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segunda-feira, 1 de maio de 2023

Existe mais de uma inteligência?

 Por muito tempo acreditou-se que única inteligência que existia era a inteligência lógico-matemática, sendo que quem não fosse bom nessa área do pensamento, não seria um gênio. Todavia um cientista norte-americano chamado Howard Gardner, na década de 1980, inovou essa concepção, trazendo a Teoria das Múltiplas Inteligências (TMI). Ele dizia que na realidade a inteligência lógico-matemática era apenas uma faceta de pelo menos 8 tipos de inteligências, sendo a inteligência existencial adicionada mais tarde, somando assim um total de 9 inteligências. 

Segundo o autor, cada pessoa tem um tempo e uma forma específica de aprender e de como  expressar esse aprendizado. Sendo assim, limitar a pessoa a somente uma única faceta de inteligência, seria o mesmo que excluir habilidades importantes de cada indivíduo. 

As inteligências elencadas por Gardner são:

1) Inteligência Lógico-matemática;

2) Inteligência Linguística;

3) Inteligência Musical;

4) Inteligência Espacial;

5) Inteligência Corporal-Cinestésica;

6) Inteligência Interpessoal;

7) Inteligência Intrapessoal;

8) Inteligência Naturalista;

9) Inteligência Existencial.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Por que o oprimido oprime tanto?

Quando eu estava no ensino médio e havia uma visita marcada a um local, ninguém tinha a opção de pensar em faltar na viagem ou visita, pois já era garantido que alguma coisa seria aproveitada pelo professor. Haveria algo na prova ou algum trabalho deveria ser feito com a temática da visita, passeio ou viagem.
Hoje em dia, com essas pedagogias fajutas, o professor dá a opção ao aluno: Só traga a autorização quem for!
Aluno não tem que ter escolha, aluno tem que acatar as atividades escolares.
É por isso que a aproximação familiar no contexto das atividades escolares é algo de extrema importância, tanto para o crescimento do elo entre educação e família, assim como da compreensão do estudante frente a hierarquia e respeito do professor como se fosse um dos responsáveis.
Sim! O estudante tem que respeitar o professor da mesma forma que deve respeitar o pai e a mãe.
O professor não deve ser encarado como um opressor, mas sim como símbolo de respeito. Isso é bem diferente do que se apregoa atualmente, onde o vilão do processo educacional é o professor.
Um professor jamais deve ser responsável por buscar resgatar o estudantes, pois essa é função da família. Se a família não insistir e participar do processo educacional, o estudante não vai nunca compreender a importância do estudo. Mas muito pelo contrário, vai encarar a escola como um ambiente de carcere.
Nas faculdades esse pressuposto não é trabalhado, dessa forma os atuais professores não possuem o ímpeto para cobrar dos governantes medidas imediatas para o fortalecimento do núcleo familiar. A tragédia escolar do Brasil só ocorre pois a família é definida como um cluster de pessoas, que muitas vezes não se apoiam, mas sim vivem em um confronto.
1) Você é professor? Então é sua obrigação cobrar dos alunos que participem de todas as atividades escolares, seja uma feira de ciências, um passeio ou uma visitação a algum ambiente educacional. É sua função cobrar e dar nota aos alunos e punir quem não participa.
2) Você é pai ou mãe? Então é sua obrigação se aproximar e ser ativo na educação de seu filho(a). Você não deve esperar que o professor seja o agente de 100% da educação escolar do estudante, pois você é responsável por ao menos 51% desse processo.
3): Eu não tenho tempo para participar da educação de meu filho(a)! Seu filho(a) é o bem mais importante que você tem, ele é superior a novela e ao futebol. Evite gastar tempo com essas besteiras e faça parte da educação de seu filho(a). No mínimo você vai entender todas as possíveis frustrações que ele(a) pode ter.
4) Eu não tenho conhecimento para ajudar meu filho!
Então aproveite para estuda junto dele(a), é sua chance de aprimorar o seu conhecimento.

Notem que não existe empecilho para melhorar a educação e, que a maioria dos problemas, não são de ordem financeira, não se relacionam com investimento no material escolar, mas se inicia muito antes disso, começa em casa.
Podemos ter nas escolas tablets no lugar de livros, podemos ter doutores dando aulas com salários de R$ 10000,00 reais, podemos ter ar condicionado nas salas, mas tudo isso ainda não vai melhorar o ensino se a família não entrar na equação.
Ou a família entra para ensinar o respeito ou os oprimidos vão continuar oprimindo!

sábado, 30 de novembro de 2019

Universidade Pública x Universidade Particular no Brasil.

Não encarem isso como arrogância, mas sim uma visão técnica, uma reflexão... Algo que deve ser sim discutido.
No fim do ano é comum vermos reclames na TV sobre universidades particulares, onde essas instituições dizem que o mercado quer um universitário de verdade e por isso é uma ótima escolha ir estudar em x ou y instituição privada.
Entretanto, existe um grande problema quando se faz uma comparação entre uma instituição particular e uma pública. Infelizmente quem faz um curso em instituição particular não consegue ter a chance de adentrar 100% no mundo da pesquisa. Existe grande diferença entre fazer um curso superior e fazer um curso superior/iniciação científica.


A universidade pública não prepara somente o sujeito para o mercado de trabalho, mas também prepara o estudante para uma carreira acadêmica. Não que isso não pode ocorrer em uma universidade particular, mas dificilmente a instituição tem condições para fomentar uma pesquisa de alto nível.
Quantos artigos são publicados em universidades particulares? muito poucos. Os artigos são o termômetro da qualidade da universidade, se a mesma não publica artigos significa que não desenvolve pesquisa. Vale ressaltar que no Brasil o escopo da universidade é ensino, pesquisa e extensão. Logo uma boa universidade não somente ensina, mas tem OBRIGATORIEDADE de pesquisar e pesquisa gera artigos. A extensão é a falha que existe em toda universidade, seja pública ou particular, uma vez que é o momento onde o que foi pesquisado é exposto ao público de forma funcional.
Ou seja, vocês que vão entrar no mundo acadêmico, NÃO CONFIEM em reclame de TV dizendo que uma universidade particular gera universitário de verdade, essas universidades somente preparam pessoas para o mercado de trabalho, mas não consegue gerar um acadêmico, já que não ensina na maioria das vezes como o cientista ganha seu pão de cada dia, em outras palavras, não ensinam como se publica artigos.

Fatos a serem pensados entre os pares.
1) Quem sabe com uma discussão sadia as universidades particulares também não modifiquem o modo de pensar e busquem novas formas de fomento que possibilitem o investimento em laboratórios por exemplo.
2) É uma porcentagem muito grande da população se formando todo ano em faculdades particulares sem que realmente entendam ou sejam apresentados ao escopo da pesquisa.
3) Se o aluno da universidade particular também não entender/desenvolver uma pesquisa e óbvio que vai se somar ao grupo daqueles que não se sentem afetados com o sucateamento da pesquisa brasileira.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

XII ENPEC - Impressões que ficaram.

