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sábado, 30 de novembro de 2019

Universidade Pública x Universidade Particular no Brasil.

Não encarem isso como arrogância, mas sim uma visão técnica, uma reflexão... Algo que deve ser sim discutido.
No fim do ano é comum vermos reclames na TV sobre universidades particulares, onde essas instituições dizem que o mercado quer um universitário de verdade e por isso é uma ótima escolha ir estudar em x ou y instituição privada.
Entretanto, existe um grande problema quando se faz uma comparação entre uma instituição particular e uma pública. Infelizmente quem faz um curso em instituição particular não consegue ter a chance de adentrar 100% no mundo da pesquisa. Existe grande diferença entre fazer um curso superior e fazer um curso superior/iniciação científica.


A universidade pública não prepara somente o sujeito para o mercado de trabalho, mas também prepara o estudante para uma carreira acadêmica. Não que isso não pode ocorrer em uma universidade particular, mas dificilmente a instituição tem condições para fomentar uma pesquisa de alto nível.
Quantos artigos são publicados em universidades particulares? muito poucos. Os artigos são o termômetro da qualidade da universidade, se a mesma não publica artigos significa que não desenvolve pesquisa. Vale ressaltar que no Brasil o escopo da universidade é ensino, pesquisa e extensão. Logo uma boa universidade não somente ensina, mas tem OBRIGATORIEDADE de pesquisar e pesquisa gera artigos. A extensão é a falha que existe em toda universidade, seja pública ou particular, uma vez que é o momento onde o que foi pesquisado é exposto ao público de forma funcional.
Ou seja, vocês que vão entrar no mundo acadêmico, NÃO CONFIEM em reclame de TV dizendo que uma universidade particular gera universitário de verdade, essas universidades somente preparam pessoas para o mercado de trabalho, mas não consegue gerar um acadêmico, já que não ensina na maioria das vezes como o cientista ganha seu pão de cada dia, em outras palavras, não ensinam como se publica artigos.

Fatos a serem pensados entre os pares.
1) Quem sabe com uma discussão sadia as universidades particulares também não modifiquem o modo de pensar e busquem novas formas de fomento que possibilitem o investimento em laboratórios por exemplo.
2) É uma porcentagem muito grande da população se formando todo ano em faculdades particulares sem que realmente entendam ou sejam apresentados ao escopo da pesquisa.
3) Se o aluno da universidade particular também não entender/desenvolver uma pesquisa e óbvio que vai se somar ao grupo daqueles que não se sentem afetados com o sucateamento da pesquisa brasileira.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

XII ENPEC - Impressões que ficaram.

No mês passado participei do XII ENPEC (Encontro Nacional de Pesquisa em Ensino de Ciências) e apresentei um trabalho onde discuti características dos livros de química do PNLD (Plano Nacional do Livro e Material Didático). O título do meu trabalho foi: Levantamento e Catalogação por Área dos Experimentos Práticos de Química Presentes nos Livros do PNLD. Quem se interessar e quiser ver o poster da apresentação oral pode encontra-lo no link acima (meu perfil do Research Gate).

O evento como um todo foi bastante interessante, pois é a primeira vez que o ENPEC ocorre na região Nordeste, no caso, sendo sediado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na cidade de Natal. Que por sinal é um local de extrema beleza, com praias muito bonitas e que no meio do ano, por ser inverno, as mesmas permanecem mais vazias. 

Figura 1: Ondas quebrando nas rochas.

Figura 2: Maravilhosa faixa de terra que se estende na direção do mar.

Todavia, o evento não é de turismo, mas sim de discussão sobre a área de ensino de ciências. O grande problema que notei no evento foi o enviesamento político. Obviamente o XII ENPEC tentou homenagear Paulo Freire (por isso de tanta discussão política) e uma professora chamada Marta Pernambuco. 

Eu percebo que discutir política e características sociais é importante, entretanto, existe uma necessidade de dosar isso, uma vez que, o objetivo que deveria ser alcançado (nesse caso o ensino de ciências) é  deixado de lado. É a mesma história de considerar a interdisciplinaridade algo mais importante do que a disciplinaridade. Não tem como eu falar de interdisciplinaridade se as bases mínimas não forem supridas. O mesmo se aplica ao tema ensino de ciências, para poder desenvolve-lo existe a necessidade de compreender sua base. Nesse caso, a base não se encontra exclusivamente nas temáticas políticas. 

Por incrível que pareça, dia após dia está mais difícil discutir Química, Física e Biologia com os professores da área de ciências. E isso vem ocorrendo pois, na graduação, o aluno que visa seguir carreira de professor é retirado do ambiente científico, dos laboratórios e das pesquisas de iniciação científica, para estudar características sociais. Na realidade um licenciando é quem precisa mais pisar no laboratório e gastar seu tempo com pesquisa em bancada. Não existe forma alguma de se ensinar Química em alto nível sem quebras de paradigma. O aluno que quer ser professor TEM necessidade de saber preparar um experimento, usar equipamentos laboratoriais e discutir em nível científico de sua área. Antes de ser um educador o aluno tem que compreender que ele é um Químico, ou um Físico, ou um Biólogo. Entretanto, não é isso o que vem ocorrendo.

Quando se questiona muitos alunos do último ano de licenciatura em qualquer área da ciência sobre como eles definem o termo "Ciências", os mesmo cometem o erro de considera-la como a própria natureza. E esse é um problema GRAVÍSSIMO! 

Muitas poucas pessoas conseguem compreender que a ciência só existe pelo simples fato do ser humano um dia começar a investigar a natureza e promover os famosos relatórios de dados (Agora você entende a necessidade de fazer relatórios!). A ciência como um todo deveria ser definida pelos formandos como sendo um modelo de interpretação da natureza, ou uma ferramenta que serve para promover a transposição do abstrato que se encontra na natureza para uma linguagem inelegível.

Logo os aspectos mais fundamentais da ciência não vem sendo discutido nesses eventos, o que  acaba por direcionar a forma com que os currículos serão elaborados para as próximas gerações de estudantes. É OBVIO que essa atitude terá graves consequências no futuro. Um evento de ensino de ciências (estou generalizando para todos os que vem ocorrendo nos últimos anos) tem que discutir mais ciência, para que a mesma norteie como os currículos devem ser elaborados.

Não adianta um aluno fazer um curso de Química e sair sem saber Química, pois o conteúdo do professor é completamente limitado.

Não adianta um professor de Química ter o diploma e não saber produzir uma solução de 0,5 mol de Sulfato de Cobre, partindo de 0,1 mol de Ácido Sulfúrico e 1,0 mol de Cloreto de Cobre. É laro que esse é um exemplo grosseiro, mas que se mostra uma grande barreira para uma infinidade de professores (em alguns casos o professor tem até medo de chegar perto do material laboratorial). 

Isso é extremamente preocupante.

