para estuda junto dele(a), é sua chance de aprimorar o seu conhecimento.

Notem que não existe empecilho para melhorar a educação e, que a maioria dos problemas, não são de ordem financeira, não se relacionam com investimento no material escolar, mas se inicia muito antes disso, começa em casa.
Podemos ter nas escolas tablets no lugar de livros, podemos ter doutores dando aulas com salários de R$ 10000,00 reais, podemos ter ar condicionado nas salas, mas tudo isso ainda não vai melhorar o ensino se a família não entrar na equação.
Ou a família entra para ensinar o respeito ou os oprimidos vão continuar oprimindo!

sábado, 30 de novembro de 2019

Universidade Pública x Universidade Particular no Brasil.

Não encarem isso como arrogância, mas sim uma visão técnica, uma reflexão... Algo que deve ser sim discutido.
No fim do ano é comum vermos reclames na TV sobre universidades particulares, onde essas instituições dizem que o mercado quer um universitário de verdade e por isso é uma ótima escolha ir estudar em x ou y instituição privada.
Entretanto, existe um grande problema quando se faz uma comparação entre uma instituição particular e uma pública. Infelizmente quem faz um curso em instituição particular não consegue ter a chance de adentrar 100% no mundo da pesquisa. Existe grande diferença entre fazer um curso superior e fazer um curso superior/iniciação científica.


A universidade pública não prepara somente o sujeito para o mercado de trabalho, mas também prepara o estudante para uma carreira acadêmica. Não que isso não pode ocorrer em uma universidade particular, mas dificilmente a instituição tem condições para fomentar uma pesquisa de alto nível.
Quantos artigos são publicados em universidades particulares? muito poucos. Os artigos são o termômetro da qualidade da universidade, se a mesma não publica artigos significa que não desenvolve pesquisa. Vale ressaltar que no Brasil o escopo da universidade é ensino, pesquisa e extensão. Logo uma boa universidade não somente ensina, mas tem OBRIGATORIEDADE de pesquisar e pesquisa gera artigos. A extensão é a falha que existe em toda universidade, seja pública ou particular, uma vez que é o momento onde o que foi pesquisado é exposto ao público de forma funcional.
Ou seja, vocês que vão entrar no mundo acadêmico, NÃO CONFIEM em reclame de TV dizendo que uma universidade particular gera universitário de verdade, essas universidades somente preparam pessoas para o mercado de trabalho, mas não consegue gerar um acadêmico, já que não ensina na maioria das vezes como o cientista ganha seu pão de cada dia, em outras palavras, não ensinam como se publica artigos.

Fatos a serem pensados entre os pares.
1) Quem sabe com uma discussão sadia as universidades particulares também não modifiquem o modo de pensar e busquem novas formas de fomento que possibilitem o investimento em laboratórios por exemplo.
2) É uma porcentagem muito grande da população se formando todo ano em faculdades particulares sem que realmente entendam ou sejam apresentados ao escopo da pesquisa.
3) Se o aluno da universidade particular também não entender/desenvolver uma pesquisa e óbvio que vai se somar ao grupo daqueles que não se sentem afetados com o sucateamento da pesquisa brasileira.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

A Visão Além do Alcance

Já pensaram como é fácil gerar dados falsos para que uma pesquisa científica seja validada de forma estatística. É extremamente simples manipular dados e burlar o sistema para que as constantes e variáveis que você trabalha levem aos dados que você espera.

Em um artigo você não coloca as minúcias do que fez, portanto se uma variável teria que dar X mas deu Y, nada impede de forçar a mesma até que alcance o resultado correto. É bastante interessante isso, pois não sei dizer qual o nível de observação real que existem em resultados publicados. Muitas vezes os mesmos se caracterizam por ser projeções, mas que são considerados dentro de um escopo realista por mero indicio de dar certo, ou seja, é o famoso "Approach".

Acho que essa malemolência é o fiel da balança para as pessoas que sobem rapidamente no mundo das publicações acadêmicas e aquelas que travam na pesquisa, tentando objetivar uma "honestidade" estatística no nível de perfeição.

Na realidade essa honestidade de perfeição não cabe 100% em um universo embasado em burocracia, como ocorre no mundo acadêmico, entretanto o burlar o sistema não pode acontecer de forma desonesta. Nesse momento que é invocada a Espada Justiceira e o Olho de Thundera e a sua visão além do alcance. Em outras palavras, deve ser ativado o "Feeling" analítico.


