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domingo, 26 de janeiro de 2020

Como se preparar para estudar fora do Brasil?

Como primeira postagem de 2020, quero falar um pouco sobre como é se preparar para um intercâmbio no exterior. 

Para isso, preparei um vídeo falando sobre quais são as coisas mais básicas que um estudante tem que se preocupar caso tenha pretensão de estudar fora. E também algumas dicas em relação a viagem para aqueles que nunca se deslocaram de avião para fora do Brasil.


As dicas para o intercâmbio no exterior que apresento nesse vídeo são direcionadas principalmente para os estudantes de pós-graduação que pretendem vir estudar na Europa (em destaque a Dinamarca), entretanto, também são válidas para estudantes em geral. Imagine que você está na fase de escolher qual curso irá prestar no vestibular, é interessante já ir pensando se tem vontade de fazer algum intercâmbio na graduação, ou se prefere pensar nisso mais como parte de uma pós-graduação. Note que essas escolhas são importantes, pois elas vão direcionar decisões na sua vida, como por exemplo a obtenção da proficiência em língua estrangeira. Se você acredita que é interessante um intercâmbio na graduação, então é bom correr o quanto antes com o aprendizado de línguas estrangeiras. 

Minha dia é para que não cometam o meu erro, ou seja, demorar muito para aprender inglês. A língua inglesa em muitos casos determina se você vai ou não vai estudar fora, as vezes chega a ser mais importante até mesmo que seu projeto, pois sem ela não há como aplica-lo e se comunicar com seu orientador (advisor). E também não acredite que o projeto que você escreveu e, enviou para o pesquisador do exterior ler, será  aplicado na íntegra, na maioria das vezes ele acaba sendo alterado, pois as circunstâncias exigem. 

Vale também ressaltar que o processo para obter o visto é diferente de país para país, sendo que ema alguns lugares, caso você pretenda ficar mais do que 3 meses (que corresponde ao visto de turista), você terá a necessidade de conseguir uma permissão de residência, sendo esse processo uma pouco mais complicado por causa da quantidade de documentos que você deve reunir (mas nada impossível de obter). A dica para essa burocracia é não deixar para fazer tudo encima da hora e guardar uma reserva financeira, pois em alguns casos existe a necessidade de já chegar com um contrato de locação, o que faz com que você tenha que pagar de 1 a 3 meses de aluguel adiantado e até mesmo um cheque caução.

A última dica que dou é que toda a sua organização tem que começar um ano antes da sua viagem, melhor ainda se você iniciar o processo de proficiência mesmo sem saber se irão abrir algum edital em breve, pois muita gente perde a oportunidade de conseguir estudar fora pois não consegue obter a nota mínima do edital. Em geral a CAPES exige 527 pontos no TOEFL - ITP, mas nesse caso, o ideal é visar 560 pontos, pois é a nota "padrão" que as universidades exigem. Por isso, se a ideia é sair no início do terceiro ano, o ideal é obter a proficiência no começo do segundo ano (já que a nota da maioria das provas de proficiência tem validade de 2 anos).

Abaixo deixo uma lista de quais são os passos a serem seguido, note que alguns deles ocorrem ao mesmo tempo:
1a - Buscar referências sobre seu projeto;
1b - Ficar atento às aberturas de editais para intercâmbio;

2 - Entrar em contato com uma referência do seu trabalho no exterior para saber se poderia te receber em um possível intercâmbio (nesse caso, você pode fazer o contato desde que seu orientador no Brasil esteja de acordo, caso contrário peça para seu orientador fazer esse contato);

3a - Escrita de um projeto;
3b - Obtenção de proficiência em inglês (mesmo se a pretensão for estudar em Portugal, ainda existe necessidade de proficiência em inglês);
3c - Inscrição no edital para intercâmbio;

4a - Sendo aprovado nas fases de avaliação da instituição de fomento você deve começar a obter os documentos necessários;
4b - Fique atento aos gastos que você pode ter durante o processo de obtenção de visto ou permanência, os mesmos podem variar de R$ 700,00 reais à mais de R$ 20000,00 reais. Por isso é importante se organizar (não se preocupe, a instituição de fomento paga desde o visto até sua viagem e estadia, mas em alguns casos existe a necessidade de pagar várias coisas antes da bolsa ser depositada na sua conta); 
4c - Dentro ainda da preocupação com gastos, fique atento com os limites de seu cartão de crédito, muitas vezes você terá que recorrer a uma casa de câmbio para fazer pagamentos no exterior (nem sempre os bancos fazem depósitos em moeda estrangeira com valores convertidos acima de R$ 20000,00 reais);

5a - Uma boa estratégia para brasileiros que vão para a Europa e não confiam muito no próprio inglês, é a de entrar por Portugal, uma vez que em caso de alguma dúvida no aeroporto o português resolve a parte de comunicação. 
5aa - Se escolher seguir a dica acima: Em alguns casos as autoridades portuguesas acabam por dar mais atenção e fiscalização aos brasileiros, pois Portugal é a principal rota de entrada da gente na Europa, por isso, não escolha voos com conexões muito curtas (vale ressaltar que isso não é exclusividade de Portugal, e também não acontece só com brasileiros);
5b - Quando for montar sua mala, não leve sua casa junto, pois o peso extra acaba gerando taxas extremamente altas das empresas aéreas (principalmente as que vão para a Europa), certifique-se dos tamanhos e pesos máximos das malas que a empresa aérea permite (um bom negócio é ver se a empresa permite duas malas de 23 kg ou ao menos uma 32 kg);
5bb - Em geral você tem direito a despachar uma mala de 23 kg no porão do avião, mas pode levar junto de si uma mala de bordo de 8 kg e mais uma mochila com coisas pessoais (são coisas pessoais os documentos, computadores e outros eletrônicos, remédios e receitas, jóias, dinheiro e qualquer coisa de valor);
5c - Certifique-se de que o mais importante não esteja na mala despachada (tudo o que é de valor tem que ir na cabine com você);
5cc - Certifique-se de que tenha as receitas médicas em inglês (caso os remédios sejam barrados ou ainda caso você perca a sua mala em que eles estavam dentro, você pode apresentar a um médico no exterior);
5d - Coloque identificadores externos em sua mala (tanto para reconhecer de longe, tanto com seus dados, caso a mesma seja extraviada).




sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Você já fez a prova do TOEFL alguma vez na vida?