No mês passado participei do XII ENPEC (Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências) e apresentei um trabalho onde discuti características dos livros de química do PNLD (Plano Nacional do Livro e Material Didático). O título do meu trabalho foi: Levantamento e Catalogação por Área dos Experimentos Práticos de Química Presentes nos Livros do PNLD. Quem se interessar e quiser ver o poster da apresentação oral pode encontra-lo no link acima (meu perfil do Research Gate).

O evento como um todo foi bastante interessante, pois é a primeira vez que o ENPEC ocorre na região Nordeste, no caso, sendo sediado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na cidade de Natal. Que por sinal é um local de extrema beleza, com praias muito bonitas e que no meio do ano, por ser inverno, as mesmas permanecem mais vazias. 

Figura 1: Ondas quebrando nas rochas.

Figura 2: Maravilhosa faixa de terra que se estende na direção do mar.

Todavia, o evento não é de turismo, mas sim de discussão sobre a área de ensino de ciências. O grande problema que notei no evento foi o enviesamento político. Obviamente o XII ENPEC tentou homenagear Paulo Freire (por isso de tanta discussão política) e uma professora chamada Marta Pernambuco. 

Eu percebo que discutir política e características sociais é importante, entretanto, existe uma necessidade de dosar isso, uma vez que, o objetivo que deveria ser alcançado (nesse caso o ensino de ciências) é  deixado de lado. É a mesma história de considerar a interdisciplinaridade algo mais importante do que a disciplinaridade. Não tem como eu falar de interdisciplinaridade se as bases mínimas não forem supridas. O mesmo se aplica ao tema ensino de ciências, para poder desenvolve-lo existe a necessidade de compreender sua base. Nesse caso, a base não se encontra exclusivamente nas temáticas políticas. 

Por incrível que pareça, dia após dia está mais difícil discutir Química, Física e Biologia com os professores da área de ciências. E isso vem ocorrendo pois, na graduação, o aluno que visa seguir carreira de professor é retirado do ambiente científico, dos laboratórios e das pesquisas de iniciação científica, para estudar características sociais. Na realidade um licenciando é quem precisa mais pisar no laboratório e gastar seu tempo com pesquisa em bancada. Não existe forma alguma de se ensinar Química em alto nível sem quebras de paradigma. O aluno que quer ser professor TEM necessidade de saber preparar um experimento, usar equipamentos laboratoriais e discutir em nível científico de sua área. Antes de ser um educador o aluno tem que compreender que ele é um Químico, ou um Físico, ou um Biólogo. Entretanto, não é isso o que vem ocorrendo.

Quando se questiona muitos alunos do último ano de licenciatura em qualquer área da ciência sobre como eles definem o termo "Ciências", os mesmo cometem o erro de considera-la como a própria natureza. E esse é um problema GRAVÍSSIMO! 

Muitas poucas pessoas conseguem compreender que a ciência só existe pelo simples fato do ser humano um dia começar a investigar a natureza e promover os famosos relatórios de dados (Agora você entende a necessidade de fazer relatórios!). A ciência como um todo deveria ser definida pelos formandos como sendo um modelo de interpretação da natureza, ou uma ferramenta que serve para promover a transposição do abstrato que se encontra na natureza para uma linguagem inelegível.

Logo os aspectos mais fundamentais da ciência não vem sendo discutido nesses eventos, o que  acaba por direcionar a forma com que os currículos serão elaborados para as próximas gerações de estudantes. É OBVIO que essa atitude terá graves consequências no futuro. Um evento de ensino de ciências (estou generalizando para todos os que vem ocorrendo nos últimos anos) tem que discutir mais ciência, para que a mesma norteie como os currículos devem ser elaborados.

Não adianta um aluno fazer um curso de Química e sair sem saber Química, pois o conteúdo do professor é completamente limitado.

Não adianta um professor de Química ter o diploma e não saber produzir uma solução de 0,5 mol de Sulfato de Cobre, partindo de 0,1 mol de Ácido Sulfúrico e 1,0 mol de Cloreto de Cobre. É laro que esse é um exemplo grosseiro, mas que se mostra uma grande barreira para uma infinidade de professores (em alguns casos o professor tem até medo de chegar perto do material laboratorial). 

Isso é extremamente preocupante.

Características das apresentações:
As apresentações no ENPEC se deram na forma de sessões dirigidas tematizadas (a minha foi sobre currículo), onde o poster de cada participante era projetado em um telão. Cada um tinha 10 minutos para apresentar, sendo que cada sessão continha em torno de uns 8 participantes. Após isso houve um momento de discussão (cerca de 40 minutos), onde a plateia e os próprios participantes podiam fazer perguntas entre si. Cada sessão dirigida levava em torno de umas 2 horas, sendo que diversas apresentações eram desenvolvidas simultaneamente por todo o campus da UFRN.

Também houve uma feira de livros, onde pude adquirir um exemplar da autobiografia do Planck e também o famoso livro Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan.  
Figura 3: Livros que comprei na feira do livro da física.


segunda-feira, 1 de abril de 2019

Por que os professores não conseguem dar aula?

Esse texto se relaciona com a forma com que o ambiente escolar foi elaborado. Deve ficar claro que não estou falando da função dos professores do ensino médio, mas do que é retirado de suas funções e do que é cobrado aos mesmos. Também quero que fique claro qual a função dos “estudantes” na nossa atual sociedade.

A primeira coisa que tem que ficar claro é que um estudante não é considerado um adulto na nossa sociedade, em outras palavras, não se enquadra como uma força de trabalho, logo não pode gerar frutos instantâneos para o estado, mas sim, representam um gasto. Dessa forma, existe a necessidade de preparar esses jovens para que se tornem força de trabalho.

Como ideia fundamental, o jovem precisa somente aprender a ler e escrever para que possa se tornar força de trabalho, sendo assim, precisa saber assinar contratos, saber identificar o preço de um produto, saber o que é esquerda e direita, olhar no relógio é conseguir falar as horas, ou seja, precisa saber o mínimo de funcionalidade padrão das cosias.

Analisando essa premissa podemos dizer que não faz sentido o que se desenvolve na escola, uma vez que o conteúdo não é muito importante para que se forme força de trabalho, principalmente, para patrões vinculados ao estado. Logo, toda a máquina estatal é interessada diretamente em uma força de trabalho, a qual, não necessariamente precise de larga instrução.

Contudo, para que ocorra o contrato de uma pessoa deve haver o status de maioridade. Tomando por base essa nova característica, os jovens se tornam um “peso” na sociedade, uma vez que não devem receber grande instrução, pois tornar-se-ão críticos no futuro e dessa desqualificando um estado interferente no cotidiano. Como resultado disso as escolas são elaboradas para ser um universo marginal ao mundo dos adultos. Os jovens não devem ficarem “soltos” na rua, pois se tornariam desocupados e começariam um processo anárquico em relação ao estado.