Lion e a Espada Justiceira, o olho de Thundera na guarda da espada garante a visão além do alcance.

A estatística se mostra extremamente fria, são dados matemáticos sem subjetividade, sem as observações pessoais do pesquisador, sendo analisadas de forma técnica e levando a respostas mecânicas que carecem de subjetividade para serem melhor compreendidas.

Essa subjetividade do feeling analítico nasce de uma pesquisa com nuances qualitativas, para que ocorra a corroboração de dados durante uma triangulação na fase quantitativa. Todavia essa estratégia não deve virar uma muleta metodológica, com a simples finalidade de validação de dados de uma pesquisa que deu errado. Uma análise qualitativa por mais subjetiva que seja ela não pode ser carregada de pessoalidades, em outras palavras, não pode ser o que o pesquisador quer que os dados mostrem, mas sim, um resultado discutido em paralelo aos dados quantitativos. É uma forma de explicar o fato de uma dado não ser somente quantitativo.

Mas como corroborar os dados estatísticos com dados mais subjetivos em uma pesquisa técnica de laboratório? Isso é simples, inicia-se com o questionamento dialético, uma abordagem de busca por possíveis erros que podem ter ocorrido na coleta de dados, na construção da hipótese e principalmente na forma como os dados foram analisados. É comum que nesse momento da pesquisa os pares sejam consultados, exclusivamente os pares especialistas da área e que não se encontram vinculados à pesquisa, para que dessa forma consigam traçar um horizonte de confiabilidade.

A Visão Além do Alcance nada mais é do que compreender que a Ciência é construída no coletivo e que os dados não são quantitativos se não existe o qualitativo para corroborar. Todavia é assustador como pesquisas são desenvolvidas sem que haja uma apresentação analítica do que realmente ocorreu.

domingo, 29 de setembro de 2019

O Arauto da Notoriedade: De onde vem a pseudo-ciência moderna e as teorias da conspiração?

Um fato que a muito tempo vem gerando polêmica é o acesso público ao conteúdo científico, principalmente em tempos onde a população passa por um surto de descrença na Ciência. Observem que existe uma correlação existente entre o surgimento de movimentos sobre Terra Plana e Antivacinas, com a elitização do conhecimento científico.

Muitas poucas pessoas sabem, mas a ideia de Terra Plana surge no século XVIII com a ideia de escarnecer a Igreja Católica, a qual não acreditava na planicidade da Terra (basta ver as imagens de muitos santos da idade média segurando um globo por exemplo). O fenômeno Flatearth pode até parecer um movimento pseudo-científico de características fortemente empíricas, uma vez que seus aceitadores usam testes para tentar provar algo, mas na realidade, o movimento é algo mais filosófico e que somente vai acabar desinformando as pessoas. Logo, a Terra Plana trás mais uma destruição da erudição do que realmente de bases importantes da vida em sociedade.

Mas o grande problema é que a ideia de teoria da conspiração que surge no pensamento Flatearth, acaba fomentado novas teorias da conspiração, que por sua vez podem ser destrutivas, como por exemplo o movimento Antivacina. Mas de onde surge esse movimento?

No ano de 1998, um médico inglês chamado Andrew Wakefield publicou na famosa revista científica Lancet, um estudo com doze crianças autistas. No texto de sua pesquisa havia uma discussão dizendo  que em oito dessas crianças a síndrome somente se manifestou após duas semanas de vacinação com a tríplice viral (caxumba, sarampo e rubéola). Essa pesquisa caiu como uma bomba na comunidade científica e, também entre as pessoas leigas em Ciências. 

Obviamente houve a necessidade de uma contraprova e novas pesquisas foram feitas, pois o que o artigo denunciava era de gravidade imensa. Com o passar do tempo foi tornando-se claro que havia uma fraude na pesquisa de Wakefield e o intuito era financeiro. Descobriu-se que o médico tinha um contrato com um grupo de advogados que queriam criar um engodo para processarem a indústria farmacêutica. Wakefield teve seu registro médico cassado e sua publicação foi removida do site da revista Lancet no ano de 2010.