Você já fez o TOEFL alguma vez na vida? Que prova mais complicada hein.
Atualmente para fazer uma pós-graduação você precisa de algo próximo a uns 470-480 pontos (depende do local que você deseja estudar o valor mínimo pode ser maior ou menor a esses acima, ou ainda um outro tipo de prova pode ser aceito, como o WAP por exemplo).
Para fazer uma graduação ou uma pós-graduação no exterior em geral o mínimo é de 527-560 pontos.
Vale ressaltar que a pontuação no TOEFL ITP (prova feita em papel) vai de 310 até 677, sendo que até uns 500 pontos o crescimento é linear e após isso a pontuação se comporta exponencialmente, ou seja, cada ponto acima de 500-510 deixam de valer 1 ponto e começam a valer 2 ou 4 ou 6... Dependendo de quantas questões você acerta.

A prova é dividida em 3 partes:
1) Áudio (listening): São 50 exercícios, que são falados em áudio (se a prova for em escola particular você usará um fone. Se for prova oferecida pela universidade então será coletiva e com uma caixa de som). Cada questão será falada uma vez só e pode ser conversas curtas e partes de uma aula (a maioria dos apontamentos do TOEFL se vincula ao mundo acadêmico). O tempo dessa prova é de aproximadamente 50 minutos.

2) Gramática (structure): São 40 exercícios para serem feitos em 25 minutos.

3) Leitura (reading): Em geral são 5 textos em inglês com 10 questões cada um. O tempo dessa parte da prova é de 55 minutos.

O tempo da prova é totalmente cronometrado, sendo que terminado um determinado período você deve passar para a próxima parte da prova. Do contrário é considerado trapaça e a prova pode ser retirada de você. Logo, por exemplo, não tem como fazer o structure antes do reading. Outra coisa a ser lembrada é que não se pode usar relógio pessoal durante a prova e também não se admite rasuras no caderno de questões. Já na folha de respostas as bolinhas das questões só podem ser pintadas com lápis (não é admitido nem mesmo lapiseira).
Mas o maior problema do TOEFL é o preço, que é oferecido entre R$ 415,00 - R$ 500,00 reais.
Minha dica é investir em um curso do TOEFL, pois essa prova não mede inglês, mas sim se você estudou a estrutura da mesma. Sim, tem gente fluente que não alcança pontuação várias vezes na prova (o TOEFL não reprova ninguém, mas sim qualifica o nível de inglês).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Quais as Vantagens e Objetivos da Participação de Eventos Acadêmicos?

Essa será a primeira postagem de 2019, vou tentar manter um fluxo de ao menos uma postagem por mês. No fim dessa postagem deixo duas perguntas e suas respectivas respostas sobre as vantagens e objetivos de participação de ventos acadêmicos.

Nessa postagem vou dar acesso a um trabalho que fiz e apresentei em um simpósio na cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Esse evento foi o SINECT (Simpósio Nacional de Ensino de Ciências e Tecnologia) e ocorreu dentro do campus da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná).

Foto 1 - Capela dentro da UTFPR

Foto 2 - Biblioteca Tecnológica Affonso Alves de Camargo.

Foto 3 - Típica árvore (conífera) dessa região do Paraná.

O meu trabalho teve o título: Estudo do Desenvolvimento do Espírito Científico em Aulas de Química Geral com a Aplicação do Método Científico. Quem quiser pode ter acesso ao PDF nos Anais do evento (basta dar um Control + F e colocar na caixinha de texto o título do trabalho).

Esse simpósio foi bastante interessante pois os trabalhos precisaram ser escritos na forma de artigos de no máximo 8 páginas. A apresentação dos mesmo se baseou em duas formas, no caso pôsteres para alguns trabalhos e para a grande maioria as chamadas sessões dirigidas.

Uma sessão dirigida se baseia em apresentações orais de no máximo uns 5-7 minutos, onde um coordenador organiza as apresentações e cria uma problemática para poder desenvolver uma discussão entre os apresentadores e também com contribuição da plateia. As sessões eram divididas em áreas temáticas, sendo que a várias ocorreram ao mesmo tempo em salas diferentes do campus da universidade. 

Além das sessões dirigidas e dos pôsteres, também ocorreram minicursos, mesas redondas, lançamento de livros e palestras com convidados nacionais e internacionais.

Foto 4 - Sensor de temperatura de baixo custo utilizado em microcontroladores (temática do minicurso que fiz durante o evento).


Qual a vantagem de participar de um evento?
A grande vantagem de participar de eventos como simpósios e congressos, não é somente a de apresentar o que você pesquisa, ou de ver novos trabalhos na sua área temática, mas sim a de criar uma rede de conexão com outros pesquisadores e instituições. Por isso, participar de eventos de abrangência nacional e, principalmente, internacional são ações imprescindíveis para um estudante. A baixo vou deixar 3 exemplos de situações que foram muito proveitosas nesse simpósio.

1) Um amigo que fiz no simpósio, recebeu um convite para tentar um mestrado acadêmico na UTFPR, detalhe, ele é de Manaus (4 mil quilômetros de distância de Ponta Grossa) e somente iria saber que sua área tem um campo forte no Paraná através do evento. Ele então tirou a sorte grande? ... NÃO! ... Isso não tem nada a ver com sorte, mas sim com espírito de querer crescer academicamente.