Esse diagnóstico de como o estado pensa o ambiente escolar, tornando-o uma marginalização da sociedade, implica na segunda coisa que tem que ficar clara. Qual a função da escola e dos professores?



As escolas têm como função servir de locais fechados e que mantenham os jovens (inúteis aos olhos do estado) separados das pessoas que são funcionais ao estado. Logo o professor não tem como função ser professor, mas sim um “carcereiro” que tem que manter um grupo de “marginalizados” calmos e quietos, todos juntos e sem o uso de agressão e punições físicas.

O caráter educacional realmente se inicia, quando o jovem determina se quer prestar vestibular ou se existe o incentivo familiar para que estude. Dessa forma, a consciência de que é necessário estudar surge no fim do período escolar, sendo que na maioria das vezes os estudantes escolhem fazer um cursinho pré-vestibular. Nesse estágio o professor consegue agir como professor e o conteúdo de mais de 12 anos de estudo começa a ser relembrado durante um período de aproximadamente 1 ano. Esse fato deixa claro que o conteúdo específico oferecido nas escolas pode ser sintetizado em alguns poucos meses, implicando no fato de que o período escolar tem como função manter os jovens dentro das salas de aula e longe das ruas.

Como um todo, o professor age realmente como um professor somente no nível universitário, tendo grande autonomia e uma maior notoriedade para desenvolver as suas aulas, pesquisas, orientações, transposições didáticas e produção de conhecimento.

Em resumo, o fato que faz com que a educação seja praticamente inexistente no Brasil é que os jovens são colocados a margem da sociedade e considerados como força de trabalho futuro e não força intelectual futura. Obviamente a classe dos professores que operam no ensino fundamental e médio se encontram limitados na ação professoral, principalmente no que se refere a função didático pedagógica.

Exemplos de países que deixaram para trás essa cultura de que há primeiramente a necessidade de força de trabalho e depois a força intelectual, são os mesmos que se encontram com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais altos, como por exemplo: Países Escandinavos, Finlândia, Alemanha, Suíça, Bélgica, Inglaterra, Canadá, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Coreia do Sul e Japão. Mais recentemente também existe um início de modificação de pensamento no Chile também. Essas características da mudança do pensamento educacional implicam diretamente no desenvolvimento da sociedade.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Quais as Vantagens e Objetivos da Participação de Eventos Acadêmicos?

Essa será a primeira postagem de 2019, vou tentar manter um fluxo de ao menos uma postagem por mês. No fim dessa postagem deixo duas perguntas e suas respectivas respostas sobre as vantagens e objetivos de participação de ventos acadêmicos.

Nessa postagem vou dar acesso a um trabalho que fiz e apresentei em um simpósio na cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Esse evento foi o SINECT (Simpósio Nacional de Ensino de Ciências e Tecnologia) e ocorreu dentro do campus da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná).

Foto 1 - Capela dentro da UTFPR

Foto 2 - Biblioteca Tecnológica Affonso Alves de Camargo.

Foto 3 - Típica árvore (conífera) dessa região do Paraná.

O meu trabalho teve o título: Estudo do Desenvolvimento do Espírito Científico em Aulas de Química Geral com a Aplicação do Método Científico. Quem quiser pode ter acesso ao PDF nos Anais do evento (basta dar um Control + F e colocar na caixinha de texto o título do trabalho).

Esse simpósio foi bastante interessante pois os trabalhos precisaram ser escritos na forma de artigos de no máximo 8 páginas. A apresentação dos mesmo se baseou em duas formas, no caso pôsteres para alguns trabalhos e para a grande maioria as chamadas sessões dirigidas.

Uma sessão dirigida se baseia em apresentações orais de no máximo uns 5-7 minutos, onde um coordenador organiza as apresentações e cria uma problemática para poder desenvolver uma discussão entre os apresentadores e também com contribuição da plateia. As sessões eram divididas em áreas temáticas, sendo que a várias ocorreram ao mesmo tempo em salas diferentes do campus da universidade. 

Além das sessões dirigidas e dos pôsteres, também ocorreram minicursos, mesas redondas, lançamento de livros e palestras com convidados nacionais e internacionais.

Foto 4 - Sensor de temperatura de baixo custo utilizado em microcontroladores (temática do minicurso que fiz durante o evento).


Qual a vantagem de participar de um evento?
A grande vantagem de participar de eventos como simpósios e congressos, não é somente a de apresentar o que você pesquisa, ou de ver novos trabalhos na sua área temática, mas sim a de criar uma rede de conexão com outros pesquisadores e instituições. Por isso, participar de eventos de abrangência nacional e, principalmente, internacional são ações imprescindíveis para um estudante. A baixo vou deixar 3 exemplos de situações que foram muito proveitosas nesse simpósio.

1) Um amigo que fiz no simpósio, recebeu um convite para tentar um mestrado acadêmico na UTFPR, detalhe, ele é de Manaus (4 mil quilômetros de distância de Ponta Grossa) e somente iria saber que sua área tem um campo forte no Paraná através do evento. Ele então tirou a sorte grande? ... NÃO! ... Isso não tem nada a ver com sorte, mas sim com espírito de querer crescer academicamente.

2) Na casa que fiquei (via Airbnb, o que deu MUITO CERTO!!!), conheci esse meu amigo que citei acima e mais um rapaz que veio da cidade de Araraquara (vizinha de São Carlos, que é onde moro). Durante a janta, nós três desenvolvemos uma discussão muito longa sobre ensino de ciências, ensino especial, epistemologia, abordagens metodológicas, política e até de música. Ou seja, discussões proveitosas como essas só acontecem quando pessoas com diferentes pontos de vista se reúnem, fato esse que dificilmente vai ocorrer dentro de um grupo onde todos pensam da mesma forma.

3) Na minha sessão dirigida conheci uma moça que apresentou um trabalho com temática de ensino de química quântica, o que foi muito interessante, pois eu tenho mestrado em uma abordagem de mecânica quântica chamada DFT - Density Functional Theory (quem se interessar sobre o que pesquisei é só clicar aqui: Dissertação). Após a sessão dirigida ficamos um bom tempo conversando sobre como essa área da química é trabalhada tanto no ensino médio quanto no ensino superior. Como o doutorado dela ruma nessa área, a nossa discussão se mostrou extremamente proveitosa para ela, uma vez que, dificilmente, alguém com o tipo da minha formação se encontra na área de educação. Ou seja, somente em eventos grandes você consegue encontrar gente com formações mais distintas possível. 

O que buscar ver num congresso ou simpósio?
Pelo contrário do que se imagina, não é o ideal participar somente de apresentações ligadas a sua área, mas sim buscar trabalhos que visam outras abordagens. Essa estratégia serve para que seu repertório frente a discussão científica cresça e, assim, seus interesses não sejam somente pontuais. Eu por exemplo, além de participar da minha sessão dirigida, a qual tinha o tema de ensino de química, também participei de sessões que envolviam políticas públicas e ensino para surdos, o que me ajudou a tomar melhores rumos quando discuto esses temas atualmente.


domingo, 25 de novembro de 2018

O Primeiro Obstáculo Epistemológico.