Figura 1: Com a popularização da internet e o uso da mesma pelos charlatões científicos houve um acréscimo da contaminação por Sarampo no mundo todo.


Figura 2: Andrew Wakefield

O artigo de Wakefield ficou no site da Lancet cerca de doze anos, o que foi suficiente para servir de argumento para os teóricos da conspiração. Hoje existem diversos engôdos ligados às vacinas, sendo que a proporção já se mistura com outros movimentos, como é o caso do Veganismo. Já existem pessoas dizendo que pelo fato das vacinas e soros serem produzidas e muitas vezes testadas em animais, isso corresponde a uma brutalidade e, dessa forma, preferem se manter sem a vacinação. Outro caso se relaciona com um medo de que componentes tecnológicos sejam injetados no corpo dos pacientes tendo como finalidade controlar suas ações e pensamentos pelos governos mais poderosos. Ou seja, a pseudo-ciência leva a um clima de histeria. 


Figura 3: A maioria dos surtos de doenças controláveis por meio de vacinas ocorre em meio às populações com pouco acesso a documentos científicos. Nesses locais a informação científica é misturada com explicações do sincretismo e senso comum.

Esse problema é muito grave e está correlacionado com a crença de que o conhecimento científico deve se manter somente dentro dos círculos científicos e de que a população deve receber apenas os resultados funcionais da consolidação de um processo científico. 

Parte da culpa desse sincretismo da população é da academia científica, que não acredita que as pessoas tenham capacidade de compreender o conhecimento científico. Logo, as revistas especializadas criaram para si uma notoriedade de oráculo e guardião do conhecimento, a tal ponto que o acesso, até mesmo para cientistas, se dá por intermédio de aporte financeiro, ou seja, para ler um artigo você tem que pagar. O que acaba por afastar a população do conhecimento científico.

Devido ao problema da academia elitizar o conhecimento, houve o surgimento de um efeito colateral, sendo que a figura do arauto da notoriedade científica ganhou mais notoriedade do que a revista em si, uma vez que o mesmo se utiliza de meios de comunicação em massa como a internet. Dessa forma muitos daqueles que se dizem pesquisadores e que conseguiram acesso a um documento científico, acabam por iniciar um processo de interpretação própria do conteúdo e, dessa forma, dissemina-lo de forma errada, seja com o intuito de querer levar alguma informação para a sociedade, seja com o fato de querer promoção do próprio nome. 

Um exemplo que faz com que a pessoa se torne o arauto da notoriedade para grande parte da comunidade leiga em Ciência é o uso do termo "Quântica" em qualquer coisa que não tenha uma explicação lógica. A Quântica ganhou com o passar do tempo um aspecto de irrealidade, ou seja, algo que não se encontra no universo natural, visível e compreensível, sendo que qualquer efeito que não se enquadre na física mecânica ou no senso comum, acaba se tornando um efeito quântico. Um tempo atrás um especialista em computação gráfica criou um vídeo onde eram despejadas dentro de uma caixa de acrílico bolinhas de gude de quatro cores diferentes, as mesmas caiam de forma caótica, mas em um dado momento elas se dividiam em caminhos específicos e se amontoavam baseado em suas cores específicas. Logicamente tudo não se passou de um efeito visual, uma vez que as bolinhas foram coloridas de forma digital. Entretanto, um grupo de teóricos da conspiração quântica surgiu com a discussão de que cada cor tem uma frequência de vibração específica e com isso conseguem se dividir em montes de mesma cor. Os mesmos foram desmascarados quando o making off do vídeo veio a tona e mostrou-se que todas as bolinhas eram brancas na realidade. 

Esses teóricos do universo quântico, que prometem curas e explicações milagrosas se baseiam na premissa de que ninguém compreende o que a Física e a Química Quântica dizem para dessa forma criarem uma casca de sabedoria em torno de suas reputações. Seria tudo mais simples se a população tivesse a informação de que a Quântica somente trata da quantidade de energia que uma partícula precisa para passar de um estado para outro, em vez de ser excluída da discussão, uma vez que a matemática envolvida é "refinada" demais.

Em resumo, enquanto o mundo acadêmico se manter fechado, sem que os pesquisadores de verdade venham a público explicar seus trabalhos, muitos oportunistas ganharam o título de arautos do saber e disseminarão pseudo-ciência e teoria da conspiração.


segunda-feira, 1 de abril de 2019

Por que os professores não conseguem dar aula?