Características das apresentações:
As apresentações no ENPEC se deram na forma de sessões dirigidas tematizadas (a minha foi sobre currículo), onde o poster de cada participante era projetado em um telão. Cada um tinha 10 minutos para apresentar, sendo que cada sessão continha em torno de uns 8 participantes. Após isso houve um momento de discussão (cerca de 40 minutos), onde a plateia e os próprios participantes podiam fazer perguntas entre si. Cada sessão dirigida levava em torno de umas 2 horas, sendo que diversas apresentações eram desenvolvidas simultaneamente por todo o campus da UFRN.

Também houve uma feira de livros, onde pude adquirir um exemplar da autobiografia do Planck e também o famoso livro Pálido Ponto Azul, de Carl Sagan.  
Figura 3: Livros que comprei na feira do livro da física.


domingo, 16 de junho de 2019

XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC).

Agora no fim do mês de junho irei participar do XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), que ocorrerá em Natal - RN, nos dias 25, 26, 27 e 28 do recorrente mês. O ENPEC será sediado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Um fato interessante desse evento é que não haverá posteres sendo impressos, mas sim apresentados em um telão, como se fosse o slide de um seminário. Isso é bem legal, pois quem participa de congressos costuma ter que imprimir os banners e depois de apresentar costuma ir para o lixo, criando mais material que nem sempre é reciclado. Além disso, a impressão costuma ser cara e quando não é descartada ainda ocupa espaço em sua casa.

Após o evento vou trazer aqui um feedback do evento, assim como fiz com o SINECT. Em seguida vou deixar o link do evento para quem quiser visitar o site: ENPEC.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Por que os professores não conseguem dar aula?

Esse texto se relaciona com a forma com que o ambiente escolar foi elaborado. Deve ficar claro que não estou falando da função dos professores do ensino médio, mas do que é retirado de suas funções e do que é cobrado aos mesmos. Também quero que fique claro qual a função dos “estudantes” na nossa atual sociedade.

A primeira coisa que tem que ficar claro é que um estudante não é considerado um adulto na nossa sociedade, em outras palavras, não se enquadra como uma força de trabalho, logo não pode gerar frutos instantâneos para o estado, mas sim, representam um gasto. Dessa forma, existe a necessidade de preparar esses jovens para que se tornem força de trabalho.

Como ideia fundamental, o jovem precisa somente aprender a ler e escrever para que possa se tornar força de trabalho, sendo assim, precisa saber assinar contratos, saber identificar o preço de um produto, saber o que é esquerda e direita, olhar no relógio é conseguir falar as horas, ou seja, precisa saber o mínimo de funcionalidade padrão das cosias.

Analisando essa premissa podemos dizer que não faz sentido o que se desenvolve na escola, uma vez que o conteúdo não é muito importante para que se forme força de trabalho, principalmente, para patrões vinculados ao estado. Logo, toda a máquina estatal é interessada diretamente em uma força de trabalho, a qual, não necessariamente precise de larga instrução.

Contudo, para que ocorra o contrato de uma pessoa deve haver o status de maioridade. Tomando por base essa nova característica, os jovens se tornam um “peso” na sociedade, uma vez que não devem receber grande instrução, pois tornar-se-ão críticos no futuro e dessa desqualificando um estado interferente no cotidiano. Como resultado disso as escolas são elaboradas para ser um universo marginal ao mundo dos adultos. Os jovens não devem ficarem “soltos” na rua, pois se tornariam desocupados e começariam um processo anárquico em relação ao estado.

Esse diagnóstico de como o estado pensa o ambiente escolar, tornando-o uma marginalização da sociedade, implica na segunda coisa que tem que ficar clara. Qual a função da escola e dos professores?



As escolas têm como função servir de locais fechados e que mantenham os jovens (inúteis aos olhos do estado) separados das pessoas que são funcionais ao estado. Logo o professor não tem como função ser professor, mas sim um “carcereiro” que tem que manter um grupo de “marginalizados” calmos e quietos, todos juntos e sem o uso de agressão e punições físicas.

O caráter educacional realmente se inicia, quando o jovem determina se quer prestar vestibular ou se existe o incentivo familiar para que estude. Dessa forma, a consciência de que é necessário estudar surge no fim do período escolar, sendo que na maioria das vezes os estudantes escolhem fazer um cursinho pré-vestibular. Nesse estágio o professor consegue agir como professor e o conteúdo de mais de 12 anos de estudo começa a ser relembrado durante um período de aproximadamente 1 ano. Esse fato deixa claro que o conteúdo específico oferecido nas escolas pode ser sintetizado em alguns poucos meses, implicando no fato de que o período escolar tem como função manter os jovens dentro das salas de aula e longe das ruas.

Como um todo, o professor age realmente como um professor somente no nível universitário, tendo grande autonomia e uma maior notoriedade para desenvolver as suas aulas, pesquisas, orientações, transposições didáticas e produção de conhecimento.

Em resumo, o fato que faz com que a educação seja praticamente inexistente no Brasil é que os jovens são colocados a margem da sociedade e considerados como força de trabalho futuro e não força intelectual futura. Obviamente a classe dos professores que operam no ensino fundamental e médio se encontram limitados na ação professoral, principalmente no que se refere a função didático pedagógica.

Exemplos de países que deixaram para trás essa cultura de que há primeiramente a necessidade de força de trabalho e depois a força intelectual, são os mesmos que se encontram com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mais altos, como por exemplo: Países Escandinavos, Finlândia, Alemanha, Suíça, Bélgica, Inglaterra, Canadá, EUA, Austrália, Nova Zelândia, Singapura, Coreia do Sul e Japão. Mais recentemente também existe um início de modificação de pensamento no Chile também. Essas características da mudança do pensamento educacional implicam diretamente no desenvolvimento da sociedade.


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Quais as Vantagens e Objetivos da Participação de Eventos Acadêmicos?

Essa será a primeira postagem de 2019, vou tentar manter um fluxo de ao menos uma postagem por mês. No fim dessa postagem deixo duas perguntas e suas respectivas respostas sobre as vantagens e objetivos de participação de ventos acadêmicos.

Nessa postagem vou dar acesso a um trabalho que fiz e apresentei em um simpósio na cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Esse evento foi o SINECT (Simpósio Nacional de Ensino de Ciências e Tecnologia) e ocorreu dentro do campus da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná).

Foto 1 - Capela dentro da UTFPR

Foto 2 - Biblioteca Tecnológica Affonso Alves de Camargo.

Foto 3 - Típica árvore (conífera) dessa região do Paraná.

O meu trabalho teve o título: Estudo do Desenvolvimento do Espírito Científico em Aulas de Química Geral com a Aplicação do Método Científico. Quem quiser pode ter acesso ao PDF nos Anais do evento (basta dar um Control + F e colocar na caixinha de texto o título do trabalho).

Esse simpósio foi bastante interessante pois os trabalhos precisaram ser escritos na forma de artigos de no máximo 8 páginas. A apresentação dos mesmo se baseou em duas formas, no caso pôsteres para alguns trabalhos e para a grande maioria as chamadas sessões dirigidas.