Uma das coisas que mais chamam atenção na aulas de Química são as inesperadas mudanças dos aspectos qualitativos das substâncias. As primeiras características que mais chamam a atenção se relacionam com as mudanças de cores dos compostos e em segundo lugar as mudanças de estado físico dos materiais.

Utilizar essas estratégias para compor uma aula de Química é de extrema necessidade, entretanto, essas características, as quais são conhecidas como evidências de reação, não podem ganhar a importância química por si mesma. Em outras palavras, o efeito do chamado "Primeiro Contato" ou mesmo somente a beleza do fenômeno não pode se tornar mais importante do que o próprio fenômeno.

O efeito do Primeiro Contato é considerado como um Obstáculo Epistemológico, teoria criada pelo filósofo francês Gaston Bachelard. Segundo ele, um Obstáculo Epistemológico seria tudo ou qualquer coisa que fizesse com que um aprendiz desenvolvesse rotas errôneas em relação a um conceito. Bachelard enunciou 10 obstáculos, mas hoje vamos nos concentrar somente no primeiro deles (Primeiro Contato).


Na figura acima temos quatro soluções coloridas de sulfatos. A primeira é de Sulfato de Níquel, a segunda de Sulfato de Cobalto, a terceira de Sulfato de Cobre e a última Sulfato de Ferro. Essas soluções podem ser utilizadas para diversas reações químicas, envolvendo hidróxidos, ácidos e calor. Reações essas facilmente encontradas em livros como o Vogel.

Uma abordagem interessante para com essas substâncias é tentar utiliza-las trazendo alguma coisa do cotidiano que chame a atenção para as evidências de reação. Por exemplo, seria muito simples utilizar arquétipos das cores com a cultura popular. O verde poderia se ligar ao personagem Hulk dos quadrinhos, o vermelho ao Homem Aranha, o azul ao Capitão América e o Amarelo ao Homem de Ferro. Obviamente essa seria uma estratégia que faria os alunos chamarem a Aula de Evidências de reação de Aula dos Vingadores.



A princípio pode parecer muito legal essa abordagem, uma vez que é de extrema criatividade tomar essa temática para compor uma aula que chame a atenção e leve a uma memorização embasada nas cores. Se somente as cores dos personagens servirem de gatilho para a atenção dos alunos para com a aula de evidências de reação, não há problemas, contudo, se a temática se tornar superior ao fenômeno, a mesma adentra no aspecto de Obstáculo Epistemológico.

Um exemplo se dá com o aquecimento do Sulfato de Cobalto, o qual a se desidratar modifica sua coloração, passando de um vermelho forte para um azul escuro, como pode ser visto na figura abaixo.


Essa é a mesma reação do Galinho do Tempo, o qual indica se a atmosfera está úmida ou muito seca embasando na coloração. Se para o aluno a fenomenologia que envolve um complexo não ficar clara o suficiente, toda a problematização e contextualização foi inútil. Na temática da aula dos Vingadores, pode ocorrer um segundo agravante ainda, o aluno pode crer que com o aquecimento a solução do Homem Aranha se transforma na solução do Capitão América. Por isso, antes de se desenvolver uma aula onde o objetivo seja desenvolver as evidências de reação, existe a imprescindível necessidade de se evirar a possibilidade de contextualizações errôneas e a formação de analogias.

Como um todo para Bachelard, o aprendizado pleno somente ocorre quando o aprendiz consegue vencer todos os Obstáculos Epistemológicos em relação a um conteúdo. 

Para mais detalhes sobre os Obstáculos Epistemológicos deixo a seguir o link para download do  livro de Gaston Bachelard: A Formação do Espírito Científico.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O que é e para que serve o PNLD?

Como havia dito anteriormente, eu quero fazer um resumo sobre os livros do PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático), mas antes é preciso compreender o que é, por qual motivo e como foi criado o PNLD.


O PNLD se baseia no Decreto 9099 de 18 de Julho de 2017, o qual garante dentro de 3 capítulos todas as atribuições contempladas. No geral, o programa visa distribuir por todo o território nacional livros das disciplinas que enquadram deste o Ensino Fundamental até o Ensino Médio público. Entretanto, existe também a cobertura do programa para instituições filantrópicas e ongs que se vinculam ao governo. Dentre o material didático que o PNLD trabalha, estão enquadrados os livros de todas as disciplinas, além de materiais como os dicionários e softwares educacionais.

O histórico do PNLD é de 1929, sendo que não tinha denominação, sendo que, até 1995 o programa não possuía uma regularidade tanto temporal, organizacional, quanto de séries e disciplinas que poderiam ser contempladas com os livros. Atualmente, o PNLD é o maior sistema de distribuição de algum material pelo Brasil, sendo que supera até mesmo a distribuição de vacinas. Todo o procedimento de logística é encabeçado pelos Correios e cobre mais do que 140 mil escolas por todo o Brasil. Vale ressaltar ainda que o estado de SP recebe os livros, entretanto se utiliza dos chamados "caderninhos", que em teoria auxiliam na contextualização e na construção de aulas por parte dos professores.

O processo de atualização do material didático se dá de forma periódica em ano sim e ano não, sendo que para isso, os livros são analisados por uma junta de especialistas vinculados ao governo, com a finalidade da escolha dos melhores materiais. Para a adição de obras ao PNLD, os autores devem anexar no sistema do MEC o material, para que haja a análise do conteúdo, o qual já é estudado previamente para que uma obra não se destoe bruscamente da outra. 

No que tange as escolas, elas atualmente possuem autonomia para a escolha das obras que serão utilizadas, desde que os professores das disciplinas e o diretor da escola, analisem e indiquem o material que se adeque melhor ao projeto pedagógico da sua instituição de ensino. 

No que se refere ao financiamento de todo os material do PNLD, existe um órgão de fomento competente, denominado FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimentos da Educação), que repassa o dinheiro para a confecção do material, assim como, de sua distribuição.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Nova Proposta: Livros de Química do PNLD.

Tenho notado que um dos posts mais relevantes do blog é a matéria sobre os livros didáticos do curso de Química. Em breve trarei um esquema semelhante para livros de Química do ensino médio e que estão dentro do PNLD.


Para um professor é bastante importante saber qual o livro didático é o melhor para trabalhar. Essa escolha se baseia no estilo do professor e da escola, por isso, conhecer o conteúdo que tem no livro pode melhorar muito a produção de aulas.

Irei fazer uma análise dos livros, não pretendo coloca-los para o download, devido ao fato dos direitos autorais. Entretanto, qualquer professor tem acesso ao livro digital, através de uma chave que o diretor pode pedir no site do MEC.