Esse texto se relaciona com a forma com que o ambiente escolar foi elaborado. Deve ficar claro que não estou falando da função dos professores do ensino médio, mas do que é retirado de suas funções e do que é cobrado aos mesmos. Também quero que fique claro qual a função dos “estudantes” na nossa atual sociedade.

A primeira coisa que tem que ficar claro é que um estudante não é considerado um adulto na nossa sociedade, em outras palavras, não se enquadra como uma força de trabalho, logo não pode gerar frutos instantâneos para o estado, mas sim, representam um gasto. Dessa forma, existe a necessidade de preparar esses jovens para que se tornem força de trabalho.

Como ideia fundamental, o jovem precisa somente aprender a ler e escrever para que possa se tornar força de trabalho, sendo assim, precisa saber assinar contratos, saber identificar o preço de um produto, saber o que é esquerda e direita, olhar no relógio é conseguir falar as horas, ou seja, precisa saber o mínimo de funcionalidade padrão das cosias.

Analisando essa premissa podemos dizer que não faz sentido o que se desenvolve na escola, uma vez que o conteúdo não é muito importante para que se forme força de trabalho, principalmente, para patrões vinculados ao estado. Logo, toda a máquina estatal é interessada diretamente em uma força de trabalho, a qual, não necessariamente precise de larga instrução.

Contudo, para que ocorra o contrato de uma pessoa deve haver o status de maioridade. Tomando por base essa nova característica, os jovens se tornam um “peso” na sociedade, uma vez que não devem receber grande instrução, pois tornar-se-ão críticos no futuro e dessa desqualificando um estado interferente no cotidiano. Como resultado disso as escolas são elaboradas para ser um universo marginal ao mundo dos adultos. Os jovens não devem ficarem “soltos” na rua, pois se tornariam desocupados e começariam um processo anárquico em relação ao estado.

Esse diagnóstico de como o estado pensa o ambiente escolar, tornando-o uma marginalização da sociedade, implica na segunda coisa que tem que ficar clara. Qual a função da escola e dos professores?



As escolas têm como função servir de locais fechados e que mantenham os jovens (inúteis aos olhos do estado) separados das pessoas que são funcionais ao estado. Logo o professor não tem como função ser professor, mas sim um “carcereiro” que tem que manter um grupo de “marginalizados” calmos e quietos, todos juntos e sem o uso de agressão e punições físicas.

O caráter educacional realmente se inicia, quando o jovem determina se quer prestar vestibular ou se existe o incentivo familiar para que estude. Dessa forma, a consciência de que é necessário estudar surge no fim do período escolar, sendo que na maioria das vezes os estudantes escolhem fazer um cursinho pré-vestibular. Nesse estágio o professor consegue agir como professor e o conteúdo de mais de 12 anos de estudo começa a ser relembrado durante um período de aproximadamente 1 ano. Esse fato deixa claro que o conteúdo específico oferecido nas escolas pode ser sintetizado em alguns poucos meses, implicando no fato de que o período escolar tem como função manter os jovens dentro das salas de aula e longe das ruas.

Como um todo, o professor age realmente como um professor somente no nível universitário, tendo grande autonomia e uma maior notoriedade para desenvolver as suas aulas, pesquisas, orientações, transposições didáticas e produção de conhecimento.

Em resumo, o fato que faz com que a educação seja praticamente inexistente no Brasil é que os jovens são colocados a margem da sociedade e considerados como força de trabalho futuro e não força intelectual futura. Obviamente a classe dos professores que operam no ensino fundamental e médio se encontram limitados na ação professoral, principalmente no que se refere a função didático pedagógica.

Exemplos de países que deixaram para trás essa cultura de que há primeiramente a necessidade de força de trabalho e depois a força intelectual, são os mesmos que se encontram com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais altos, como por exemplo: Países Escandinavos, Finlândia, Alemanha, Suíça, Bélgica, Inglaterra, Canadá, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Coreia do Sul e Japão. Mais recentemente também existe um início de modificação de pensamento no Chile também. Essas características da mudança do pensamento educacional implicam diretamente no desenvolvimento da sociedade.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Quais as Vantagens e Objetivos da Participação de Eventos Acadêmicos?