Uma sessão dirigida se baseia em apresentações orais de no máximo uns 5-7 minutos, onde um coordenador organiza as apresentações e cria uma problemática para poder desenvolver uma discussão entre os apresentadores e também com contribuição da plateia. As sessões eram divididas em áreas temáticas, sendo que a várias ocorreram ao mesmo tempo em salas diferentes do campus da universidade. 

Além das sessões dirigidas e dos pôsteres, também ocorreram minicursos, mesas redondas, lançamento de livros e palestras com convidados nacionais e internacionais.

Foto 4 - Sensor de temperatura de baixo custo utilizado em microcontroladores (temática do minicurso que fiz durante o evento).


Qual a vantagem de participar de um evento?
A grande vantagem de participar de eventos como simpósios e congressos, não é somente a de apresentar o que você pesquisa, ou de ver novos trabalhos na sua área temática, mas sim a de criar uma rede de conexão com outros pesquisadores e instituições. Por isso, participar de eventos de abrangência nacional e, principalmente, internacional são ações imprescindíveis para um estudante. A baixo vou deixar 3 exemplos de situações que foram muito proveitosas nesse simpósio.

1) Um amigo que fiz no simpósio, recebeu um convite para tentar um mestrado acadêmico na UTFPR, detalhe, ele é de Manaus (4 mil quilômetros de distância de Ponta Grossa) e somente iria saber que sua área tem um campo forte no Paraná através do evento. Ele então tirou a sorte grande? ... NÃO! ... Isso não tem nada a ver com sorte, mas sim com espírito de querer crescer academicamente.

2) Na casa que fiquei (via Airbnb, o que deu MUITO CERTO!!!), conheci esse meu amigo que citei acima e mais um rapaz que veio da cidade de Araraquara (vizinha de São Carlos, que é onde moro). Durante a janta, nós três desenvolvemos uma discussão muito longa sobre ensino de ciências, ensino especial, epistemologia, abordagens metodológicas, política e até de música. Ou seja, discussões proveitosas como essas só acontecem quando pessoas com diferentes pontos de vista se reúnem, fato esse que dificilmente vai ocorrer dentro de um grupo onde todos pensam da mesma forma.

3) Na minha sessão dirigida conheci uma moça que apresentou um trabalho com temática de ensino de química quântica, o que foi muito interessante, pois eu tenho mestrado em uma abordagem de mecânica quântica chamada DFT - Density Functional Theory (quem se interessar sobre o que pesquisei é só clicar aqui: Dissertação). Após a sessão dirigida ficamos um bom tempo conversando sobre como essa área da química é trabalhada tanto no ensino médio quanto no ensino superior. Como o doutorado dela ruma nessa área, a nossa discussão se mostrou extremamente proveitosa para ela, uma vez que, dificilmente, alguém com o tipo da minha formação se encontra na área de educação. Ou seja, somente em eventos grandes você consegue encontrar gente com formações mais distintas possível. 

O que buscar ver num congresso ou simpósio?
Pelo contrário do que se imagina, não é o ideal participar somente de apresentações ligadas a sua área, mas sim buscar trabalhos que visam outras abordagens. Essa estratégia serve para que seu repertório frente a discussão científica cresça e, assim, seus interesses não sejam somente pontuais. Eu por exemplo, além de participar da minha sessão dirigida, a qual tinha o tema de ensino de química, também participei de sessões que envolviam políticas públicas e ensino para surdos, o que me ajudou a tomar melhores rumos quando discuto esses temas atualmente.


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Como escolher um curso sem se frustrar?

Estou fazendo um ciclo de "dicas" para quem está pensando em prestar um vestibular, ou que acabou de entrar na faculdade. Nesses três primeiros vídeos, eu abordei um pouco sobre minha trajetória até entrar na faculdade, como fazer provas de vestibular e, agora, estou explicando bem sucintamente como escolher um curso para fazer o vestibular.

Na realidade, não estou explicando o curso que cada um deve prestar, mas sim, mostrando que antes de escolher um determinado curso, você deve definir a área do conhecimento que você tem aptidão.

As áreas do conhecimento existem pois, são frentes compreensíveis para as pessoas, entretanto, cada um possui um gosto diferente. Por exemplo, quem gosta de engenharia, tem que estar disposto a fazer cálculos, ou seja, essa pessoa tem aptidão para ciências exatas.

Existem, resumidamente, três grandes áreas do conhecimento:

Exatas, Biológicas e Humanas.

Dentro de cada uma dessas áreas, existe uma infinidade de ramos que fazem com que as mesmas acabem se ligando. Em algumas provas, existe a área de tecnologias, entretanto, essa área nada mais é  do que a intersecção de, ao menos, duas das áreas mais abrangentes.



Conhecer a área que você tem mais aptidão, torna o processo de escolha de um curso algo mais simples e certeiro, evitando possíveis frustrações no futuro. Dessa forma, elenco dois passos, ou "dicas", para que um candidato a vestibular tome, a fim de escolher melhor o que almeja no vestibular.

O primeiro passo, ou mesmo dica, já está explicitado, e é a definição da área do conhecimento a qual se tem tem mais aptidão. Já o segundo passo se baseia em entrar em contato com a área do conhecimento escolhida e, vasculhar dentro desse universo, quais cursos se enquadram. Quando se faz essa pesquisa, é muito interessante buscar a ementa curricular dos cursos, ou seja, quais são as matérias que compõem a grade de cada um. Assim, você consegue compreender se realmente um curso fará sentido para você. 

Atualmente existem algumas formas para se fazer essa pesquisa, uma delas é entrar no site das faculdades e procurar se não existe a ementa curricular dos cursos abertas ao público. Outra forma é entrar em contato com a secretaria da universidade que oferece o curso, explicar que irá prestar vestibular e perguntar se não existe a possibilidade de lhe informarem sobre a ementa curricular. A ultima forma e, talvez a mais simples, é pedir para uma pessoa que faz o curso lhe passar essa informação. Muitas vezes, alunos e até mesmo professores estão dispostos a fazer isso pelos futuros alunos e, também existem grupos organizados pelas próprias universidades, a fim de explicar informações sobre cursos.

domingo, 23 de julho de 2017

Primeiras impressões sobre o contato com a docência no ensino superior.

Esse ano eu tive a chance de assumir algumas aulas do curso semi-presencial de Ensino de Ciências da USP de São Carlos. Ministrei aulas de três disciplinas, sendo elas, Ensino de Ciências, Didática e Diversidade do Currículo Pós-LDB.

Dentro da minha experiência com ensino, ainda faltava o contato com o ensino superior, sendo que essas disciplinas me deram uma boa bagagem conceitual, uma vez que, os entraves existentes num curso semi-presencial no escopo da graduação são bem mais complexos do que em um curso presencial.

Em um curso semi-presencial, o sistema on-line é de extrema importância, tanto para o educador quanto para o estudante, uma vez que, grande parte da avaliação dos trabalhos e atividades são feitas com o auxílio de uma ponte virtual, em um banco de dados, que conecta o estudante e o corretor.

Devido ao contato atual das pessoas com plataformas interativas, redes sociais e conexão remota de alta velocidade, faz com que o rótulo em relação a um curso à distância ou semi-presencial acabem por criar um engôdo ao primeiro contanto com o curso.