2) Na casa que fiquei (via Airbnb, o que deu MUITO CERTO!!!), conheci esse meu amigo que citei acima e mais um rapaz que veio da cidade de Araraquara (vizinha de São Carlos, que é onde moro). Durante a janta, nós três desenvolvemos uma discussão muito longa sobre ensino de ciências, ensino especial, epistemologia, abordagens metodológicas, política e até de música. Ou seja, discussões proveitosas como essas só acontecem quando pessoas com diferentes pontos de vista se reúnem, fato esse que dificilmente vai ocorrer dentro de um grupo onde todos pensam da mesma forma.

3) Na minha sessão dirigida conheci uma moça que apresentou um trabalho com temática de ensino de química quântica, o que foi muito interessante, pois eu tenho mestrado em uma abordagem de mecânica quântica chamada DFT - Density Functional Theory (quem se interessar sobre o que pesquisei é só clicar aqui: Dissertação). Após a sessão dirigida ficamos um bom tempo conversando sobre como essa área da química é trabalhada tanto no ensino médio quanto no ensino superior. Como o doutorado dela ruma nessa área, a nossa discussão se mostrou extremamente proveitosa para ela, uma vez que, dificilmente, alguém com o tipo da minha formação se encontra na área de educação. Ou seja, somente em eventos grandes você consegue encontrar gente com formações mais distintas possível. 

O que buscar ver num congresso ou simpósio?
Pelo contrário do que se imagina, não é o ideal participar somente de apresentações ligadas a sua área, mas sim buscar trabalhos que visam outras abordagens. Essa estratégia serve para que seu repertório frente a discussão científica cresça e, assim, seus interesses não sejam somente pontuais. Eu por exemplo, além de participar da minha sessão dirigida, a qual tinha o tema de ensino de química, também participei de sessões que envolviam políticas públicas e ensino para surdos, o que me ajudou a tomar melhores rumos quando discuto esses temas atualmente.


domingo, 5 de agosto de 2018

Vamos entender como a pós-graduação usa a verba pública?

Mais uma vez faço uma postagem referente ao alarmante momento que a ciência brasileira passa. No caso, temos um vídeo onde existe a opinião de duas pessoas vinculadas ao meio acadêmico, no caso o meu amigo Kalil Bernardino, que é pós-doutorando na USP da cidade de São Paulo e a minha opinião, que sou doutorando da USP da cidade de São Carlos.
O vídeo é um podcast no início, mas a partir dos 9:48 minutos eu adicionei na integra o vídeo explicativo do Kalil, tendo como objetivo esclarecer, principalmente para a população que não se encontra no meio acadêmico como as coisas funcionam.


É muito importante se informar de como é a burocracia científica, para que todos comecemos a dar mais valor ao esforço gigantesco que nossos pesquisadores fazem com tão pouca verba.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

CAPES diz que pode cortar bolsas de mais de 93 mil alunos e pesquisadores no segundo semestre de 2019.

Hoje (02/08/2018) a instituição de fomento para ensino superior CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) liberou uma notícia que no mínimo é preocupante.

Nessa carta (a qual deixo na integra logo abaixo) o presidente da CAPES Abilio A. Baeta Neves encaminha ao Ministro de Estado da Educação (Rossilei Soares da Silva), um texto explicando que a instituição de fomento está com graves problemas de vencimento e que o orçamento de 2019 não poderá ser condizente com o orçamento de 2018 (embasado na LDO - Lei de Diretrizes Orçamentais). Em outras palavras, 2019 será um ano pobre, uma vez que a tendência é a de que o orçamento do MEC não seja preservado devido a política de corte de gastos.

Isso terá um impacto muito grande na esfera formativa e de desenvolvimento científico do Brasil, sendo que, bolsas serão cortadas no nível de formação de professores (PIBID, ProEB, IES, Parfor), na pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-dourado) e também nos programas de intercâmbio. 


A princípio a carta tem caráter alarmante, mas pode vir a se tornar realidade. 
Entretanto o que provavelmente irá acontecer é que somente as bolsas que seriam oferecidas no segundo semestre de 2019 serão cortadas. As bolsas de pós-graduação em resumo funcionam como um sistema de herança, sendo que a verba depende da quantidade de alunos que defendem no período, em outras palavras, quando uma pessoa sai do programa, existe a possibilidade de repassar a bolsa para uma outra pessoa no mesmo nível. O que tende acontecer é que ao finalizar o tempo de bolsa vigente, esse fomento venha a ser cortado e não repassado. Logo, menos bolsas serão ofertadas para a pós-graduação. 

Além disso, existe a tendência de haverem menos pessoas se candidatando a vagas para mestrado e doutorado. Nesse segundo semestre no IQSC (Instituto de Química de São Carlos) houveram muito poucos candidatos ao mestrado e ao doutorado, sendo esse instituto um dos melhores da América Latina e, consequentemente, um dos mais importantes do Brasil. Esse fato inusitado se relaciona com o fato de que as bolsas como um todo já não possuem um valor suficiente para manter um estudante na cidade de São Carlos, devido aos custos altos com alimentação, serviços básicos, transporte e aluguel. 

O mais complicado é que como existe a exclusividade, assinada em um contrato e até reconhecida em cartório, os estudantes com bolsa não podem ter um emprego, correndo o risco de ter que devolver o valor total da bolsa recebida no período caso o vinculo de exclusividade não seja respeitado. Todavia, se ocorrer de todas as bolsas serem cortadas, muitos pós-graduandos vão sofrer com quebras de contrato imobiliário, pois a grande maioria desses estudantes vivem em residências alugadas longe de casa, pois não são naturais das cidades onde se encontram os campus universitários. Os contratos imobiliários, na maioria, são lavrados para um ano de contrato, sujeito a multa se forem quebrados antes do período.

No que se refere a distribuição de bolsas nas provas de pós-graduação temos:
Em geral, os candidatos mais bem classificados recebem as bosas do CNPq (Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia) e os candidatos subsequentes recebem as bolsas da CAPES. Obviamente é valoroso receber qualquer bolsa, seja CNPq, CAPES ou FAPESP, sendo que o aluno se coloca com exclusividade de enquadramento, ou seja, não pode ter qualquer outra atividade remunerada em qualquer uma delas. As bolsas da FAPESP dependem da escrita de um projeto e excelentes notas do aluno. 