Essa será a primeira postagem de 2019, vou tentar manter um fluxo de ao menos uma postagem por mês. No fim dessa postagem deixo duas perguntas e suas respectivas respostas sobre as vantagens e objetivos de participação de ventos acadêmicos.

Nessa postagem vou dar acesso a um trabalho que fiz e apresentei em um simpósio na cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Esse evento foi o SINECT (Simpósio Nacional de Ensino de Ciências e Tecnologia) e ocorreu dentro do campus da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná).

Foto 1 - Capela dentro da UTFPR

Foto 2 - Biblioteca Tecnológica Affonso Alves de Camargo.

Foto 3 - Típica árvore (conífera) dessa região do Paraná.

O meu trabalho teve o título: Estudo do Desenvolvimento do Espírito Científico em Aulas de Química Geral com a Aplicação do Método Científico. Quem quiser pode ter acesso ao PDF nos Anais do evento (basta dar um Control + F e colocar na caixinha de texto o título do trabalho).

Esse simpósio foi bastante interessante pois os trabalhos precisaram ser escritos na forma de artigos de no máximo 8 páginas. A apresentação dos mesmo se baseou em duas formas, no caso pôsteres para alguns trabalhos e para a grande maioria as chamadas sessões dirigidas.

Uma sessão dirigida se baseia em apresentações orais de no máximo uns 5-7 minutos, onde um coordenador organiza as apresentações e cria uma problemática para poder desenvolver uma discussão entre os apresentadores e também com contribuição da plateia. As sessões eram divididas em áreas temáticas, sendo que a várias ocorreram ao mesmo tempo em salas diferentes do campus da universidade. 

Além das sessões dirigidas e dos pôsteres, também ocorreram minicursos, mesas redondas, lançamento de livros e palestras com convidados nacionais e internacionais.

Foto 4 - Sensor de temperatura de baixo custo utilizado em microcontroladores (temática do minicurso que fiz durante o evento).


Qual a vantagem de participar de um evento?
A grande vantagem de participar de eventos como simpósios e congressos, não é somente a de apresentar o que você pesquisa, ou de ver novos trabalhos na sua área temática, mas sim a de criar uma rede de conexão com outros pesquisadores e instituições. Por isso, participar de eventos de abrangência nacional e, principalmente, internacional são ações imprescindíveis para um estudante. A baixo vou deixar 3 exemplos de situações que foram muito proveitosas nesse simpósio.

1) Um amigo que fiz no simpósio, recebeu um convite para tentar um mestrado acadêmico na UTFPR, detalhe, ele é de Manaus (4 mil quilômetros de distância de Ponta Grossa) e somente iria saber que sua área tem um campo forte no Paraná através do evento. Ele então tirou a sorte grande? ... NÃO! ... Isso não tem nada a ver com sorte, mas sim com espírito de querer crescer academicamente.

2) Na casa que fiquei (via Airbnb, o que deu MUITO CERTO!!!), conheci esse meu amigo que citei acima e mais um rapaz que veio da cidade de Araraquara (vizinha de São Carlos, que é onde moro). Durante a janta, nós três desenvolvemos uma discussão muito longa sobre ensino de ciências, ensino especial, epistemologia, abordagens metodológicas, política e até de música. Ou seja, discussões proveitosas como essas só acontecem quando pessoas com diferentes pontos de vista se reúnem, fato esse que dificilmente vai ocorrer dentro de um grupo onde todos pensam da mesma forma.

3) Na minha sessão dirigida conheci uma moça que apresentou um trabalho com temática de ensino de química quântica, o que foi muito interessante, pois eu tenho mestrado em uma abordagem de mecânica quântica chamada DFT - Density Functional Theory (quem se interessar sobre o que pesquisei é só clicar aqui: Dissertação). Após a sessão dirigida ficamos um bom tempo conversando sobre como essa área da química é trabalhada tanto no ensino médio quanto no ensino superior. Como o doutorado dela ruma nessa área, a nossa discussão se mostrou extremamente proveitosa para ela, uma vez que, dificilmente, alguém com o tipo da minha formação se encontra na área de educação. Ou seja, somente em eventos grandes você consegue encontrar gente com formações mais distintas possível. 