A princípio o que vale ressaltar sobre esses livros é que eles não são volume único, mas sim, dividido em 3 tomos.

domingo, 5 de agosto de 2018

Vamos entender como a pós-graduação usa a verba pública?

Mais uma vez faço uma postagem referente ao alarmante momento que a ciência brasileira passa. No caso, temos um vídeo onde existe a opinião de duas pessoas vinculadas ao meio acadêmico, no caso o meu amigo Kalil Bernardino, que é pós-doutorando na USP da cidade de São Paulo e a minha opinião, que sou doutorando da USP da cidade de São Carlos.
O vídeo é um podcast no início, mas a partir dos 9:48 minutos eu adicionei na integra o vídeo explicativo do Kalil, tendo como objetivo esclarecer, principalmente para a população que não se encontra no meio acadêmico como as coisas funcionam.


É muito importante se informar de como é a burocracia científica, para que todos comecemos a dar mais valor ao esforço gigantesco que nossos pesquisadores fazem com tão pouca verba.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Como Surge a Divulgação Científica - Segunda Parte.

Nesse vídeo, apresento a segunda parte sobre o que é e como surge a Divulgação Científica. No caso, mostro a definição criada por Philippe Roqueplo no ano de 1974, a qual serviu de base para compreender o que estava ocorrendo educacionalmente na segunda metade do século XX.


Além disso, também é criada uma lei no ano de 1980, a qual obrigava todos os canais norte-americanos a terem em sua grade semanal, ao menos um programa da área de ciências. Dessa forma surge em 1980 o programa Cosmos, o qual era apresentado por Carl Sagan e em 1992 o famoso The Beakman's World, apresentado por Paul Zaloom. Nesse escopo surge então um questionamento: Como identificar um programa de Divulgação Científica?

Figura 1: Carl Sagan  X  Paul Zaloom.

O questionamento surge, pois um programa de Divulgação Científica, devia se utilizar de termos corretos de ciências e não de possíveis animismo, o que era e é algo errado didaticamente.

A primeira parte desse texto pode ser encontrada no seguinte link: Como Surge a Divulgação Científica - Primeira Parte.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Como surge a Divulgação Científica? Primeira Parte.

O que é Divulgação Científica?
Essa é uma pergunta que iremos tentar responder nesse vídeo e também em vídeos posteriores, uma vez que o assunto é bastante amplo. Todavia, nesse vídeo, vamos começar com o contexto histórico, que é bastante singular e interessante de ser discutido.


A Divulgação Científica é um fenômeno e atividade que se inicia durante os anos de 1950, principalmente nos EUA, durante o período da Guerra Fria. Nesse período ocorreram desenvolvimentos tecnológicos bastante relevantes e, que ajudaram a formalizar uma mudança no escopo científico.

O primeiro satélite artificial desenvolvido, foi o Sputnik I, baseado em tecnologia Soviética do fim dos anos 1950.

O grande intuito da Divulgação Científica era o de fazer com que a ciência fosse apresentada o quanto antes para às pessoas, sendo que dessa forma, haveria mais probabilidade de inspirar a carreira científica e, assim, a popularizar. Dessa forma, as escolas começaram a se adequar a uma nova metodologia de ensino, conhecida como Ensino por Descoberta. Para que se adequassem a essa nova estratégia, laboratórios e feiras de ciências, começaram a serem comuns nas escolas. Além disso, a mídia começou a fomentar também artigos e programas na área de ficção científica, ajudando em muito na popularização da ciência.

A primeira pessoa a definir o termo Divulgação Científica, foi o francês Philippe Roqueplo, no ano de 1974. Ele tentava explicar o fenômeno da popularização da ciência e, qual a necessidade de ocorrer.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Como fazer provas de alternativas de múltipla escolha?

Nem sempre, fazer provas de vestibulares são atividades fáceis, sendo que se exige uma outra competência além do conteúdo específico de cada matéria. Essa competência é o saber fazer provas.

Atualmente é muito comum que as provas de vestibular, concursos e até mesmo de seleção para a pós-graduação sejam no formato de questões com alternativas. Dessa forma é muito importante saber como fazer esse tipo de prova.

Nesse vídeo eu discuto 6 passos importantes que auxiliam em como fazer provas de alternativas de múltipla escolha e que podem ajudar muito a fazer uma boa prova de vestibular.


Os 6 passos são:

1 - Ler a prova inteira (inclusive a proposta de redação) antes de inicia-la: Isso te auxilia a conhecer a prova e já ir traçando uma estratégia para resolve-la. Assim você consegue determinar por qual área ou disciplina iniciar a prova. Além de conhecer a proposta de redação (quando se exige redação no mesmo dia), ler a prova muitas vezes ajuda a ter ideias para compor melhor sua redação, pois, baseando no tipo de questões, você geralmente consegue traçar uma boa estratégia de texto dissertativo. Em outras palavras, a redação se esconde entre as questões.

2 - Iniciar a prova pela área que você tem mais facilidade: Isso, obviamente, vai de pessoa para pessoa, mas é importante não somente iniciar pela área que você considera mais fácil, mas também, pela área que vai te garantir mais pontos. Algumas provas de vestibular atribuem pesos às disciplinas que são correlatas com a sua área escolhida. Por exemplo, em medicina uma matéria que tem peso dobrado é biologia, portanto, conseguir uma boa nota nessa matéria é essencial.

3 - Saber identificar questões que você não sabe responder: Uma das coisas mais importantes a serem pensadas para se fazer provas de múltipla escolha, se relacionam com o fato da prova ter um tempo limitado para ser feita. Dessa forma, você não pode perder tempo em questões que não sabe responder. Saber identificar esse tipo de questão é uma das habilidades mais importantes que se espera de um postulante a uma vaga na universidade. Uma forma de se evitar isso é montar uma estratégia de marcação de respostas, como por exemplo, anotar no rodapé da página o número da questão e a alternativa escolhida. Essa estratégia, além de fazer você ganhar tempo e evitar erros na passagem para o gabarito, te auxilia a identificar o que você não sabe fazer, uma vez que você não tem tempo para ficar voltando e refazendo questões passadas.

4 - Sempre responder as questões se embasando no bom senso: Em geral, sempre existem alternativas em uma questão de múltipla escolha, que são absurdas ou muito extrapolativas, em outras palavras, que são facilmente identificáveis como erradas. Grande parte da resolução de questões, nesse caso, seja de múltipla escolha ou mesmo dissertativas, se passam pela necessidade de se aliar o conhecimento ao bom senso. Nunca deve-se orientar ao absurdo, na resolução de um problema de vestibular. Podem existir questões que estão com caráter das famosas "pegadinhas", entretanto, elas são a minoria nas provas.