Abaixo a carta na íntegra:


COORDENAÇÃO DE APERFEIÇOAMENTO DE PESSOAL DE NÍVEL SUPERIOR
Setor Bancário Norte (SBN), Quadra 2, Bloco L, Lote 06, Edifício Capes, 13° andar - Bairro Asa Norte, Brasília/DF, CEP 70040-020
Telefone: (61)2022-6004 e 2022-6002 - www.capes.gov.br




Ofício nº 245/2018-GAB/PR/CAPES

Brasília, 01 de agosto de 2018.
Ao Excelentíssimo Senhor
ROSSIELI SOARES DA SILVA
Ministro de Estado da Educação


Nesta
Assunto: Nota do Conselho Superior da Capes ao Ministro do MEC .
Referência: Caso responda este Ofício, indicar expressamente o Processo nº 23038.011597/2018-23.
Senhor Ministro,
O Conselho Superior da CAPES, reunido neste dia 01 de agosto, em debate sobre o orçamento da CAPES para 2019, deliberou pelo encaminhamento da presente manifestação sobre a elaboração da Proposta Orçamentária.
Preliminarmente, este Conselho saúda o empenho do Sr. Ministro no sentido de viabilizar a integridade orçamentária do MEC consagrado no artigo 22 da Lei de Diretrizes Orçamentárias 2019 (LDO). Esse processo exitoso resultou na manutenção dos valores de 2018 ajustados pela inflação como piso orçamentário para o próximo ano.
Em contraponto a essa importante conquista, foi repassado à CAPES um teto limitando seu orçamento para 2019 que representa um corte significativo em relação ao próprio orçamento de 2018, fixando um patamar muito inferior ao estabelecido pela LDO. Caso seja mantido esse teto, os impactos serão graves para os Programas de Fomento da Agência. Citamos aqui algumas das principais consequências nas linhas de atuação da Capes:

1. Pós-graduação
Suspensão do pagamento de todos os bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado a partir de agosto de 2019, atingindo mais de 93 mil discentes e pesquisadores, interrompendo os programas de fomento à pós-graduação no país, tanto os institucionais (de ação continuada), quanto os estratégicos (editais de indução e acordos de parceria com os estados e outros órgãos governamentais).

2. Formação dos Profissionais da Educação Básica
Suspensão dos pagamentos de 105 mil bolsistas a partir de agosto de 2019, acarretando a interrupção do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) (Edital n° 7/2018), do Programa de Residência Pedagógica (Edital n° 7/2018) e do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor) (Edital nº 19/2018).
Interrupção do funcionamento do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e dos mestrados profissionais do Programa de Mestrado Profissional para Qualificação de Professores da Rede Pública de Educação Básica (ProEB), com a suspensão dos pagamentos a partir de agosto de 2019, afetando os mais de 245.000 beneficiados (alunos e bolsistas - professores, tutores, assistentes e coordenadores) que encontram-se inseridos em aproximadamente 110 IES, que ofertam em torno de 750 cursos (mestrados profissionais, licenciaturas, bacharelados e especializações), em mais de 600 cidades que abrigam polos de apoio presencial.

3. Cooperação Internacional
Prejuízo à continuidade de praticamente todos os programas de fomento da Capes com destino ao exterior.
Um corte orçamentário de tamanha magnitude certamente será uma grande perda para as relações diplomáticas brasileiras no campo da educação superior e poderá prejudicar a imagem do Brasil no exterior.

Diante desse quadro, o Conselho Superior da CAPES apoia e solicita uma ação urgente do Ministro da Educação em defesa do orçamento do MEC que preserve, integralmente, no PLOA 2019 o disposto no Artigo 22 da LDO aprovada no Congresso Nacional.
Respeitosamente,
ABILIO A. BAETA NEVES

Presidente

domingo, 25 de março de 2018

Fake News Científica!

Uma das coisas mais graves no que se refere a popularização da ciência, se relaciona diretamente com o fato de que, muitas pseudo-ciências são passadas e repassadas entre as pessoas via redes sociais.

Obviamente, grande parte desse conteúdo não é revisado, sendo que muita gente publica conteúdo "científico", mas que na realidade, não passam de material com intuito de buscar os chamados "clicks", uma vez que, quanto mais acesso em páginas específicas, mais dinheiro via exposição e propaganda é gerado.



Dessa forma, muitas coisas milagrosas são apresentadas, como remédios fantásticos, terraplanismo, ufologia, alquimia, astrologia, dentre muitas outras coisas que remetem muito a chamada pseudo-ciência.

Conteúdos de cunho milagrosos, acabam por chamar muita atenção e, chamando muita atenção, acabam disseminando mentiras e deturpando a imagem do cientista. Todavia, o grande problema não é a geração de receita com as visualizações de páginas, mas sim, com esse fomento da ciência falsa, que acaba por criar a chamada "ignorância científica", a qual deve ser sempre combatida.

A ignorância científica é um fenômeno popular muito grave, pois pode trazer muitos males, uma vez que, uma informação errada pode levar a uma pessoa se intoxicar ou agravar doenças, ou mesmo se embasar em conteúdos que podem prejudica-la.

Com isso, é muito importante buscar as referências de uma informação que diz-se ser científica, ou seja, buscar o artigo científico de onde vem a informação. Se não for possível encontrar um artigo sobre o assunto, sempre coloque a informação em cheque até que a mesma seja provada.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Elon Musk - Como obter sucesso em qualquer área, ramo ou atividade?

Nesse vídeo, comento um pouco sobre como uma pessoa que quer crescer profissionalmente na carreira deve pensar e agir, para isso me aproprio do exemplo de Elon Musk. 

Hoje o tão badalado Elon Musk, consegue flutuar entre várias áreas do empreendedorismo, pois tem suas bases fundadas em mais de uma área do pensamento. Sua fortuna basicamente surge devido seu conhecimento na área econômica, a qual ele empreende, atualmente, em tecnologia de ponta dentro do escopo de energia renovável e da engenharia aeroespacial. 