O que buscar ver num congresso ou simpósio?
Pelo contrário do que se imagina, não é o ideal participar somente de apresentações ligadas a sua área, mas sim buscar trabalhos que visam outras abordagens. Essa estratégia serve para que seu repertório frente a discussão científica cresça e, assim, seus interesses não sejam somente pontuais. Eu por exemplo, além de participar da minha sessão dirigida, a qual tinha o tema de ensino de química, também participei de sessões que envolviam políticas públicas e ensino para surdos, o que me ajudou a tomar melhores rumos quando discuto esses temas atualmente.


domingo, 5 de agosto de 2018

Vamos entender como a pós-graduação usa a verba pública?

Mais uma vez faço uma postagem referente ao alarmante momento que a ciência brasileira passa. No caso, temos um vídeo onde existe a opinião de duas pessoas vinculadas ao meio acadêmico, no caso o meu amigo Kalil Bernardino, que é pós-doutorando na USP da cidade de São Paulo e a minha opinião, que sou doutorando da USP da cidade de São Carlos.
O vídeo é um podcast no início, mas a partir dos 9:48 minutos eu adicionei na integra o vídeo explicativo do Kalil, tendo como objetivo esclarecer, principalmente para a população que não se encontra no meio acadêmico como as coisas funcionam.


É muito importante se informar de como é a burocracia científica, para que todos comecemos a dar mais valor ao esforço gigantesco que nossos pesquisadores fazem com tão pouca verba.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

CAPES diz que pode cortar bolsas de mais de 93 mil alunos e pesquisadores no segundo semestre de 2019.

Hoje (02/08/2018) a instituição de fomento para ensino superior CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) liberou uma notícia que no mínimo é preocupante.

Nessa carta (a qual deixo na integra logo abaixo) o presidente da CAPES Abilio A. Baeta Neves encaminha ao Ministro de Estado da Educação (Rossilei Soares da Silva), um texto explicando que a instituição de fomento está com graves problemas de vencimento e que o orçamento de 2019 não poderá ser condizente com o orçamento de 2018 (embasado na LDO - Lei de Diretrizes Orçamentais). Em outras palavras, 2019 será um ano pobre, uma vez que a tendência é a de que o orçamento do MEC não seja preservado devido a política de corte de gastos.

Isso terá um impacto muito grande na esfera formativa e de desenvolvimento científico do Brasil, sendo que, bolsas serão cortadas no nível de formação de professores (PIBID, ProEB, IES, Parfor), na pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-dourado) e também nos programas de intercâmbio. 


A princípio a carta tem caráter alarmante, mas pode vir a se tornar realidade. 
Entretanto o que provavelmente irá acontecer é que somente as bolsas que seriam oferecidas no segundo semestre de 2019 serão cortadas. As bolsas de pós-graduação em resumo funcionam como um sistema de herança, sendo que a verba depende da quantidade de alunos que defendem no período, em outras palavras, quando uma pessoa sai do programa, existe a possibilidade de repassar a bolsa para uma outra pessoa no mesmo nível. O que tende acontecer é que ao finalizar o tempo de bolsa vigente, esse fomento venha a ser cortado e não repassado. Logo, menos bolsas serão ofertadas para a pós-graduação. 

Além disso, existe a tendência de haverem menos pessoas se candidatando a vagas para mestrado e doutorado. Nesse segundo semestre no IQSC (Instituto de Química de São Carlos) houveram muito poucos candidatos ao mestrado e ao doutorado, sendo esse instituto um dos melhores da América Latina e, consequentemente, um dos mais importantes do Brasil. Esse fato inusitado se relaciona com o fato de que as bolsas como um todo já não possuem um valor suficiente para manter um estudante na cidade de São Carlos, devido aos custos altos com alimentação, serviços básicos, transporte e aluguel. 

O mais complicado é que como existe a exclusividade, assinada em um contrato e até reconhecida em cartório, os estudantes com bolsa não podem ter um emprego, correndo o risco de ter que devolver o valor total da bolsa recebida no período caso o vinculo de exclusividade não seja respeitado. Todavia, se ocorrer de todas as bolsas serem cortadas, muitos pós-graduandos vão sofrer com quebras de contrato imobiliário, pois a grande maioria desses estudantes vivem em residências alugadas longe de casa, pois não são naturais das cidades onde se encontram os campus universitários. Os contratos imobiliários, na maioria, são lavrados para um ano de contrato, sujeito a multa se forem quebrados antes do período.