Tanto para o educador, quanto para o estudante, pode parecer que o sistema ou plataforma, garantem uma grande proteção no que tange o desenvolvimento das atividades, entretanto, existem momentos específicos para que as mesmas sejam feitas. As atividades são liberadas à partir de um determinado dia e necessitam que os alunos façam a mesma durante um prazo estipulado. O diferencial disso tudo é que o aluno não consegue conversar com o professor para conseguir negociar e alterar o dia de entrega de uma atividade, havendo assim, uma grande necessidade do mesmo conseguir se organizar para desenvolver um curso superior.

Assim, torna-se claro que um curso semi-presencial, é muito indicado para pessoas que já tiveram algum contato com a graduação, que trabalham dentro de um regime que carece de organização, ou então, que possuem tempo para se aplicarem ao curso dentro dos períodos estipulados para o curso.

Obviamente, os exercícios não ficam aberto durante um único dia durante um período inviável, muito pelo contrário, os mesmos ficam abertos para depósito on-line por alguns dias, ou seja, os mesmo podem ser depositados até mesmo em períodos bastante alternativos. Dessa forma, as desculpas que alunos tentam geralmente dar, referente ao curto espaço de tempo, acabam sendo desconsideradas, uma vez que uma atividade ficar aberto para depósito por um período relativamente longo de tempo.

Um fato muito importante a ser considerado é que algumas vezes uma plataforma pode cair e dessa forma, perder dados que não estava ainda salvos, o que acaba por trazer reclamações, uma vez que as atividades são perdidas. Por isso, é importante que os alunos sempre façam backup do material, tendo em vista que, qualquer sistema on-line corre o risco de cair e sair fora do ar. Essa característica se mostra como um ponto crucial dos entraves desse tipo de ensino.

Por parte do educador, existe uma necessidade intrínseca do acompanhamento das atividades on-line, para compreender a evolução dos alunos e, também, de se manter atualizado referente ao material disponibilizado semanalmente aos alunos, sendo preciso fazer sempre o download dos mesmos, para que dessa forma, caso o sistema caia, o educador tenha salvo todo o conteúdo.

Cabe ao educador também, não só cobrar as atividades presenciais, mas, desenvolver e aplicar aulas durante os encontros. Em outras palavras, o educador possui uma grande responsabilidade em relação ao aprendizado dos alunos , uma vez que, o aprendizado não se dá somente com os vídeos, o estudo on -line, com a leitura de textos e entrega de atividades, sendo que, se não existe um esquema de tutorias, onde alguém trabalhe respondendo às dúvidas dos alunos, o professor necessita sim aplicar aulas e, dessa forma, conseguir suprir todas as questões dos alunos, sendo que, em muitos encontros, as atividades presenciais podem ser deixadas para serem feita em casa e entregues no próximo encontro.

Como resumo da experiência, consegui notar que os entraves de um curso semi-presencial acabam ocorrendo pela falsa comodidade, tanto dos alunos quanto dos educadores, em relação ao sistema, uma vez que o mesmo tem um escopo de praticamente não comprometimento pessoal, devido ao fato do curso parecer ser virtual, já que, o contato e o deslocamento físico, de ambos os sujeitos envolvidos (educador e educando) é quase que inexistente. A necessidade de deslocamento físico, acaba por forçar o aprendiz a ter um pouco mais de responsabilidade em relação ao curso, uma vez que, dentro de uma sala de aula, a tendência é do aluno seguir um período, dia e horário que delimitam o curso, isso faz com que a definição do que é uma disciplina seja mais presente na mente do aluno. Enquanto o aluno se mantém em casa, sem compreender a amplitude do curso que escolheu fazer e, da responsabilidade envolvida no processo, a compreensão referente ao que é uma graduação, acaba por não ser desenvolvida.

Em breve, pretendo trazer algumas informações sobre como é o processo de construção de um curso semi-presencial e quais os conteúdos que apliquei nessas disciplinas da USP aqui de São Carlos.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O mundo acadêmico é para qualquer um?

Atualmente, estou em um ciclo de expressar algumas opiniões por aqui e, faço isso por motivos simples. O primeiro motivo se baseia no fato de estar inserido nas burocracias do doutorado, onde tenho que fazer matérias específicas e também assistir palestras, além de escrever projeto de pesquisa, participar de reuniões, ler artigos, adentrar em projetos e até mesmo dar aulas no nível superior, o que acaba me atrapalhando um pouco na produção das vídeos aulas.

O segundo motivo, se dá por um momento onde muitas pessoas acreditam ter conhecimento para falar sobre diversas frentes, uma vez que, com diversos meios de comunicação e as redes sociais, cria-se uma maré de opiniões que não tem fundamentos teóricos, entretanto, ricamente embasada em fundamentos políticos.

Então, após essa explicação, vamos entrar no conteúdo que pretendo abordar nesse texto.


Fazer faculdade e ter um diploma é essencial? 
Essa pergunta é extremamente importante e deve ser tratada com muito cuidado, para que, não se crie generalizações e ou mesmo "preconceitos".

O conhecimento deve sempre ser tratado como um evento natural na vida de uma pessoa, sendo que, o mesmo vai se construindo ao redor de experiências cotidianas e obviamente de eventos induzidos para que o conhecimento seja desenvolvido. Dessa forma, tudo o que necessita ser induzido para que o conhecimento seja desenvolvido frente a uma área mais abstrata, necessita de um tutor, uma vez que, a simples observação de um fenômeno não surtirá efeito.

Um exemplo disso é se pensarmos no homem primitivo como abordei no vídeo sobre o desenvolvimento dos relatórios (Link do vídeo), onde inicialmente havia necessidade de se utilizar dos sentidos para identificar um observável, ou seja, se um pássaro comia uma fruta e o hominídeo o visse comendo, obviamente a probabilidade daquilo ser comestível era muito grande. Entretanto, compreender o que tem naquela fruta e, dessa forma, ter certeza que algum componente da mesma é bom para a saúde, esse já é um conhecimento que depende do desenvolvimento de técnicas e metodologias. 

Fica bastante claro que existem níveis e tipos diferentes de conhecimento, ou seja, é necessário que o indivíduo se aplique em busca de novas formas de abstração, para que consiga desenvolver um arcabouço com a finalidade de expandir seu universo de conhecimento. Em outras palavras, o conhecimento só pode ser expandido se o indivíduo o buscar, passando pelos níveis, desde o mais simples, que se baseia no caráter sensorial, depois pelo senso comum e por fim no conhecimento abstrato.

Assim o conhecimento não é algo impositivo, mas sim, algo a ser buscado pelo indivíduo, entretanto, que deve sim ser incentivado nos níveis iniciais, onde a abstração ainda é bastante simplória. Com a posse dessa ideia, podemos determinar que, o início do aprendizado básico existe uma necessidade do responsável pela formação de uma criança apresentar o conhecimento como algo a ser conquistado e não como algo obrigatório. Obviamente, na maioria das vezes isso não ocorre, sendo que, a escola acaba por ganhar a posição de formadora do conhecimento. 