Em resumo Elon Musk é programador de computadores, economista, físico, engenheiro, marqueteiro, administrador, empresário e filantropo. Esse conjunto de especialidades, remete aos grandes cientistas que conseguiram criar alguma revolução na ciência. Temos como exemplos de pessoas assim Galileu Galilei, René Descartes, Leonardo Da Vinci, Gregor Mendel, dentre muitos outros, os quais possuíam uma grande lista de especialidades dentro das diversas áreas do pensamento.

Obviamente, Elon Musk abandonou o meio acadêmico, para ganhar dinheiro no meio empresarial, entretanto, se cercou de bons especialistas para conseguir desenvolver seu objetivo dentro da ciência.

Portanto, por mais estranho que possa parecer, seguir o exemplo de Elon Musk, no que tange o caráter formativo, se mostra, uma boa estratégia para alcançar o sucesso dentro do meio acadêmico também (mesmo sendo Elon Musk  uma pessoa que escolheu abandonar o meio acadêmico, para se dedicar ao ramo empresarial).

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Paulo Freire - Influenciadores e ideologia.

Quando iniciamos nossa carreira em educação, somos apresentados ao Freirismo dentro da universidade. Esse termo Freirismo se remete ao pedagogo brasileiro Paulo Freire, que hoje é considerado mundialmente como o maior expoente em pedagogia, sendo o mais citado dentre os especialistas dessa área. 

Entretanto, existe um contraponto importante no que tange Paulo Freire e que não é discutido.

Atualmente, quando iniciamos uma pós-graduação em educação, é extremamente comum dentro da ementa curricular existirem matérias de cunho marxista e isso se dá pois, o grande expoente da área de pedagogia ser um marxista, em outras palavras, Paulo Freire desenvolveu sua teoria baseada na doutrina marxista. 

Um dos grandes influenciadores de Paulo Freire e, quem sabe o maior influenciador foi Antonio Gramsci. Dessa forma, antes de falarmos sobre o pedagogo brasileiro vamos falar um pouco sobre quem o influenciou. 

Atonio Gramsci foi um político, escritor, filósofo, crítico de literatura e jornalista italiano, nascido na Sardenha a 22 de janeiro de 1891, falecendo em Roma a 22 de abril de 1937. Ganhou influência dentro da política pois escrevia para um jornal marxista no período em que muitos Sardos vinham para a cidade de Turim, onde estava sendo desenvolvido um processo de industrialização. Devido ao fato de se encontrar no mesmo estado de pobreza que essas pessoas, que buscavam sindicatos para se organizarem, Gramsci se afiliou ao Partido Socialista Italiano, iniciando sua careira dentro da política.

Além de sua vida política movimentada, a qual não vou entrar em maiores detalhes, Gramsci desenvolveu teorias as quais foram muito bem aceitas entre as minorias. Entretanto, existia um outro lado da moeda nessas teorias. 

Um dos trabalhos mais citados de Gramsci é a teoria marxista da Hegemonia Cultural, onde em resumo, podemos dizer que existe uma luta de classes existente entre culturas, sendo que uma cultura de uma determinada classe social imprime uma dominação ideológica sobre a outra. No caso, obviamente ele se referia à burguesia e aos operários.

O grande problema da Hegemonia Cultural é que ela ensinou e ajudou a criar um movimento, bastante estudado por Saul Alinsky (um escritor e filósofo que morou nos EUA e que podemos discutir um pouco mais em outra postagem), que expressava o fato de que uma revolução primeiro tem que ocorrer no contexto cultural e depois se alastrar para o meio político, uma vez que, quando se tem uma nova hegemonia cultural, se consegue impor uma nova política.

Dessa forma, se iniciou o que podemos chamar de um semear de pequenas sementes marxistas dentro de todas as principais áreas que representam os pilares da sociedade, ou seja, ideais marxistas começaram a serem plantadas (no início e meio do século XX) dentro das instituições educacionais, religiosas e também políticas. Com o passar do tempo essa "nova cultura" iria crescer (e cresceu!) e abrir caminho para a implantação da mudança política.

No caso, a ideia desses filósofos e políticos era trazer a tona o marxismo na sociedade e sobrepujar outras culturas. A princípio pode parecer irônico o fato de uma ideologia que se diz em prol de uma democratização querer impor uma ideologia única, entretanto, tudo sempre foi muito bem calculado, com o intuito de uma maior dominação de cunho político.

A ideia sempre foi buscar em diversas minorias um poder político e, implantar doutrinas onde essas minorias se identificassem e começassem a crer que sempre pensaram daquela forma. Isso fazia com que essas minorias começassem a perpetuar grupos políticos no poder, pois consideravam que esses grupos visavam as melhorias da sociedade. Obviamente, essa estratégia foi agregada dentro da educação.

Paulo Freire, por mais bem intencionado que fosse, bebeu da fonte dos criadores desse processo de consolidação do marxismo como a base fundamental do que tange a educação. Atualmente, em centros de pesquisa educacional nos países da América Latina, Ásia, Europa e até mesmo EUA, é quase impensável não se usar de estudos marxistas.


Nessa imagem temos uma escultura que se encontra em Estocolmo na Suécia, com alguns expoentes do marxismo, sendo que além de Paulo Freire (segundo da esquerda para a direita) temos Pablo Neruda e também Mao-Tsé-Tung (ditador e genocida chinês). Os ideais marxistas acabam por visar o marxismo como imaculado, logo, quem o exalta não seria um "criminoso", mas sim um revolucionário que buscava a igualdade popular.

Torna-se muito claro que o processo da Hegemonia Cultural foi muito bem implantado na sociedade, principalmente no que tange a educação, sendo que, não existem outras formas de estruturação de cursos de formação de pedagogos sem que esses tenham uma base marxista como o seu único horizonte.