No que se refere a distribuição de bolsas nas provas de pós-graduação temos:
Em geral, os candidatos mais bem classificados recebem as bosas do CNPq (Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia) e os candidatos subsequentes recebem as bolsas da CAPES. Obviamente é valoroso receber qualquer bolsa, seja CNPq, CAPES ou FAPESP, sendo que o aluno se coloca com exclusividade de enquadramento, ou seja, não pode ter qualquer outra atividade remunerada em qualquer uma delas. As bolsas da FAPESP dependem da escrita de um projeto e excelentes notas do aluno. 


Abaixo a carta na íntegra:


COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR
Setor Bancário Norte (SBN), Quadra 2, Bloco L, Lote 06, Edifício Capes, 13° andar - Bairro Asa Norte, Brasília/DF, CEP 70040-020
Telefone: (61)2022-6004 e 2022-6002 - www.capes.gov.br




Ofício nº 245/2018-GAB/PR/CAPES

Brasília, 01 de agosto de 2018.
Ao Excelentíssimo Senhor
ROSSIELI SOARES DA SILVA
Ministro de Estado da Educação


Nesta
Assunto: Nota do Conselho Superior da Capes ao Ministro do MEC .
Referência: Caso responda este Ofício, indicar expressamente o Processo nº 23038.011597/2018-23.
Senhor Ministro,
O Conselho Superior da CAPES, reunido neste dia 01 de agosto, em debate sobre o orçamento da CAPES para 2019, deliberou pelo encaminhamento da presente manifestação sobre a elaboração da Proposta Orçamentária.
Preliminarmente, este Conselho saúda o empenho do Sr. Ministro no sentido de viabilizar a integridade orçamentária do MEC consagrado no artigo 22 da Lei de Diretrizes Orçamentárias 2019 (LDO). Esse processo exitoso resultou na manutenção dos valores de 2018 ajustados pela inflação como piso orçamentário para o próximo ano.
Em contraponto a essa importante conquista, foi repassado à CAPES um teto limitando seu orçamento para 2019 que representa um corte significativo em relação ao próprio orçamento de 2018, fixando um patamar muito inferior ao estabelecido pela LDO. Caso seja mantido esse teto, os impactos serão graves para os Programas de Fomento da Agência. Citamos aqui algumas das principais consequências nas linhas de atuação da Capes:

1. Pós-graduação
Suspensão do pagamento de todos os bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado a partir de agosto de 2019, atingindo mais de 93 mil discentes e pesquisadores, interrompendo os programas de fomento à pós-graduação no país, tanto os institucionais (de ação continuada), quanto os estratégicos (editais de indução e acordos de parceria com os estados e outros órgãos governamentais).

2. Formação dos Profissionais da Educação Básica
Suspensão dos pagamentos de 105 mil bolsistas a partir de agosto de 2019, acarretando a interrupção do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) (Edital n° 7/2018), do Programa de Residência Pedagógica (Edital n° 7/2018) e do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor) (Edital nº 19/2018).
Interrupção do funcionamento do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e dos mestrados profissionais do Programa de Mestrado Profissional para Qualificação de Professores da Rede Pública de Educação Básica (ProEB), com a suspensão dos pagamentos a partir de agosto de 2019, afetando os mais de 245.000 beneficiados (alunos e bolsistas - professores, tutores, assistentes e coordenadores) que encontram-se inseridos em aproximadamente 110 IES, que ofertam em torno de 750 cursos (mestrados profissionais, licenciaturas, bacharelados e especializações), em mais de 600 cidades que abrigam polos de apoio presencial.

3. Cooperação Internacional
Prejuízo à continuidade de praticamente todos os programas de fomento da Capes com destino ao exterior.
Um corte orçamentário de tamanha magnitude certamente será uma grande perda para as relações diplomáticas brasileiras no campo da educação superior e poderá prejudicar a imagem do Brasil no exterior.

Diante desse quadro, o Conselho Superior da CAPES apoia e solicita uma ação urgente do Ministro da Educação em defesa do orçamento do MEC que preserve, integralmente, no PLOA 2019 o disposto no Artigo 22 da LDO aprovada no Congresso Nacional.
Respeitosamente,
ABILIO A. BAETA NEVES

Presidente