Repassar para a escola a função de formadora do espírito científico e  muitas vezes, também, o caráter moral, aos indivíduos em formação, é um grande erro por parte dos responsáveis, uma vez que, a escola somente tem a função (pelo menos era assim em princípio), de servir de tutoria frente aos conteúdos mais abstratos e que necessitam de uma formação cognitiva específica. Dentro do escopo das diversas matérias existentes no currículo escolar, as mesmas tem como objetivo trazer novas formas de pensar e apresentar ao indivíduo informações e formas cognitivas de trabalhar frente a um problema comum. Isso acaba por despertar o que chamamos de vocação no que tange à escolha profissional.

Com a formação do espírito profissional do indivíduo, o mesmo consegue determinar qual área do conhecimento se interessa ou mesmo possui maior facilidade. Entretanto, como foi dito anteriormente, são diversas as formas de conhecimento e inteligência. Dessa forma, dependendo da área, nem sempre existe a necessidade de um nível superior para aplicar a vocação profissional. Um exemplo bem fácil de se imaginar é com pessoas que trabalham com algum comércio, na grande maioria das vezes essa pessoa não tem um diploma em administração ou mesmo em economia, porém, consegue ter bons resultados. O mesmo se aplica a pessoas que trabalham por exemplo com produtos de origem agrícola, muitos não possuem graduação em engenharia agrícola ou cursos semelhantes. Um garçom, um auxiliar administrativo, um motorista... dentre muitas outras funções, que são importantes para o convívio em sociedade, não precisam de um curso superior para que exerçam suas funções. Por outro lado, fica claro que para exercer qualquer função, o indivíduo tem que buscar algum conhecimento, mesmo que seja um simples treinamento.

Logo, fica claro que nem todas as pessoas precisam fazer faculdade para serem felizes e conviverem bem em sociedade, existem diversos caminhos a serem traçados, o que responde a pergunta inicial desse texto. 

Limitar as carreiras dentro de uma necessidade de nível superior acaba por criar diversas formas de preconceitos, sendo que, esses preconceitos se baseiam principalmente no caráter salarial. Criou-se uma importância tão grande ao diploma de nível superior que um indivíduo que o possui, devido à sua qualificação, faz com que o piso salarial de sua categoria seja extremamente alto.

Nesse ponto entramos no caráter mais importante desse texto e, daqui para frente, torna-se importante que o leitor tenha mente aberta para conseguir compreender o que se expõem. 

Um grande problema que vivemos no mundo acadêmico hoje, é o fato de que no Brasil está ocorrendo um fluxo exorbitante de pessoas no nível superior. Isso pode parecer algo muito bom, porém, é um grande engodo. Imaginem que existe uma linha bastante tênue entre qualidade e quantidade, sendo que, quanto mais pessoas adentram à academia, menos qualidade se tem, uma vez que, as instituições não possuem competência e instalações para trabalhar com tanta gente. 

No ano de 2007 foi iniciado um projeto conhecido como REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), que tem como objetivo repassar verba para aumentar o número de vagas nas universidades federais e até mesmo auxiliar na criação de novos campus pelo Brasil. Entretanto, esse projeto, que faz parte do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), acabou aumentando bruscamente o número de alunos e dessa forma, diminuindo o número de corte no vestibular para diversos cursos, ou ainda, permitindo que os cursos não finalizassem o total de número de vagas, havendo a necessidade de crer por várias listas de espera, tendo a finalidade de completar um curso. 


O grande problema disso é que muitos alunos entram já perdendo provas e trabalhos, o que muitas vezes prejudica muito o curso. Eu tive vários colegas de curso que entraram com matérias em desenvolvimento avançado, ou seja, perderam experimentos, relatórios, trabalhos e dessa forma se prejudicaram, pois, não podiam refazer os mesmos. Como consequência disso, esses alunos acabaram se complicando em matérias que eram pré-requisito para matérias de outros semestres. Dessa forma, em vez de fazerem o curso em 5 anos (Licenciatura em Química da UFSCar), fizeram o mesmo em muito mais tempo, chegando ao ponto de quase jubilarem. Ocorreu também o fato de outros alunos também não conseguirem ficar no curso e abandonar o curso.

Abandonar um curso é algo péssimo para a instituição, pois, existe toda a burocracia de inscrição do aluno e se o mesmo, entrar em um curso de abrangência das Ciências Naturais, o custo mensal do indivíduo é bastante alto, pois o consumo de reagentes e aparelhos laboratoriais é caríssimo. Nesse escopo, ter um gasto alto e não garantir a formação do aluno é um déficit absurdo.

Duplicar o número de vagas de alunos nas universidades federais também prejudica as matérias, uma vez que, nem sempre existem anfiteatros para receber tantas pessoas e assim desenvolver uma aula. Para o docente também se mostra algo extremamente complicado, uma vez que não existe possibilidade de marcar horários de dúvidas individual, prejudicando assim o aspecto educacional da matéria. A nível social, para conseguir receber e sustentar o dobro de pessoas, as universidades tem que garantir um número grande de alojamentos, bolsas, distribuição de alimentação, além de serviço básico.

Sabendo ainda que, pelo motivo de permitir um grande número de pessoas na universidade, as listas correm mais, permite-se assim, a entrada de pessoas que não estão ou não são preparadas, ou que ainda não possuem a vocação profissional para um determinado curso. Isso também é prejudicial, pois a longo prazo ocorrem abandonos de curso, gastos que não eram necessários, desvalorização do curso, matérias perdendo qualidade e, como consequência, a formação dos indivíduos se torna bastante desqualificada. 

Em muitos cursos, a ementa curricular tenta melhorar a formação dos alunos, com o adentramento de matérias básicas, as quais os alunos já deviam dominar, entretanto, preencher espaços da ementa com conteúdo básico acaba culminando em cursos mais longos ou mesmo em cursos que retiram matérias importantes, pois, consideram ser complexas demais para grande parte dos discentes. Dessa forma existe uma formação mais desqualificada dos indivíduos.

Em resumo, o que podemos extrair do que ocorre hoje nas universidades federais brasileiras (estou trazendo isso sem propaganda política, sem querer justificar algo a nível de esquerda ou direita e sem querer criar algum nível de preconceito), é que se preocupa mais com quantidade do que com qualidade. E essa quantidade colapsa diretamente com postos de trabalho, uma vez que, a pessoa se forma, mas, concorrendo com ela por um único posto de trabalho, existem mais uma centena de outras pessoas, que são "qualificadas" e possuem um piso salarial alto. Como consequência imediata disso são "profissionais" trabalhando em frentes completamente opostas à sua formação.

No meu ponto de vista, todas as profissões devem ser valorizadas, assim como as diversas formas de inteligências que são necessárias para desenvolver tais atividades. Como educadores precisamos alertar os indivíduos que estão em formação que existem diversos caminhos, e a existência de diversas matérias na ementa curricular da escola mostra bem isso, ou seja, o caminho acadêmico não é o único ambiente possível para a sobrevivência profissional, entretanto, existem outras formas de se buscar um futuro, desde que seja uma ocupação honesta e que não prejudique ao próximo. É mais do que óbvio que deve ser exposto claramente que, o único caminho a ser seguido é o esforço e a necessidade de estudo, em outras palavras, a necessidade individual de busca do profissionalismo. 