Isso por sua vez, acaba por culminar diretamente nas escolas, que se tornam redutos de marxismo. Obviamente, os culpados pela não existência de uma pluralidade frente às ideologias de esquerda e direita na educação não é de responsabilidade do professor da escola, mas sim, de quem forma esses profissionais, em outras palavras, dos responsáveis pela criação de ementas curriculares de cursos de graduação e também de pós-graduação.

Em próximas publicações iremos dar continuidade a essa discussão e, tentar compreender se existe alguma forma de coibir a consolidação de ideologias dentro da faculdade e consequentemente das escolas e sociedade como um todo. Também vamos discutir um pouco de como Paulo Freire trabalhou sua pedagogia, passando um pouco sobre as ideias de opressão e discussão política como algo importante no processo de construção do cidadão. 

domingo, 23 de julho de 2017

Primeiras impressões sobre o contato com a docência no ensino superior.

Esse ano eu tive a chance de assumir algumas aulas do curso semi-presencial de Ensino de Ciências da USP de São Carlos. Ministrei aulas de três disciplinas, sendo elas, Ensino de Ciências, Didática e Diversidade do Currículo Pós-LDB.

Dentro da minha experiência com ensino, ainda faltava o contato com o ensino superior, sendo que essas disciplinas me deram uma boa bagagem conceitual, uma vez que, os entraves existentes num curso semi-presencial no escopo da graduação são bem mais complexos do que em um curso presencial.

Em um curso semi-presencial, o sistema on-line é de extrema importância, tanto para o educador quanto para o estudante, uma vez que, grande parte da avaliação dos trabalhos e atividades são feitas com o auxílio de uma ponte virtual, em um banco de dados, que conecta o estudante e o corretor.

Devido ao contato atual das pessoas com plataformas interativas, redes sociais e conexão remota de alta velocidade, faz com que o rótulo em relação a um curso à distância ou semi-presencial acabem por criar um engôdo ao primeiro contanto com o curso.

Tanto para o educador, quanto para o estudante, pode parecer que o sistema ou plataforma, garantem uma grande proteção no que tange o desenvolvimento das atividades, entretanto, existem momentos específicos para que as mesmas sejam feitas. As atividades são liberadas à partir de um determinado dia e necessitam que os alunos façam a mesma durante um prazo estipulado. O diferencial disso tudo é que o aluno não consegue conversar com o professor para conseguir negociar e alterar o dia de entrega de uma atividade, havendo assim, uma grande necessidade do mesmo conseguir se organizar para desenvolver um curso superior.

Assim, torna-se claro que um curso semi-presencial, é muito indicado para pessoas que já tiveram algum contato com a graduação, que trabalham dentro de um regime que carece de organização, ou então, que possuem tempo para se aplicarem ao curso dentro dos períodos estipulados para o curso.

Obviamente, os exercícios não ficam aberto durante um único dia durante um período inviável, muito pelo contrário, os mesmos ficam abertos para depósito on-line por alguns dias, ou seja, os mesmo podem ser depositados até mesmo em períodos bastante alternativos. Dessa forma, as desculpas que alunos tentam geralmente dar, referente ao curto espaço de tempo, acabam sendo desconsideradas, uma vez que uma atividade ficar aberto para depósito por um período relativamente longo de tempo.

Um fato muito importante a ser considerado é que algumas vezes uma plataforma pode cair e dessa forma, perder dados que não estava ainda salvos, o que acaba por trazer reclamações, uma vez que as atividades são perdidas. Por isso, é importante que os alunos sempre façam backup do material, tendo em vista que, qualquer sistema on-line corre o risco de cair e sair fora do ar. Essa característica se mostra como um ponto crucial dos entraves desse tipo de ensino.

Por parte do educador, existe uma necessidade intrínseca do acompanhamento das atividades on-line, para compreender a evolução dos alunos e, também, de se manter atualizado referente ao material disponibilizado semanalmente aos alunos, sendo preciso fazer sempre o download dos mesmos, para que dessa forma, caso o sistema caia, o educador tenha salvo todo o conteúdo.

Cabe ao educador também, não só cobrar as atividades presenciais, mas, desenvolver e aplicar aulas durante os encontros. Em outras palavras, o educador possui uma grande responsabilidade em relação ao aprendizado dos alunos , uma vez que, o aprendizado não se dá somente com os vídeos, o estudo on -line, com a leitura de textos e entrega de atividades, sendo que, se não existe um esquema de tutorias, onde alguém trabalhe respondendo às dúvidas dos alunos, o professor necessita sim aplicar aulas e, dessa forma, conseguir suprir todas as questões dos alunos, sendo que, em muitos encontros, as atividades presenciais podem ser deixadas para serem feita em casa e entregues no próximo encontro.

Como resumo da experiência, consegui notar que os entraves de um curso semi-presencial acabam ocorrendo pela falsa comodidade, tanto dos alunos quanto dos educadores, em relação ao sistema, uma vez que o mesmo tem um escopo de praticamente não comprometimento pessoal, devido ao fato do curso parecer ser virtual, já que, o contato e o deslocamento físico, de ambos os sujeitos envolvidos (educador e educando) é quase que inexistente. A necessidade de deslocamento físico, acaba por forçar o aprendiz a ter um pouco mais de responsabilidade em relação ao curso, uma vez que, dentro de uma sala de aula, a tendência é do aluno seguir um período, dia e horário que delimitam o curso, isso faz com que a definição do que é uma disciplina seja mais presente na mente do aluno. Enquanto o aluno se mantém em casa, sem compreender a amplitude do curso que escolheu fazer e, da responsabilidade envolvida no processo, a compreensão referente ao que é uma graduação, acaba por não ser desenvolvida.

Em breve, pretendo trazer algumas informações sobre como é o processo de construção de um curso semi-presencial e quais os conteúdos que apliquei nessas disciplinas da USP aqui de São Carlos.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Como se preparar para as burocracias da pós-graduação no ingresso do mestrado ou doutorado.