5 - Sempre levar em consideração a primeira impressão: Essa dica está relacionada com um momento que você fica em dúvida sobre duas alternativas. Em geral, se você estudou para a prova, além de haver uma confiança mais preponderante, quando se depara com uma questão que gera dúvida, você fica em dúvida entre a alternativa certa e uma "quase certa". Nesse caso, para conseguir escolher da melhor forma possível qual assinalar, é interessante acreditar na questão que deixa a "primeira impressão". Muitas vezes, o conteúdo de uma matéria se encontra salvo em nossa cabeça, entretanto, por causa do nervosismo fica difícil de se lembrar da resposta. Dessa forma, é importante acreditar em sua intuição pois, grande parte do conteúdo fica armazenado no subconsciente e, quando ocorre esse travar, frente uma questão, o subconsciente entra em funcionamento e começa a tentar a chamar nossa atenção para um determinado fato. Esse fato fica explicitado na "primeira impressão".

6 - Se for chutar, chute de forma aleatória: Antigamente, provas como a FUVEST (provas com 10 -12 questões de múltipla escolha por matéria), garantiam ao menos uma ou duas "letras" (alternativas) repetidas no conjunto de respostas (gabarito) de uma matéria. Em outras palavras, se você fosse chutar em uma letra só para uma matéria, teria em torno de 20% a 22% de chance de acertos. Atualmente, esse fato não é mais verdade, sendo que, se atribui mais aleatoriedade do editor das questões, a fim de evitar alguma periodicidade ou estilo pessoal, que possam ser decodificados. Assim, se a prova está chegando ao fim e, não há mais tempo para tentar ler as questões, se usar de bom senso e da primeira impressão... você tem que chutar de forma aleatória, evitando criar padrões. Isso é importante pois, como o editor não se baseia em padrões para fazer a distribuição das alternativas repetidas, é mais garantido acertos se você não tentar chutar em uma única "letra", ou criar um padrão de chute.

Para finalizar, é importante lembrar que essas dicas só surtem efeito se o candidato treinar fazer esse tipo de prova, além de estudar bem o conteúdo de cada matéria. Pode parecer óbvio até, mas esse não é um modelo de como fazer uma pessoa passar no vestibular, mas sim, auxiliar na execução da prova. Sem estudar, nenhum modelo é capaz de fazer milagre!


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Paulo Freire - Influenciadores e ideologia.

Quando iniciamos nossa carreira em educação, somos apresentados ao Freirismo dentro da universidade. Esse termo Freirismo se remete ao pedagogo brasileiro Paulo Freire, que hoje é considerado mundialmente como o maior expoente em pedagogia, sendo o mais citado dentre os especialistas dessa área. 

Entretanto, existe um contraponto importante no que tange Paulo Freire e que não é discutido.

Atualmente, quando iniciamos uma pós-graduação em educação, é extremamente comum dentro da ementa curricular existirem matérias de cunho marxista e isso se dá pois, o grande expoente da área de pedagogia ser um marxista, em outras palavras, Paulo Freire desenvolveu sua teoria baseada na doutrina marxista. 

Um dos grandes influenciadores de Paulo Freire e, quem sabe o maior influenciador foi Antonio Gramsci. Dessa forma, antes de falarmos sobre o pedagogo brasileiro vamos falar um pouco sobre quem o influenciou. 

Atonio Gramsci foi um político, escritor, filósofo, crítico de literatura e jornalista italiano, nascido na Sardenha a 22 de janeiro de 1891, falecendo em Roma a 22 de abril de 1937. Ganhou influência dentro da política pois escrevia para um jornal marxista no período em que muitos Sardos vinham para a cidade de Turim, onde estava sendo desenvolvido um processo de industrialização. Devido ao fato de se encontrar no mesmo estado de pobreza que essas pessoas, que buscavam sindicatos para se organizarem, Gramsci se afiliou ao Partido Socialista Italiano, iniciando sua careira dentro da política.

Além de sua vida política movimentada, a qual não vou entrar em maiores detalhes, Gramsci desenvolveu teorias as quais foram muito bem aceitas entre as minorias. Entretanto, existia um outro lado da moeda nessas teorias. 

Um dos trabalhos mais citados de Gramsci é a teoria marxista da Hegemonia Cultural, onde em resumo, podemos dizer que existe uma luta de classes existente entre culturas, sendo que uma cultura de uma determinada classe social imprime uma dominação ideológica sobre a outra. No caso, obviamente ele se referia à burguesia e aos operários.

O grande problema da Hegemonia Cultural é que ela ensinou e ajudou a criar um movimento, bastante estudado por Saul Alinsky (um escritor e filósofo que morou nos EUA e que podemos discutir um pouco mais em outra postagem), que expressava o fato de que uma revolução primeiro tem que ocorrer no contexto cultural e depois se alastrar para o meio político, uma vez que, quando se tem uma nova hegemonia cultural, se consegue impor uma nova política.

Dessa forma, se iniciou o que podemos chamar de um semear de pequenas sementes marxistas dentro de todas as principais áreas que representam os pilares da sociedade, ou seja, ideais marxistas começaram a serem plantadas (no início e meio do século XX) dentro das instituições educacionais, religiosas e também políticas. Com o passar do tempo essa "nova cultura" iria crescer (e cresceu!) e abrir caminho para a implantação da mudança política.

No caso, a ideia desses filósofos e políticos era trazer a tona o marxismo na sociedade e sobrepujar outras culturas. A princípio pode parecer irônico o fato de uma ideologia que se diz em prol de uma democratização querer impor uma ideologia única, entretanto, tudo sempre foi muito bem calculado, com o intuito de uma maior dominação de cunho político.

A ideia sempre foi buscar em diversas minorias um poder político e, implantar doutrinas onde essas minorias se identificassem e começassem a crer que sempre pensaram daquela forma. Isso fazia com que essas minorias começassem a perpetuar grupos políticos no poder, pois consideravam que esses grupos visavam as melhorias da sociedade. Obviamente, essa estratégia foi agregada dentro da educação.

Paulo Freire, por mais bem intencionado que fosse, bebeu da fonte dos criadores desse processo de consolidação do marxismo como a base fundamental do que tange a educação. Atualmente, em centros de pesquisa educacional nos países da América Latina, Ásia, Europa e até mesmo EUA, é quase impensável não se usar de estudos marxistas.


Nessa imagem temos uma escultura que se encontra em Estocolmo na Suécia, com alguns expoentes do marxismo, sendo que além de Paulo Freire (segundo da esquerda para a direita) temos Pablo Neruda e também Mao-Tsé-Tung (ditador e genocida chinês). Os ideais marxistas acabam por visar o marxismo como imaculado, logo, quem o exalta não seria um "criminoso", mas sim um revolucionário que buscava a igualdade popular.

Torna-se muito claro que o processo da Hegemonia Cultural foi muito bem implantado na sociedade, principalmente no que tange a educação, sendo que, não existem outras formas de estruturação de cursos de formação de pedagogos sem que esses tenham uma base marxista como o seu único horizonte.

Isso por sua vez, acaba por culminar diretamente nas escolas, que se tornam redutos de marxismo. Obviamente, os culpados pela não existência de uma pluralidade frente às ideologias de esquerda e direita na educação não é de responsabilidade do professor da escola, mas sim, de quem forma esses profissionais, em outras palavras, dos responsáveis pela criação de ementas curriculares de cursos de graduação e também de pós-graduação.