Seria ideal que os órgãos de gerencia da educação no Brasil garantissem uma formação básica excelente e que levassem os alunos poderem escolher se querem vida acadêmica ou não, ou seja, que garantissem a possibilidade dos alunos tomarem a decisão se querem fazer ensino superior. Isso evitaria manobras políticas que visam somente a quantidade e não qualidade. Geralmente essas manobras políticas somente tem como função gerar números, para dizerem que durante o mandado foi um período de intensa entrada no nível superior. Ou seja, fazem isso por pura propaganda, tendo finalidade de angariar mais votos.

Ainda dentro do meu ponto de vista, todas universidades, sejam estaduais, federais e até as particulares, deviam levar em consideração o currículo escolar dos ingressantes, tendo como finalidade conseguir classificar quem se mostra apto, desde os níveis escolares mais baixos, a entrarem em um determinado curso. Para as vagas remanescentes haveria um vestibular de nível médio a difícil, com finalidade de determinar quem tem qualidade, mesmo não sendo reportado no histórico, pois como disse anteriormente, existem diversas formas de inteligência e, mesmo sem notas excelentes dentro de uma área do conhecimento, é direito de qualquer um querer buscar uma nova forma de conhecimento, por isso, existe a necessidade do vestibular, com nota de corte e limite de vagas em cursos (se é que sobrariam devido a análise de currículo).

Obviamente essa minha ideia somente seria aplicada de uns anos para frente, já que deve ocorrer uma geração inteira de formandos ainda, além de uma mudança no currículo educacional. Porém, evitaria a entrada de um grande contingente de pessoas que não possuem a vocação dentro uma frente, mas que somente escolheram prestar pelo fato da lista correr muito, ou de haver um grande número de vagas, ou da nota de corte ser pequena, ou ainda de entrar no curso para tentar transferência.

Explicando melhor aos alunos e reformulando a forma como o ensino superior é exposto, quebrando o paradigma de que você não pode ser nada sem um diploma universitário, torna-se muito mais saudável a vida de todos. Ou seja, no meu ver, o mundo acadêmico não é para qualquer um.

Em breve pretendo trazer um texto referente a patologias que são desenvolvidas durante o ensino superior, devido aos problemas emocionais que o paradigma "Você não é nada sem um diploma" trás nos diversos níveis acadêmicos. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Como se preparar para as burocracias da pós-graduação no ingresso do mestrado ou doutorado.

Atualmente iniciei o doutorado na USP, mais especificamente no IQSC, entretanto, não estou mais trabalhando na área de pesquisa aplicada, onde fiz meu mestrado em química teórica (para quem não sabe o que é química teórica em breve farei um texto falando sobre essa área, mas fica a priori a explicação resumida: Química Computacional), sendo que hoje retornei para a minha área de formação mais específica, que é a licenciatura.

Meu projeto envolve o estudo do desenvolvimento do espírito científico dentro de uma abordagem de ensino de química, usando maquetes científicas no âmbito de ambientes não-formais. Mas, não quero ficar falando sobre meu projeto propriamente dito. Hoje eu quero explicar sobre as burocracias iniciais que existem na estrada no universo da pós-graduação.

Essa transição entre graduação e pós-graduação pode ser muitas vezes traumática ao ex-graduando, pois a cobrança frente ao caráter profissional começa a ser mais recorrente, ou seja, o status de simples aluno começa a ser ultrapassado e a pessoa se vê na necessidade de expor suas competências. Dessa forma, é importante ao graduando começar a pensar se quer fazer pós-graduação já nos últimos anos do curso. Em outras palavras, é interessante o aluno já ir pensando qual frente lhe apetece mais.

Além disso, também é importante o estudante buscar em seu currículo quais são os melhores trabalhos que produziu durante a graduação. Dessa forma, é interessante manter o currículo sempre atualizado, para que não perca tempo durante a inscrição para o mestrado ou doutorado direto. Na minha opinião é muito bom usar a Plataforma Lattes (Em homenagem ao físico brasileiro César Lattes) que é um site da CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Nessa plataforma o usuário disponibiliza publicamente o próprio currículo, expondo desde participação em eventos científicos, até mesmo artigos publicados e projetos desenvolvidos. É uma forma para alunos de fim de curso, além de organizar seus dados, para depois usarem os mesmos na inscrição de uma pós-graduação, também é uma ferramenta de maior conhecimento sobre profissionais da área escolhida.

Figura 1: Entrada do site da Plataforma Lattes.

Voltando agora às características específicas da pós-graduação, os cursos brasileiros buscam garantir a internacionalização dos cursos, dessa forma, além de organizar a empregabilidade também é imprescindível se preparar em uma língua estrangeira, sendo que, é de praxe o inglês. 

Alguns programas de pós-graduação em ciências naturais (como no caso o IQSC), cobram já na matricula para a pós-graduação (seja mestrado ou doutorado) a proficiência em inglês, em outras palavras, após ter passado na prova de classificação, seja com bolsa ou sem bolsa, o aluno tem que comprovar já na matrícula que tem competência em inglês. Em geral, as provas de inglês para o mestrado são bem simples e, buscam garantir que o ingressante tenha ao menos a capacidade de ler e interpretar um texto em inglês. No IQSC é aceito a modalidade TEAP (Test of English for Academic Purpose) para ingressantes no curso de mestrado, que se baseia em leitura de texto e questões sendo respondidas em português. Entretanto no doutorado o IQSC cobra como mínimo a modalidade WAP (Writing for Academic Purposes), sendo que nesse tipo de prova todas as questões são em inglês, os textos são em inglês e as respostas devem ser em inglês. 

Em outras instituições, por outro lado, já se cobra o TOEFL (Test of English as a Foreign Language), o qual busca uma análise mais aprofundada, onde o aluno faz testes desde escrita e leitura, até mesmo aos testes de interpretação de textos falados. O TOEFL geralmente é mais cobrado a nível de doutorado, mas como critério inicial é importante o aluno se preocupar com o tipo de prova de vigente no programa do curso escolhido. Em várias instituições, como por exemplo na pós-graduação do Departamento de Química da UFSCar, a proficiência em língua estrangeira pode ser entregue dentro de um período específico do curso, entretanto, sempre antes da qualificação e da entrega do documento base do projeto.