Atualmente iniciei o doutorado na USP, mais especificamente no IQSC, entretanto, não estou mais trabalhando na área de pesquisa aplicada, onde fiz meu mestrado em química teórica (para quem não sabe o que é química teórica em breve farei um texto falando sobre essa área, mas fica a priori a explicação resumida: Química Computacional), sendo que hoje retornei para a minha área de formação mais específica, que é a licenciatura.

Meu projeto envolve o estudo do desenvolvimento do espírito científico dentro de uma abordagem de ensino de química, usando maquetes científicas no âmbito de ambientes não-formais. Mas, não quero ficar falando sobre meu projeto propriamente dito. Hoje eu quero explicar sobre as burocracias iniciais que existem na estrada no universo da pós-graduação.

Essa transição entre graduação e pós-graduação pode ser muitas vezes traumática ao ex-graduando, pois a cobrança frente ao caráter profissional começa a ser mais recorrente, ou seja, o status de simples aluno começa a ser ultrapassado e a pessoa se vê na necessidade de expor suas competências. Dessa forma, é importante ao graduando começar a pensar se quer fazer pós-graduação já nos últimos anos do curso. Em outras palavras, é interessante o aluno já ir pensando qual frente lhe apetece mais.

Além disso, também é importante o estudante buscar em seu currículo quais são os melhores trabalhos que produziu durante a graduação. Dessa forma, é interessante manter o currículo sempre atualizado, para que não perca tempo durante a inscrição para o mestrado ou doutorado direto. Na minha opinião é muito bom usar a Plataforma Lattes (Em homenagem ao físico brasileiro César Lattes) que é um site da CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Nessa plataforma o usuário disponibiliza publicamente o próprio currículo, expondo desde participação em eventos científicos, até mesmo artigos publicados e projetos desenvolvidos. É uma forma para alunos de fim de curso, além de organizar seus dados, para depois usarem os mesmos na inscrição de uma pós-graduação, também é uma ferramenta de maior conhecimento sobre profissionais da área escolhida.

Figura 1: Entrada do site da Plataforma Lattes.

Voltando agora às características específicas da pós-graduação, os cursos brasileiros buscam garantir a internacionalização dos cursos, dessa forma, além de organizar a empregabilidade também é imprescindível se preparar em uma língua estrangeira, sendo que, é de praxe o inglês. 

Alguns programas de pós-graduação em ciências naturais (como no caso o IQSC), cobram já na matricula para a pós-graduação (seja mestrado ou doutorado) a proficiência em inglês, em outras palavras, após ter passado na prova de classificação, seja com bolsa ou sem bolsa, o aluno tem que comprovar já na matrícula que tem competência em inglês. Em geral, as provas de inglês para o mestrado são bem simples e, buscam garantir que o ingressante tenha ao menos a capacidade de ler e interpretar um texto em inglês. No IQSC é aceito a modalidade TEAP (Test of English for Academic Purpose) para ingressantes no curso de mestrado, que se baseia em leitura de texto e questões sendo respondidas em português. Entretanto no doutorado o IQSC cobra como mínimo a modalidade WAP (Writing for Academic Purposes), sendo que nesse tipo de prova todas as questões são em inglês, os textos são em inglês e as respostas devem ser em inglês. 

Em outras instituições, por outro lado, já se cobra o TOEFL (Test of English as a Foreign Language), o qual busca uma análise mais aprofundada, onde o aluno faz testes desde escrita e leitura, até mesmo aos testes de interpretação de textos falados. O TOEFL geralmente é mais cobrado a nível de doutorado, mas como critério inicial é importante o aluno se preocupar com o tipo de prova de vigente no programa do curso escolhido. Em várias instituições, como por exemplo na pós-graduação do Departamento de Química da UFSCar, a proficiência em língua estrangeira pode ser entregue dentro de um período específico do curso, entretanto, sempre antes da qualificação e da entrega do documento base do projeto.

Dependendo do programa de pós-graduação nem sempre é preciso fazer uma prova escrita para se ingressar no mestrado ou no doutorado. No IQSC, para que se inicie o curso de mestrado há a necessidade de se fazer uma prova de química geral, sendo que existe número mínimo e máximo de ingressantes, ou seja, o concorrente precisa alcançar um valor mínimo de pontos para conseguir ingressar no mestrado. Tanto para o mestrado quanto para o doutorado, a prova é a mesma, sendo que, por ser uma prova desenvolvida pelos professores do instituto, ela pode variar em número de questões, se será discursiva ou de múltiplas escolhas, se é em português ou em inglês. Em outros programas é mais comum uma prova discursiva, entretanto também pode ocorrer entrevistas e análise de currículo como critérios únicos de seleção. A análise de currículo aliada de uma prova se mostra  o mais comum em todos os programas de pós-graduação, entretanto é muito importante ler o edital com cuidado. No curso de doutorado do IQSC existe ainda a possibilidade de fluxo contínuo, ou seja, não é necessário o ingressante fazer a prova de química (que nesse caso tem maior função de classificação para bolsa), sendo que, somente é feita a análise do currículo do ingressante juntamente com sua proficiência em inglês.

Quando se determina que a pós-graduação é o caminho a ser tomado, é interessante o aluno durante a graduação mesmo, já ir conversando com algum professor e desenvolver algum projeto de iniciação científica, para que dessa forma, além de gerar produções para o currículo, também consiga compreender se uma determinada área realmente é a que se tem mais aptidão. É extremamente comum mudanças de área dentro da pós-graduação, pois a pessoa não se preparou muito bem. No meu caso, eu resolvi ir trabalhar com química teórica, pois no meu curso de licenciatura não foi oferecida a frente de quântica, então achei interessante para meu currículo procurar algo que fortalecesse esse viés. Geralmente ir na direção de algo que você não domina é algo bastante complicado, pois, o universo da pós-graduação cobra uma posição mais profissional do indivíduo e, na maioria das vezes, quando ocorre essa modificação de frente, o aluno acaba ficando perdido ou seu trabalho demora para gerar frutos. 