Em próximas publicações iremos dar continuidade a essa discussão e, tentar compreender se existe alguma forma de coibir a consolidação de ideologias dentro da faculdade e consequentemente das escolas e sociedade como um todo. Também vamos discutir um pouco de como Paulo Freire trabalhou sua pedagogia, passando um pouco sobre as ideias de opressão e discussão política como algo importante no processo de construção do cidadão. 

domingo, 23 de julho de 2017

Primeiras impressões sobre o contato com a docência no ensino superior.

Esse ano eu tive a chance de assumir algumas aulas do curso semi-presencial de Ensino de Ciências da USP de São Carlos. Ministrei aulas de três disciplinas, sendo elas, Ensino de Ciências, Didática e Diversidade do Currículo Pós-LDB.

Dentro da minha experiência com ensino, ainda faltava o contato com o ensino superior, sendo que essas disciplinas me deram uma boa bagagem conceitual, uma vez que, os entraves existentes num curso semi-presencial no escopo da graduação são bem mais complexos do que em um curso presencial.

Em um curso semi-presencial, o sistema on-line é de extrema importância, tanto para o educador quanto para o estudante, uma vez que, grande parte da avaliação dos trabalhos e atividades são feitas com o auxílio de uma ponte virtual, em um banco de dados, que conecta o estudante e o corretor.

Devido ao contato atual das pessoas com plataformas interativas, redes sociais e conexão remota de alta velocidade, faz com que o rótulo em relação a um curso à distância ou semi-presencial acabem por criar um engôdo ao primeiro contanto com o curso.

Tanto para o educador, quanto para o estudante, pode parecer que o sistema ou plataforma, garantem uma grande proteção no que tange o desenvolvimento das atividades, entretanto, existem momentos específicos para que as mesmas sejam feitas. As atividades são liberadas à partir de um determinado dia e necessitam que os alunos façam a mesma durante um prazo estipulado. O diferencial disso tudo é que o aluno não consegue conversar com o professor para conseguir negociar e alterar o dia de entrega de uma atividade, havendo assim, uma grande necessidade do mesmo conseguir se organizar para desenvolver um curso superior.

Assim, torna-se claro que um curso semi-presencial, é muito indicado para pessoas que já tiveram algum contato com a graduação, que trabalham dentro de um regime que carece de organização, ou então, que possuem tempo para se aplicarem ao curso dentro dos períodos estipulados para o curso.

Obviamente, os exercícios não ficam aberto durante um único dia durante um período inviável, muito pelo contrário, os mesmos ficam abertos para depósito on-line por alguns dias, ou seja, os mesmo podem ser depositados até mesmo em períodos bastante alternativos. Dessa forma, as desculpas que alunos tentam geralmente dar, referente ao curto espaço de tempo, acabam sendo desconsideradas, uma vez que uma atividade ficar aberto para depósito por um período relativamente longo de tempo.

Um fato muito importante a ser considerado é que algumas vezes uma plataforma pode cair e dessa forma, perder dados que não estava ainda salvos, o que acaba por trazer reclamações, uma vez que as atividades são perdidas. Por isso, é importante que os alunos sempre façam backup do material, tendo em vista que, qualquer sistema on-line corre o risco de cair e sair fora do ar. Essa característica se mostra como um ponto crucial dos entraves desse tipo de ensino.

Por parte do educador, existe uma necessidade intrínseca do acompanhamento das atividades on-line, para compreender a evolução dos alunos e, também, de se manter atualizado referente ao material disponibilizado semanalmente aos alunos, sendo preciso fazer sempre o download dos mesmos, para que dessa forma, caso o sistema caia, o educador tenha salvo todo o conteúdo.

Cabe ao educador também, não só cobrar as atividades presenciais, mas, desenvolver e aplicar aulas durante os encontros. Em outras palavras, o educador possui uma grande responsabilidade em relação ao aprendizado dos alunos , uma vez que, o aprendizado não se dá somente com os vídeos, o estudo on -line, com a leitura de textos e entrega de atividades, sendo que, se não existe um esquema de tutorias, onde alguém trabalhe respondendo às dúvidas dos alunos, o professor necessita sim aplicar aulas e, dessa forma, conseguir suprir todas as questões dos alunos, sendo que, em muitos encontros, as atividades presenciais podem ser deixadas para serem feita em casa e entregues no próximo encontro.

Como resumo da experiência, consegui notar que os entraves de um curso semi-presencial acabam ocorrendo pela falsa comodidade, tanto dos alunos quanto dos educadores, em relação ao sistema, uma vez que o mesmo tem um escopo de praticamente não comprometimento pessoal, devido ao fato do curso parecer ser virtual, já que, o contato e o deslocamento físico, de ambos os sujeitos envolvidos (educador e educando) é quase que inexistente. A necessidade de deslocamento físico, acaba por forçar o aprendiz a ter um pouco mais de responsabilidade em relação ao curso, uma vez que, dentro de uma sala de aula, a tendência é do aluno seguir um período, dia e horário que delimitam o curso, isso faz com que a definição do que é uma disciplina seja mais presente na mente do aluno. Enquanto o aluno se mantém em casa, sem compreender a amplitude do curso que escolheu fazer e, da responsabilidade envolvida no processo, a compreensão referente ao que é uma graduação, acaba por não ser desenvolvida.

Em breve, pretendo trazer algumas informações sobre como é o processo de construção de um curso semi-presencial e quais os conteúdos que apliquei nessas disciplinas da USP aqui de São Carlos.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Como montar um apoio para o desenvolvimento de uma aula.

Muitos formandos na área de licenciatura em ciências, muitas vezes, se preocupam bastante com a estruturação de suas primeiras aulas. Essa preocupação excessiva, acaba por fazer com que o professor inexperiente cometa alguns erros bastante simples durante a execução de sua aula.

Devido ao fato das ciências naturais dependerem muito de demostrações, o professor acaba ficando com receio de não saber desenvolver uma demonstração específica, seja ela experimental ou mesmo teórica. Entretanto esse medo não surge do professor não acreditar que sabe pouco sobre o conteúdo, mas sim, da falta de confiança em estruturar a aula como um todo.

Dessa forma, hoje trago uma dica para professores mais inexperiente, dica essa que auxilia bastante na composição do discurso da sua aula.

Pense da seguinte forma: 
O professor se posiciona como um interlocutor, semelhante a um vendedor ou apresentador, o qual quer vender um artigo, sendo que, nesse caso, o artigo a ser vendido é o conteúdo disciplinar de uma frente científica. Em outras palavras, quando o professor é inexperiente, ele deve montar um script da aula que vai dar. Consequentemente o professor pode agir em seu discurso como se fosse um ator, uma pessoa que tem uma base formulada por de trás.

Entretanto, como montar um script de uma aula?