Dependendo do programa de pós-graduação nem sempre é preciso fazer uma prova escrita para se ingressar no mestrado ou no doutorado. No IQSC, para que se inicie o curso de mestrado há a necessidade de se fazer uma prova de química geral, sendo que existe número mínimo e máximo de ingressantes, ou seja, o concorrente precisa alcançar um valor mínimo de pontos para conseguir ingressar no mestrado. Tanto para o mestrado quanto para o doutorado, a prova é a mesma, sendo que, por ser uma prova desenvolvida pelos professores do instituto, ela pode variar em número de questões, se será discursiva ou de múltiplas escolhas, se é em português ou em inglês. Em outros programas é mais comum uma prova discursiva, entretanto também pode ocorrer entrevistas e análise de currículo como critérios únicos de seleção. A análise de currículo aliada de uma prova se mostra  o mais comum em todos os programas de pós-graduação, entretanto é muito importante ler o edital com cuidado. No curso de doutorado do IQSC existe ainda a possibilidade de fluxo contínuo, ou seja, não é necessário o ingressante fazer a prova de química (que nesse caso tem maior função de classificação para bolsa), sendo que, somente é feita a análise do currículo do ingressante juntamente com sua proficiência em inglês.

Quando se determina que a pós-graduação é o caminho a ser tomado, é interessante o aluno durante a graduação mesmo, já ir conversando com algum professor e desenvolver algum projeto de iniciação científica, para que dessa forma, além de gerar produções para o currículo, também consiga compreender se uma determinada área realmente é a que se tem mais aptidão. É extremamente comum mudanças de área dentro da pós-graduação, pois a pessoa não se preparou muito bem. No meu caso, eu resolvi ir trabalhar com química teórica, pois no meu curso de licenciatura não foi oferecida a frente de quântica, então achei interessante para meu currículo procurar algo que fortalecesse esse viés. Geralmente ir na direção de algo que você não domina é algo bastante complicado, pois, o universo da pós-graduação cobra uma posição mais profissional do indivíduo e, na maioria das vezes, quando ocorre essa modificação de frente, o aluno acaba ficando perdido ou seu trabalho demora para gerar frutos. 

Então, a busca durante a graduação por uma área a ser seguida é de extrema importância, pois ajuda a preparar o currículo, principalmente para candidatos que escolhem a opção de doutorado direto. Para essa modalidade, existe a necessidade de um currículo muito forte, com publicações de artigos durante a graduação (principalmente como primeiro autor), além de possíveis experiências no exterior, bons estágios e até mesmo com desenvolvimento de patentes. Além disso o currículo acadêmico deve ser impecável sem reprovações e excelentes notas. É claro que isso é bastante difícil, mas não impossível, se não, a modalidade nem mesmo existiria (e nem é tão difícil encontrar pessoas fazendo doutorado direto nas universidades).

Depois disso tudo, alguns programas exigem que o ingressante entregue em curto período de tempo o projeto de pesquisa, o qual é analisado rigorosamente. Nesse caso se o mesmo não for aprovado, o ingressante perde a vaga e, isso não é tão raro, sendo que existem vários casos de alunos que ingressaram no programa e perderam a vaga pois não se prepararam para a escrita de um bom projeto. Por isso, é importante buscar contato com professores antes mesmo de fazer a prova da pós-graduação ou de qualquer processo seletivo. Isso é importante pois o docente pode ter algum projeto sendo escrito, ou mesmo já escrito, o que pode ajudar muito o ingressante. Eu quando entrei no mestrado não tive que escrever o projeto, pois meu orientador já tinha um pronto para se iniciar o trabalho, tanto que, mal entrei no mestrado e já comecei a trabalhar a todo vapor. Já no doutorado é de praxe que o aluno escreva sozinho seu projeto, uma vez que se espera um maios domínio desde a escrita científica, levantamento bibliográfico e principalmente na capacidade argumentativa no que tange a defesa de uma ideia.

Um projeto de pesquisa inicialmente se baseia em uma ideia do que se pretende trabalhar, sendo que o mesmo é dividido em pelo menos cinco partes: Resumo, Introdução, Estado da Arte, Metodologia e Referencias. Em geral os programas cobram umas vinte páginas, incluído capa e a bibliografia. A parte de bibliografia, ou os referenciais teóricos está ligado diretamente ao estado da arte, uma vez que nessa parte o autor cita as principais fontes e trabalhos mais modernos dentro da pesquisa que deseja desenvolver. A critério de projeto de pesquisa é comum serem mencionadas umas trinta referências bibliográficas, o que a nível de mestrado corresponde a praticamente um terço do que se tem dissertações na área de ciências (notem que isso é uma característica bastante específica, outras frentes como humanas e biológicas isso pode variar muito). Algo que pode ser citado no projeto de pesquisa são os resultados esperados, o que trás ao leitor uma impressão de maior coesão e solidez frente a proposta de pesquisa, sendo que esse tópico é adicionado entre a metodologia e as referências, pois concatena o forma que a pesquisa será desenvolvida, o conjunto de técnicas e os referenciais teóricos.

Além do projeto de pesquisa, dentro da área de pesquisa aplicada em ciências naturais e engenharias, é bastante comum os programas de pós-graduação cobrarem uma busca por patentes referente ao seu projeto de pesquisa. Em outras palavras, após o ingressante entregar sua proposta de pesquisa existe a necessidade de comprovar que ela é inédita dentro do escopo da pesquisa, sem que haja algum plágio ou mesmo patentes iguais. Para se evitar isso existem diversas plataformas de procura de patentes, sendo o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) a principal no ambiente nacional. Outras

Figura 2: Entrada do site da plataforma de pesquisa por patentes do INPI.

Alguns outros exemplos de plataformas de pesquisa por patentes, mas no âmbito internacional são:

Podemos finalizar todo o caráter burocrático do ingresso na pós-graduação com um resumo:
1 - A pós-graduação se inicia na graduação:
A pessoa que pensa em fazer pós-graduação tem que se preparar na área que escolheu, desde a parte específica para a seleção (seja prova ou entrevista) até mesmo na língua estrangeira, além disso a busca por contatos com professores que possam orientar na graduação e assim dar continuidade ou ajudarem na escolha do caminho a ser trilhado é imprescindível.

2 - Língua estrangeira:
Não perca tempo para iniciar os estudos em uma língua estrangeira (eu cometi esse erro), principalmente o inglês dentro das ciências naturais e engenharias. A maioria dos eventos que ocorrem no ambiente acadêmico são em inglês, além do que, os artigos das revistas mais importantes, mesmo que não seja americanas ou inglesas, costumam publicar em inglês, pois essa é a língua mais comum dentro do universo acadêmico e científico.

3 - Ingressando na Pós-Graduação:
A primeira coisa a ser feita quando se escolhe fazer uma pós-graduação é ler atentamente o edital, para se ter noção do conteúdo a ser cobrado na seleção, qual o tipo de seleção ocorrerá, se a proficiência pode ser entregue depois da matrícula, se o projeto tem que ser entregue na matrícula, se a seleção é paga, se a prova ocorre somente no campus da instituição, quais são as áreas que o ingressante pode se inscrever, quais documentos devem ser separados para a inscrição e para a matricula. Ou seja, deve-se estar preparado desde o início para as burocracias, sendo interessante isso pois, em geral, os documentos são sempre os mesmos para diversas instituições (caso o aluno queira prestar prova em mais de uma instituição).