Então, a busca durante a graduação por uma área a ser seguida é de extrema importância, pois ajuda a preparar o currículo, principalmente para candidatos que escolhem a opção de doutorado direto. Para essa modalidade, existe a necessidade de um currículo muito forte, com publicações de artigos durante a graduação (principalmente como primeiro autor), além de possíveis experiências no exterior, bons estágios e até mesmo com desenvolvimento de patentes. Além disso o currículo acadêmico deve ser impecável sem reprovações e excelentes notas. É claro que isso é bastante difícil, mas não impossível, se não, a modalidade nem mesmo existiria (e nem é tão difícil encontrar pessoas fazendo doutorado direto nas universidades).

Depois disso tudo, alguns programas exigem que o ingressante entregue em curto período de tempo o projeto de pesquisa, o qual é analisado rigorosamente. Nesse caso se o mesmo não for aprovado, o ingressante perde a vaga e, isso não é tão raro, sendo que existem vários casos de alunos que ingressaram no programa e perderam a vaga pois não se prepararam para a escrita de um bom projeto. Por isso, é importante buscar contato com professores antes mesmo de fazer a prova da pós-graduação ou de qualquer processo seletivo. Isso é importante pois o docente pode ter algum projeto sendo escrito, ou mesmo já escrito, o que pode ajudar muito o ingressante. Eu quando entrei no mestrado não tive que escrever o projeto, pois meu orientador já tinha um pronto para se iniciar o trabalho, tanto que, mal entrei no mestrado e já comecei a trabalhar a todo vapor. Já no doutorado é de praxe que o aluno escreva sozinho seu projeto, uma vez que se espera um maios domínio desde a escrita científica, levantamento bibliográfico e principalmente na capacidade argumentativa no que tange a defesa de uma ideia.

Um projeto de pesquisa inicialmente se baseia em uma ideia do que se pretende trabalhar, sendo que o mesmo é dividido em pelo menos cinco partes: Resumo, Introdução, Estado da Arte, Metodologia e Referencias. Em geral os programas cobram umas vinte páginas, incluído capa e a bibliografia. A parte de bibliografia, ou os referenciais teóricos está ligado diretamente ao estado da arte, uma vez que nessa parte o autor cita as principais fontes e trabalhos mais modernos dentro da pesquisa que deseja desenvolver. A critério de projeto de pesquisa é comum serem mencionadas umas trinta referências bibliográficas, o que a nível de mestrado corresponde a praticamente um terço do que se tem dissertações na área de ciências (notem que isso é uma característica bastante específica, outras frentes como humanas e biológicas isso pode variar muito). Algo que pode ser citado no projeto de pesquisa são os resultados esperados, o que trás ao leitor uma impressão de maior coesão e solidez frente a proposta de pesquisa, sendo que esse tópico é adicionado entre a metodologia e as referências, pois concatena o forma que a pesquisa será desenvolvida, o conjunto de técnicas e os referenciais teóricos.

Além do projeto de pesquisa, dentro da área de pesquisa aplicada em ciências naturais e engenharias, é bastante comum os programas de pós-graduação cobrarem uma busca por patentes referente ao seu projeto de pesquisa. Em outras palavras, após o ingressante entregar sua proposta de pesquisa existe a necessidade de comprovar que ela é inédita dentro do escopo da pesquisa, sem que haja algum plágio ou mesmo patentes iguais. Para se evitar isso existem diversas plataformas de procura de patentes, sendo o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) a principal no ambiente nacional. Outras

Figura 2: Entrada do site da plataforma de pesquisa por patentes do INPI.

Alguns outros exemplos de plataformas de pesquisa por patentes, mas no âmbito internacional são:

Podemos finalizar todo o caráter burocrático do ingresso na pós-graduação com um resumo:
1 - A pós-graduação se inicia na graduação:
A pessoa que pensa em fazer pós-graduação tem que se preparar na área que escolheu, desde a parte específica para a seleção (seja prova ou entrevista) até mesmo na língua estrangeira, além disso a busca por contatos com professores que possam orientar na graduação e assim dar continuidade ou ajudarem na escolha do caminho a ser trilhado é imprescindível.

2 - Língua estrangeira:
Não perca tempo para iniciar os estudos em uma língua estrangeira (eu cometi esse erro), principalmente o inglês dentro das ciências naturais e engenharias. A maioria dos eventos que ocorrem no ambiente acadêmico são em inglês, além do que, os artigos das revistas mais importantes, mesmo que não seja americanas ou inglesas, costumam publicar em inglês, pois essa é a língua mais comum dentro do universo acadêmico e científico.

3 - Ingressando na Pós-Graduação:
A primeira coisa a ser feita quando se escolhe fazer uma pós-graduação é ler atentamente o edital, para se ter noção do conteúdo a ser cobrado na seleção, qual o tipo de seleção ocorrerá, se a proficiência pode ser entregue depois da matrícula, se o projeto tem que ser entregue na matrícula, se a seleção é paga, se a prova ocorre somente no campus da instituição, quais são as áreas que o ingressante pode se inscrever, quais documentos devem ser separados para a inscrição e para a matricula. Ou seja, deve-se estar preparado desde o início para as burocracias, sendo interessante isso pois, em geral, os documentos são sempre os mesmos para diversas instituições (caso o aluno queira prestar prova em mais de uma instituição).

4 - Projeto de Pesquisa:
O projeto de pesquisa é intimamente ligado com o contato inicial com o orientador, por isso, é importante antes mesmo de iniciar o processo burocrático conversar com professores de universidades (caso o ingressante quiser prestar a seleção de pós-graduação em mais de uma instituição), e perguntar quais tipos de projetos o docente está interessado em desenvolver no período, ou se já tem alguma proposta iniciada e precisa de alguém para continuar o projeto, ou ainda mesmo se concorda em desenvolver uma proposta do próprio aluno. E também é claro, adequar o projeto dentro de uma busca de patentes, reescrevendo o documento quando necessário para diferenciar de possíveis projetos já trabalhados.