Primeiramente, devemos lembrar que a aula não pode ser conduzida no formato de um seminário, ou seja, a aula nem sempre é linear e com fluidez, mas sim, interativa, com aberturas aos questionamentos, seja do professor para com os alunos ou mesmo dos alunos para com o professor. Dessa forma, o script que se monta deve contemplar todos os tópicos da aula, porém, não deve se prender aos aprofundamentos do conteúdo. Em outras palavras, o script vai servir para o professor conseguir montar uma estratégia de como desenvolver a aula.

O script não tem o conteúdo propriamente dito e explícito, mas sim, comporta-se como um mapa, para que o seu executor consiga se situar em qual momento ou situação da aula o professor se encontra.

Assim, um script mostra que, uma aula, deve ser dividida em partes, sendo bastante comum dividir a mesma em uma parte de introdução, onde se tem uma contextualização com a finalidade de explicitar um problema aos alunos, um momento de adentramento na teoria e por fim um clímax, que corresponde a explicação de como se resolver o problema apresentado e teorizado.

Inicialmente, se aconselha montar um script que se encaixe em uma folha só, pois, torna-se fácil a observação de qual o momento que o professor se encontra, entretanto, com a experiência, o script acaba ganhando contornos de um sumário de aula. Essa outra forma de se organizar para a ação de uma aula, se baseia na organização de um mapa, onde ficam explícitos somente os tópicos e títulos que serão abordados.

Abaixo, trago um exemplo, que se situa como um híbrido de script e sumário de aula. Nesse caso, temos um script que montei para uma aula de ensino de ciências, o qual ofereci para uma turma do curso semi-presencial de Licenciatura em Ciências da USP de São Carlos. Nesse encontro, contemplamos duas aulas inteiras, já que é uma turma do curso de ensino à distância (EAD) e, dessa forma, já tinham tido contato com o conteúdo mais extenso em casa.

O tema dessa aula se baseou em Ciência e Conhecimento, ou seja, um contexto bastante inicial para um curso de Ensino de Ciências.


Ciência e Conhecimento 


1) O que é Ciências?
* Definição de Ciências – Ferramenta humana para interpretar (dar um significado cognitivo ao abstrato) fenômenos naturais e, dessa forma, conseguir trabalhar e desenvolver conhecimentos.


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2) O que é Aprender Ciências?
* Definição de Aprender – Conseguir trabalhar com algo, no caso da ciência, se utilizar de uma ferramenta de interpretação do que tange o natural e, dessa forma conseguir desenvolver novos meios de simplificação do dia-a-dia.


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3) O que mudou no ato de aprender Ciências ao longo do tempo? E o que não foi alterado? 
a) Idealismo – Centralização do subjetivo. A verdade se encontra no mundo das ideias, aproxima do pensamento toda .

 a.1) Se inicia com a caverna de Platão e a lógica de Aristóteles (utilização de um empirismo baseado na observação, sem haver a medição de fenômenos). o Jakob Böhme, Baruch Spinoza, Immanuel Kant, Johann Wolfgang von Goethe, Johann Gottlieb Fichte, Friedrich Hölderlin, Friedrich Schelling (século XVII).

b) Empirismo (Positivista) – O conhecimento está na realidade e de lá pode ser extraído por simples indução e observação, via testes, cálculos, modelagens matemática, controle de variáveis. o Se inicia com o trabalho de Descartes (método científico), de Galileu e Bacon.

c) Construtivismo - O construir da ciência (saber) é vinculado às crenças que já trazemos formuladas, ou seja, ninguém é uma tábula rasa, existe a necessidade de se levar em consideração o contato de outros sujeitos na construção do saber. Dessa forma, qualquer forma de cognição, percepção e conhecimento é concebida como construção ativa autônoma de um observador e não como simples reprodução passiva. o Jean Piaget, Kenneth Gergen (responde a Descartes – Estou ligado, logo existo).


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4) O que deve-se valorizar em aprendizado de ciências? E no ensino de ciências?
* A nível de ensino e aprendizado a ciência corresponde a um grupo de formas diferentes para resolução de problemas. Ou seja, as diversas frentes da ciência correspondem a cognições diferentes para um problema em questão.


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5) Existe algum forma de estruturar e administrar o ensino e a aprendizagem de ciências?
* Talvez essa seja a maior questão no que tange o aprendizado desde o início dos tempos.
* Exemplos?


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6) Natureza da ciência? 
* A natureza da Ciência é entendida como um conjunto de elementos que tratam da construção, estabelecimento e organização do conhecimento científico. Isto pode abranger desde questões internas, tais como método científico e relação entre experimento e teoria, até outras externas, como a influência de elementos sociais, culturais, religiosos e políticos na aceitação ou rejeição de ideias científicas.

Notem que esse script indica que a aula possui 6 grandes questões (sublinhadas em amarelo). Também é possível notar que cada grande pergunta possui ao menos uma resposta objetiva (sublinhada em verde). E ainda, dentro de cada resposta objetiva temos alguma contextualização ou explicação da própria resposta (sublinhadas em azul). A ideia de se destacar os tópicos com cores, números, símbolos e tabulações, se mostra uma excelente estratégia para a organização da aula. 

Entretanto, com o passar do tempo, as explicações (texto sublinhado em verde) que os professores mantém no script acabam perdendo um pouco sua função, uma vez que ocupam espaço demais nesse mapa e, com isso, o script vai alterando sua forma, principalmente no que tange ao tamanho da fonte do texto, uma vez que, quanto maiores forem as letras, mais simplesmente o professor vai se encontrar em sua organização. Um fato importante a ser lembrado é que o script é um instrumento de apoio, que pode ficar sobre a mesa durante a aula, entretanto não é nenhum crime o professor segura-lo durante o decorrer da aula, já que, o professor tem que estar à vontade durante o exercer de sua função, ao ponto de toda falta de confiança ser suprimida pelo uso de uma ferramenta de apoio.

Dessa forma podemos reorganizar o script, minimizando seu tamanho, deixando explicito somente os principais tópicos e suas objetividades. Como podemos ver abaixo:

Ciência e Conhecimento 


1) O que é Ciências?
Interpretar fenômenos naturais

2) O que é Aprender Ciências?
Novos meios de simplificação do dia-a-dia.

3) O que mudou no ato de aprender Ciências ao longo do tempo? E o que não foi alterado? 
a) Idealismo – Centralização do subjetivo.
 a.1) Caverna de Platão e a lógica de Aristótele
b) Empirismo (Positivista) – O conhecimento está na realidade
c) Construtivismo - Crenças que já trazemos formuladas

4) O que deve-se valorizar em aprendizado de ciências? E no ensino de ciências?
Cognições diferentes para um problema em questão.

5) Existe algum forma de estruturar e administrar o ensino e a aprendizagem de ciências?
Maior questão no que tange o aprendizado.
* Exemplos?

6) Natureza da ciência? 
Construção, estabelecimento e organização do conhecimento científico.