4 - Projeto de Pesquisa:
O projeto de pesquisa é intimamente ligado com o contato inicial com o orientador, por isso, é importante antes mesmo de iniciar o processo burocrático conversar com professores de universidades (caso o ingressante quiser prestar a seleção de pós-graduação em mais de uma instituição), e perguntar quais tipos de projetos o docente está interessado em desenvolver no período, ou se já tem alguma proposta iniciada e precisa de alguém para continuar o projeto, ou ainda mesmo se concorda em desenvolver uma proposta do próprio aluno. E também é claro, adequar o projeto dentro de uma busca de patentes, reescrevendo o documento quando necessário para diferenciar de possíveis projetos já trabalhados.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Mudança do Currículo do Ensino Médio - Qual a verdadeira prioridade que devemos discutir?

Estamos vivendo um período onde se discute a mudança do ensino médio e, isso é de extrema relevância para professores discutirem, porém, esse é um assunto que dever ser trabalhado de forma apartidária, sem que existam ideologias por trás, ou seja, não podemos nos deixar levar por ideias políticas na discussão de um tema tão importante.

Antes de discutir o que deve mudar na ementa curricular, temos que pensar em um outro fator, sendo que esse eu considero de maior relevância que a mudança do currículo. Esse fato corresponde ao número de aluno por sala.

Agora por que isso é tão importante?
A resposta para isso é bem simples e, se passa pelo fato de que um professor não consegue desenvolver um bom trabalho, em um escopo onde, não se pode ter a percepção em curto espaço de tempo se a matéria está sendo compreendida. Essa percepção, somente é passível de ocorre, se a turma for limitada em um total de 15 alunos, uma vez que o professor consegue se conectar a um nível praticamente pessoal e individual com todos os alunos da turma.

Hoje, isso é impossível de acontecer, uma vez que as turmas são compostas por 40 alunos, sendo que muitas vezes (eu já passei por isso), um professor ou os alunos, não possuem cadeiras ou carteiras para se sentarem, já que a infraestrutura da escola é limitada. Esse problema físico nos leva a um problema de cansaço dentro de sala de aula, pois, se aumenta o barulho, o calor e o espaço diminui, o que leva a problemas óbvios de alocação de material e pessoas. Nunca é saudável se estudar ou mesmo fazer qualquer atividade onde não se consegue determinar um espaço próprio, o que leva ao estresse, uma característica extremamente ruim para atividades que necessitam de uso de concentração e intelecto.

Dessa forma, existe a necessidade de se construírem novas escolas, que garantam uma média de 15 a 20 alunos nas salas das escolas públicas. O interessante de se aumentar o número de escolas numa cidade é que para se erguer os prédios gera-se temporariamente empregos, ou seja, circula a curto prazo uma quantia de dinheiro na cidade, depois disso, agora pensando a longo prazo, novas escolas vão ajudar a crescer pequenos comércios em seus arredores, uma vez que a escola se torna um ponto de referência e fluxo de pessoas. Em muitos casos se criam novas rotas de transporte público, o que garante melhores condições de pessoas usufruírem de transporte público mais próximo de casa. Ou seja, regionalmente uma construção pública que serve de ponto referencial só possibilita melhoria para bairros mais afastados. Ainda existe mais um fato importante a ser discutido nesse âmbito, que é o aumento da necessidades de profissionais da educação, logo, novos concursos públicos seriam abertos, já que a escola tem uma demanda de professores, pedagogos, psicólogos, auxiliares de diversas funções, indo desde limpeza até coordenação, bibliotecários e até mesmo pediatras. 

Podemos ver que, escolas novas, não somente ajudam a diminuir o número de alunos por sala, mas também contribuem para melhor desenvolvimento de áreas onde não se tinham centros educacionais. Além de tudo isso, as escolas também contribuem com centros de recreação que ficam abertos de fim de semana, mas é claro, isso dependente do desenvolvimento de projetos. Esses projetos podem ajudar, desde a manter jovens e adultos dentro de um ambiente saudável, como também fornecer cursos de especialização populares.

Outro fator interessante, que podemos ter, com o aumento de números de salas é que o investimento e a valorização de cursos de licenciatura farão com que a profissão de professor seja mais procurada, uma vez que, garante emprego, pois tem demanda e não seria mais tão estafante dar aulas em uma sala com 15-20 alunos do que nas atuais salas com 40 pessoas estressadas.

É claro, isso que falo, somente é perceptível para quem convive ou já trabalhou dentro das escolas por algum tempo, sendo que, muitas vezes quem pensa em fazer uma modificação no ensino médio, não leva isso em consideração. Ou seja, o maior problema que devemos pensar é inicialmente na infraestrutura e depois avaliar se o que ocorre é de caráter acadêmico (fato esse que eu duvido muito!)

Caro leitor, você pode ver que eu nem entrei no fato do currículo nesse texto, pois não creio que o problema seja o aluno escolher qual carreira quer seguir. O fato de estudarmos várias frentes no colegial por três anos não é algo imposto, mas sim, matérias que possuem formas diferentes de desenvolvimento cognitivo levando a novas abstrações frente a resolução de um problema, ou seja, as matérias não são só de conteúdo instrucional, mas também tem função abstracionística. Uma outra característica é que as matérias não são simples ao ponto de serem desenvolvidas de forma autodidata, o que leva a dependência implícita de um tutor. Por isso, é interessante os alunos terem contato com o máximo possível de frentes.

Outra mudança, que pode ser interessante frente à melhoria do caráter aprofundamento no estudo, é garantir que as escolas sejam em período integral, levando ai sim, um aluno escolher algo diferente do currículo básico, sendo que poderia fazer aulas de reforço de uma matéria específica, cursos técnicos (eu fiz curso técnico em uma ETEC e foi muito bom), laboratórios de ciências, aulas de línguas estrangeiras, ou seja, permitir que no período extra os jovens possam escolherem o que desejam se aprofundar e desenvolverem projetos.

Também, além de tudo isso, deve-se iniciar um estudo de qual o melhor horário para começarem as aulas, já que é constatado que os alunos não rendem com aulas começando às 7:00 da manhã. Existem várias pesquisas que mostram que os jovens necessitam de um período maior para dormir, para que consigam ter um bom aproveitamento. Talvez, iniciarem as aulas às 8:00 ou 8:30 e as mesmas se alongarem até às 13:00 horas com intervalo das 10:30 às 11:00, com refeição incluída e também uma merenda próxima das 15:00 horas, uma vez que a escola seria em período integral. Obviamente, o horário de saída seria próximo das 17:00 horas, para possibilitar os alunos voltarem num período claro para casa.

Resumindo tudo isso, antes de começarmos a pensar se, existe necessidade de mudarmos a ementa e o formato do currículo, existe primeiramente o dever de pensarmos o que é prioridade para se desenvolver essas possíveis mudanças e, essas prioridades se baseiam inicialmente em mudarmos a estrutura de organização da escola, pois do contrário, podemos implantar qualquer currículo e modelos educacionais de "primeiro mundo", que não vai dar certo.

Mais para frente discutiremos sobre o currículo que pensam em implantar e na possibilidade dos alunos poderem montar a ementa curricular à partir do segundo ano de colegial.